|
A designada Arqueologia
da Arquitectura (AA) está felizmente a ganhar importância entre nós, sobretudo
com o incremento de intervenções em zonas históricas. Este tipo de estudo
requer, por vezes, a necessidade de se proceder à picagem de paramentos de modo
a avaliar a estratigrafia subjacente aos revestimentos. No entanto, algo que
seria positivo está a generalizar-se de forma negativa. De facto, as picagens
são acções demasiado destrutivas, para além de onerosas, produzindo efeitos que
podem ser muito negativos quer em termos de perda de informação histórica, como
de riscos para a própria estabilidade do edifício. Importa também não esquecer
que a AA não se limita à análise dos paramentos mas integra-se no projecto
global de arqueologia, como mais uma ferramenta para a compreensão do objecto
de estudo. Assim, procurando
auxiliar na reflexão sobre este assunto passo a expor o seguinte:
Sondagens
parietais
Estas acções devem
ser enquadradas em dois tipos distintos de intervenção:
1. Intervenção
de reabilitação - neste caso deverá discutir-se com o arquitecto coordenador e com
especialistas de conservação e restauro a necessidade, ou não, de se proceder a
picagens integrais, tendo o cuidado de avaliar se se está perante revestimentos
históricos que interessa preservar. Qualquer picagem de paredes deverá ser
sempre antecedida de pequenas sondagens onde, para além da leitura estratigráfica,
se deve aproveitar para proceder à recolha de amostras. Estas amostras, depois
de devidamente analisadas, para além de integrarem o estudo arqueológico do
edifício, servem também para que os novos revestimentos possam ser mais
compatíveis com as pré-existências;
2. Acção de
salvaguarda pelo registo – quando a intervenção prevê a demolição integral de estruturas consideradas
importantes do ponto de vista histórico (o que é de evitar logicamente), as picagens devem ser integrais de
forma a alcançar um conhecimento mais completo possível do edifício em causa.
Importa ainda
esclarecer que a aplicação deste tipo de análise e interpretação deve ter em
conta se se trata, ou não, de um edifício histórico, não sendo adequado generalizar
o método a qualquer tipo de construção, correndo-se o risco da Arqueologia
da Arquitectura começar a ser olhada com grande desconfiança.
Edifícios Históricos (onde a Arqueologia da Arquitectura pode
representar uma mais-valia):
· Edifícios
classificados; · Edifícios protegidos
por algum tipo de normativo; · Edifícios singulares
por constituírem um exemplo representativo de determinada época, autoria,
qualidade, relação com a história local etc; · Edifícios que
apresentam um interesse especial em termos de evolução arquitectónica com
alterações significativas ao nível edificado. Cumprimentos Maria Ramalho |
| Mensagem anterior por data: [Archport] Onoba. Revista de arqueología y antigüedad - de Huelva | Próxima mensagem por data: [Archport] Congresso Internacional Construção Naval. Arte, técnica e património | 23 a 25 maio | Vila do Conde |
| Mensagem anterior por assunto: [Archport] Arkeos : Revista Electronica de Arqueologia | Próxima mensagem por assunto: [Archport] Arqueologia em Portugal: recuperar o passado - em 2015 |