Boa Tarde!
Considero normal que os monumentos ao cuidado do Estado possam ser alugados para eventos, incluindo a realização de filmes.
A título de ironia recordo o célebre episódio ocorrido nos inícios dos anos 80 (salvo erro) com uma película erótica muito softcore, em que participaram conhecidos actores portugueses, tendo como cenários diversos monumentos classificados em especial da área de Sintra. Na ocasião levantou-se acesa polémica.
As cenas do dito filme podem ter ofendido a moral pública mas não causaram estragos menores ou maiores.
Quando a recolha de imagens inclui uma cena, segundo a versão difundida pela Comunicação Social, com uma fogueira num dos claustros de um Monumento Nacional, Património da Humanidade, já entramos noutro domínio, o da segurança. Fiquei surpreendido com a acumulação de botijas de gás, num compartimento próximo, se as imagens forem autênticas.
O uso do fogo implica riscos inesperados, pelo deveria ser excluído, sem mais.
Por outro lado, em cascata, sucedem-se os acidentes e incidentes com monumentos classificados.
O Estado português tem entidades próprias para zelar pelo património que lhe está confiado.
Na verdade os cidadãos elegem deputados, que constituem uma Assembleia da República, da qual emana um Governo empossado pelo PR. O Governo inclui uma pasta da Cultura. Cabe ao Ministro da Cultura verificar se os meios institucionais sob sua tutela estão a funcionar bem e se dispõe dos meios necessários..
A responsabilidade política não pode ser uma palavra vã.
A Cultura também é relevante (porque além do mais é um recurso escasso), esperando-se um desempenho eficaz de quem a tutela.
Ora na área do Património registam-se situações, já elencadas em mensagens anteriores na Archport, que causam alarme público.
Sendo assim o Ministro da Cultura deve explicar-se perante a AR e também face aos cidadãos, pois não cuida, aparentemente, com o necessário zelo de recursos sob a sua tutela.
E se não tem perfil para o cargo, se não tem capacidade para acompanhar o ritmo de um Governo que tem dado "boa conta do recado" como se diz em linguagem mais popular, deve demitir-se.
Cordialmente
Francisco Sande Lemos