Georgeos Díaz-Montexano no documentário
“Atlantis Rising”.
O documentário do
National Geographic “Atlantis Rising” deixou James Cameron,
realizador de “Titanic” e “Avatar”, às
“portas” de Atlântida. O explorador Georgeos Díaz-Montexano, que
guiou o cineasta pelas investigações, conta ao ZAP como Portugal surge na rota
de uma Atlântida Ibérica.
A investigação, que
teve o dedo dorealizador James Cameron, na produção do filme, explorou diversas teorias científicas
sob orientação do hispano-cubanoGeorgeos Díaz-Montexanoque,
há mais de 20 anos, estuda o mistério de Atlântida.
Escritor, atlântologo e epigrafista, Díaz-Montexano tem vários
livros publicados sobre o assunto, é desde 2009, assessor do canal National
Geographic e colaborou directamente com James Cameron e com o realizadorSimcha Jacobovicino documentário “Atlantis
Rising”.
As suas pesquisas giram, sobretudo, em torno de antigos códices,
papiros e manuscritos em grego, latim, árabe e egípcio, sem esquecer os textos
de Platão.
Uma das teses que defende, e que é explorada no documentário,
vaticina que algunshabitantes de Atlântida podem ter conseguido fugirà eventual catástrofe que submergiu a
ilha eter-se instalado no sul da
Península Ibérica, onde terão deixado gravuras
rupestres a lembrar a sua terra perdida.
O ZAP teve oportunidade de entrevistar o explorador que conta
como “Atlantis Rising” passou também pelos Açores e como Portugal
surge na rota de uma Atlântida Ibérica.
Origens de Atlântida remontariam há uns
12.580 anos
ZAP – A
Atlântida existiu mesmo? Georgeos Díaz-Montexano– É impossível, neste momento,
confirmar se existiu ou não. A minha teoria propõe que, no caso de ter existido
uma ilha com uma cidade concêntrica, circular, só pode descobrir-se onde foi
claramente situada nos textos, isto é, no Atlântico, à boca do estreito das
Colunas de Hércules (Gibraltar) e próxima de Gadeira (Gades ou Cádiz), na área
que se estende entre Ibéria, Marrocos, a Madeira e talvez, até às Canárias pela
parte meridional. Essa civilização
atlântica remontaria as suas origens (e não o final como, erroneamente, muitos
ainda acreditam) até há uns 12.580 anos, enquanto o seu final catastrófico
seria entre finais do Calcolítico e a Idade do Bronze (entre 2700 a1550 A.C.).
ZAP – Há
provas que confirmem esses dados? GDM– Está tudo documentado nas fontes
primárias escritas (códices, papiros, manuscritos, inscrições) em antigas
Línguas, mas sobretudo nos escritos de Timeu e Crítias de Platão, obviamente se
forem lidos e interpretados de forma correcta, através de traduções
gramaticalmente correctas. São muitas as fontes que suportam a possível
existência histórica da Ilha Atlântida e da sua civilização,
ou, pelo menos, a existência de uma antiquíssima tradição
ou lenda histórica sobre uma cultura marítima atlântica, de considerável
desenvolvimento, que floresceu entre o Neolítico e a Idade do Bronze, numa ilha
situada em frente a Gibraltar, não muito longe de Ibéria e de Marrocos, ou num
arquipélago de ilhas e colónias distribuídas em regiões continentais da Europa
e de África. Esta hipótese parece a mais verosímil, de acordo com o
conhecimento geológico que temos, na actualidade, sobre a geo-morfologia das
ilhas (tanto das emergidas como das submergidas) e o relevo dos fundos marinhos do Atlântico.
ZAP – E
Atlântida foi exactamente o quê: uma ilha, um continente? GDM– Nos textos de Timeu e Crítias
de Platão, usa-se, sem sombra de dúvida, a palavra greganêsos,
‘ilha’ ou ‘península’. Platão nunca usouêpeiros(‘continente’) para
referir-se a Atlântida. Mas acabei convencido de que, no contexto em que Platão
usa o termonêsos, é
indiscutivelmente como ilha.
Ilustração
para o documentário “Atlantis Rising” de James Cameron e Simcha
Jacobovici, para a SAIS e o National Geographic.
A ideia de uma Atlântida Ibérica
ZAP – Uma das
teses que defende, e que é explorada no documentário “Atlantis
Rising”, envolve gravuras de Arte Rupestre, na Península Ibérica, que
atestam essa possível existência de Atlântida. GDM– Uma delas (uma gravura ou petróglifo)
foi datada, pelos arqueólogos que a descobriram, em torno de finais da Idade do
Bronze, na época Tartésia; a outra, pintada a cor vermelha, no interior de uma
caverna, é muito mais antiga e remonta, pelo menos, ao período Epipaleolítico,
entre finais do Paleolítico Superior e começos do Neolítico. Em ambas se vêem
barcos que vão e vêm de uma grande ilha que tem uma forma semelhante à pata de
um bovídeo, representada mesmo em frente ao que seria o Estreito de Gibraltar e
as costas de Ibéria e Marrocos. Exactamente na zona onde é situada a Ilha
Atlântida em todas as antigas fontes primárias e secundárias escritas. A estas
evidências também podemos somar vasos de cerâmica com o mesmo símbolo circular
concêntrico, similar ao da metrópole
de Atlântida. E temos igualmente, encontrado ruínas debaixo do mar, desde há
algumas décadas, na área do Atlântico entre Ibéria e a Madeira, que não podem
ter sido construídas depois de 6000 ou 4000 A.C., tendo em conta a profundidade onde
se descobriram e já que evidenciam uma cultura desenvolvida, com um nível
semelhante ao que vemos em culturas que só se constataram, em áreas
continentais, em tempos posteriores.
ZAP – As suas
investigações vão ao encontro da ideia de uma Atlântida Ibérica? GDM– Sim, mas só considerando
Ibéria como o principal território anexo na influência cultural dos habitantes
da vizinha Ilha Atlântida. É de mero sentido comum que se a Ilha Atlântida
existiu realmente, com uma civilização
dos metais e uma cultura marítima avançada, essa civilização
deve ter deixado cidades-colónias importantes nas regiões mais próximas, ou
seja, em vários pontos da Andaluzia e de Portugal. Estas cidades imitariam
certamente, o padrão principal da metrópole que é descrito como de vários
fossos circulares que se inundavam com água, enquanto eram alternados por anéis
de terra ou espaços entre os fossos, tudo isto circundando uma pequena ilha
central, onde se encontraria a Acrópole ou zona principal com as casas, templos
ou edifícios de maior relevância social. Este esquema ou padrão urbanístico foi
encontrado no bairro “Marroquíes Bajos” na cidade de Jaén, em
Espanha. Fui o primeiro a notar esta semelhança com o padrão ou desenho do
traçado urbanístico da capital de Atlântida. E pouco depois, descobri o mesmo
padrão circular concêntrico noutras cidades antigas do Calcolítico e do Bronze
da Andaluzia e do Algarve, entre outros pontos do interior da Península
Ibérica.
ZAP – As
explorações feitas para o documentário do National Geographic chegaram aos
Açores. GDM– Correcto, chegamos até aos
Açores e lá consultamos o maior especialista em possíveis construções
pré-portuguesas, o professor Félix Rodrigues, que estuda, há anos, uma série de
interessantes descobertas que podem remontar a tempos do Neolítico ou do
Calcolítico e que podem também, estar relacionadas com a mesma civilização ou cultura marítima atlântica que se descreve
nos textos de Platão e da qual acreditamos ter descoberto provas no sudoeste de
Ibéria e nas costas atlânticas próximas. Aí seria o “Ground Zero“, o foco central dessa
civilização, que, segundo parece, se
estendeu igualmente, até outras ilhas do Mediterrâneo, como a Sardenha, a
Sicília e Malta, coincidindo com o que se descreve em Timeu e Crítias, de como
os atlanteanos, na sua ânsia conquistadora, se espalharam pelas outras ilhas do
Atlântico e por quase todos os lugares do interior do Mediterrâneo, até aos
limites da Líbia com o Egipto, por África, e pela Europa, até Tirrenia
(Península Itálica) e Ásia (Turquia e actuais costas de Síria, Líbano e Israel).
ZAP – Acredita
que algum dia, se vai conseguir confirmar a existência e localização exacta de Atlântida? GDM– Não perco a esperança de que
algum dia (talvez não muito distante), se descubram importantes vestígios
arqueológicos, tanto na terra como debaixo do mar, que permitam confirmar a
existência de uma antiga cultura marítima atlântica que deu origem a tais
tradições e a essa lenda histórica sobre uma importante civilização atlântica. A ter existido realmente, a ilha de
Atlântida, os vestígios das suas construções e cultura material deverão
descobrir-se debaixo do mar, em algum ponto dessa área atlântica que rodeia as
costas de Huelva, Cádiz, Madeira, Marrocos e Canárias, e possivelmente, até
perto dos Açores também.
Caroline Biolay / Georgeos
Díaz-Montexano (2016)
Georgeos Díaz-Montexano no documentário
“Atlantis Rising”.
“Dois anos de trabalho árduo”
ZAP – Como foi
essa experiência de colaborar com James Cameron e Simcha Jacobovici no
documentário? GDM– A experiência foi
inesquecível. Sem dúvida, a maior experiência que experimentei a nível
mediático e de divulgação e também a
maior expedição de investigação (quanto a recursos tecnológicos
e quantidade de cientistas de várias universidades do mundo) em que participei.
Foram quase dois anos de trabalho árduo, entre a fase inicial de documentação e de exploração
prévia de locais potenciais para filmar e o culminar das filmagens, entre
Ibéria e os Açores. E foi uma enorme experiência de satisfação e realização
pessoal, um enorme privilégio que as minhas investigações sobre Atlântida, de
mais de 20 anos contínuos, tenham acabado por convencer destacados cientistas
de várias universidades que colaboraram com o National Geographic,
especialmente o Dr. Richard Freund, e duas grandes figuras do cinema e dos
documentários, como James Cameron e Simcha Jacobovici.
ZAP – Quando é
que o seu último livro -“Atlantis Rising” -, que fala precisamente
da investigação levada a cabo no
documentário, vai ser publicado em Portugal? GDM– Prevejo que, lá para finais
deste mês, esteja disponível na maioria das mais importantes livrarias e lojasonline,
comoe-booke como livro impresso, sob
encomenda. O documentário estreará em Portugal, muito provavelmente, no próximo
mês de Março e então, todos os que falam português poderão encontrar o meu
livro “Atlantis Rising – National Geographic e a busca científica
da Atlântida”.
SV, ZAP /
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