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Re: [Archport] Mais uma afectção de património arqueológico

To :   ARCHPORT <archport@ci.uc.pt>
Subject :   Re: [Archport] Mais uma afectção de património arqueológico
From :   Sergio Pereira <antoniosergio65@gmail.com>
Date :   Sat, 23 Dec 2017 10:25:11 +0000

Bom Dia
Acontece o mesmo que já aconteceu no passado com os programas de reflorestação e com as aberturas de corta fogos. 
Já sabemos como funciona ou melhor como não funciona. Porém, não vejo muita vontade da própria comunidade arqueológica de fazer algo para mudar isso. 
Diria que além da fase de estímulo a um "Alzeimer colectivo" aqui citado, acredito que já estramos numa fase agonizante. 
Cumprimentos e um Bom Natal para todos.


Em 21 de dezembro de 2017 21:04, António Valera <antoniovalera@era-arqueologia.pt> escreveu:

Hoje deparei com mais uma afectação de um recinto de fossos (mais um dos grandes e complexos) no interior alentejano, realizada no âmbito das reconversões agrícolas. Poderão ver aqui a situação: http://portugueseenclosures.blogspot.pt/2017/12/0384-sad-christmas-present-in-winter.html


O problema continua o mesmo: o circuito de informação está desajustado. Os projectos agrícolas não passam por autarquias e tutela do património, que detêm a informação sobre o património arqueológico, mas pelo Ministério da Agricultura, que a ignora e, aparentemente, pretende continuar a ignorar. Os proprietários, com menor ou maior conhecimento, são os menos responsáveis, pois não há estratégia para articular com eles um verdadeiro projecto de compatibilização e de desenvolvimento sustentado (com atenção equilibrada a todas as variáveis envolvidas - e onde a ambiental não é a menos preocupante).


A reconversão agrícola do Alentejo, tão fundamental para o desenvolvimento económico e social da região e do país, está a ser feita sem atenção à noção de Desenvolvimento Sustentável (quase a fazer lembrar as campanhas do trigo do século passado). A obliteração de património ocorre a um ritmo alucinante, sem que a respectiva tutela procure retificar o circuito administrativo que a permite. Não será do lado da agricultura que virá a iniciativa e desse lado, suspeito (por conversa informal com o responsável da pasta), não há grande interesse em fazer parte da solução.


A iniciativa terá que vir de um ministério da Cultura, que tutela o petrimónio e a prática aqueológica, mas que é habitado por um ministro invisível no que a estas matérias respeita (questiono-me mesmo se ele estará consciente que o património arqueológico é da sua responsabiliade política). Como escrevi no Editorial da revista Apontamentos de Arqueologia e Património que será lançada no início de Janeiro, o património arqueológico não tem advogado à mesa do Conselho de Ministros.


Diria que estamos numa fase de estímulo a um Alzeimer colectivo, de perca paulatina de memória. Um dramatismo menos mediático e imediato. Mas bem mais estrutural.

Today was the winter solstice. And important day in many prehistoric enclosures, namely in the ones that had their gates aligned with t...





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