Lista archport

Mensagem

[Archport] FW: (sem assunto)

To :   "ARCHPORT" <Archport@ci.uc.pt>
Subject :   [Archport] FW: (sem assunto)
From :   "MNArqueologia/Director - Luis Raposo" <mnarq.director@imc-ip.pt>
Date :   Mon, 19 Oct 2009 11:27:34 +0100

Desejo corroborar inteiramente a apreciação da Luisa Batalha abaixo, vista
agora do ângulo de quem anda nestas coisas já há bastante tempo.
O Rui e a Clara, para além de bons amigos dos tempos em que em todos nós
cresceu o gosto pela arqueologia, são dois desses heróis desconhecidos que
nos dão um gosto imenso de sermos o que somos.
Não sendo eles, por vicissitudes da vida e sobretudo por opção consciente de
entrega ao Ensino (com letra maiúscula), profissionais de arqueologia, amam
a disciplina com pureza de coração muito maior do que a de muitos
profissionais. E têm feito mais por ela do que a maior parte de nós, que
ocupamos cargos e damos mais nas vistas. 
Afinal, "amador" é aquele ama - e pobre do profissional que nunca se cruzou
e comoveu com pessoas como a Clara e o Rui.
Luís Raposo


-----Mensagem original-----
De: archport-bounces@ci.uc.pt [mailto:archport-bounces@ci.uc.pt] Em nome de
Luisa Batalha
Enviada: domingo, 18 de Outubro de 2009 22:02
Para: Claudia Cunha
Cc: Archport@ci.uc.pt
Assunto: Re: [Archport] (sem assunto)

Deixem que vos conte uma história que vem no seguimento desta questão.
Já lá vão uns anos e uma escola básica da Cova da Piedade, tinha por  
essa altura um núcleo de História e Arqueologia dirigido pela Clara e  
o Rui Salvado (filho do João Salvado que muitos conhecerão) e que se  
encontravam ligádos ao projecto do Almaraz com o nosso colega Luís de  
Barros. Os miudos da escola membros  deste núcleo, participavam  
activamente em várias iniciativas, inclusivé num jornal, em que cada  
elemento escrevia um artigo relacionado com cultura e património. No  
Almaraz, estes alunos faziam de guias aos alunos de outras escolas do  
Concelho e chegaram a apresentar comunicações para dar a conhecer as  
actividades e seus resultados.  O Rui e a Clara, sempre interessados  
nestas questões da arqueologia, participavam anualmente em campanhas  
de escavação em França e numa dessas viagens, decidiram levar ao  
Sudoeste Francês ( vale do rio Vézère ) o maior número de alunos  
possível. Tive a oportunidade de participar nessa experiência de 15  
dias que foi muito gratificante. Por essa altura era aluna da  
licenciatura de Antropologia, mas o bichinho da Arqueologia germinava  
havia muito tempo e foi por aí que decidi avançar. Esta viagem foi  
crucial. Mas o que pretendo aqui realçar, é a iniciativa e a  
preocupação destes docentes em formar pessoas, que não tendo optado  
necessáriamente pela Arqueologia na sua formação profissional, hoje  
não esquecem essa experiência e interiorizaram o que significa  
"património".
Deste grupo de alunos fizeram parte os meus filhos, o Luís e o André.

  O meu muito obrigada ao Rui e Clara Salvado.


Luisa Batalha


----- Email de claudia.cunha.k@gmail.com ---------
     Data: Sun, 18 Oct 2009 10:32:05 +0100
       De: Claudia Cunha <claudia.cunha.k@gmail.com>
  Assunto: Re: [Archport] (sem assunto)
     Para: Alexandre Monteiro <no.arame@gmail.com>
       Cc: Luisa Batalha <luisa.batalha.arq@iol.pt>, Archport@ci.uc.pt


> Como professora e arqueóloga, mas acima de tudo como estrangeira que vê
com
> olhos arregalados de admiração (e muitas vezes de espanto) o patrimônio
(ou
> património) Português, sou forçada a concordar com a linha de pensamento
da
> colega Luísa. Se a educação é eficiente e ampla, não há a necessidade de
> esfregar a lei na cara de quem deveria a princípio conhecê-la.
>
> Portugal é um país cada vez mais vocacionado para o turismo e desde a arte
> paleolítica até a arqueologia industrial (e tudo o mais que aconteceu no
> meio do caminho), este país tem um leque de roteiros a oferecer que é
muitas
> vezes mais apreciado pelo visitante estrangeiro do que pelo olhar
'nativo'.
> Falta educação patrimonial não apenas para os futuros engenheiros. Falta
uma
> disciplina que não seja a velha 'seca' das aulas de história na escola
para
> os 'putos' desde os níveis mais elementares da escola. Faltam cursos de
> verão para adolescentes que os levem a escavações de facto para vivenciar
> (nem que seja por um par de dias) o trabalho dos profissionais. Alguém
> deveria pensar nisso... pode ser educativo para eles, é com certeza mais
> atraente do que ficar sentado numa sala de aula. Uma das coisas que mais
> ouvimos dos não-arqueólogos é "quando eu era criança queria ser
arqueólogo"
> (é claro que eles crescem e vêm que isto não dá dinheiro nem prestígio e
> como dizem, "bazam"). A curiosidade e a vontade de descobrir coisas novas
> são características inatas da nossa espécie.
>
> Posso estar enganada, não cresci nesta cultura, mas acho que aproveitar
> estas características na idade em que eles ainda não as perderam para o
> pragmatismo da vida adulta é a melhor maneira de proteger e valorizar o
> imenso património Português. Educar as novas gerações de forma activa
> e divertida, criar nas crianças o sentimento de 'pertença' em relação ao
> património, sacudir o mofo das aulas de história levando os putos ao campo
> de acção são ao meu ver propostas que podem contribuir para a conservação.
> Uma boa semana de trabalho,
>
> Claudia
> 2009/10/15 Alexandre Monteiro <no.arame@gmail.com>
>
>> Não estou a ver a relevância de uma cadeira de arqueologia num curso
>> de engenharia civil... já de uma de direito do património,sim (do
>> cultural e do natural).
>>
>> Em todo o caso, deveria bastar invocar o Artigo 107.º do capítulo II
>> da lei Lei n.º 107/01 que preconiza que "A negligência é punível".
>>
>> Digo deveria, porque a tutela nem sempre tutela como deveria tutelar.
>>
>>
>> 2009/10/15 Luisa Batalha <luisa.batalha.arq@iol.pt>:
>> > Já aora só uma sugestão: que tal uma cadeira de arqueologia para os
>> > senhores candidatos a Engenheiros da construção civil.Era capaz de dar
>> > jeito...
>> >
>> > Olhem que eu sei do que falo. Quando ao fazermos o nosso trabalho, o
>> > mais rigoroso possível ,o precioso registo, o único documento que nos
>> > permite salvaguardar um dado momento da nossa história e a seguir
>> > temos que dizer: agora já podem destruír, mesmo com o estômago a dar
>> > uma dúzia de voltas... Sim para não falar rsobre as ameaças de: "nem
>> > que tenhamos que recorrer ao ministro".
>> > Concordo plenamente. A sensiblização sobre questões do património deve
>> > começar nas escolas.
>> >
>> > Luisa Batalha
>> >
>> >
>> >
>> >
>> >
>>
____________________________________________________________________________
____
>> > CustoJusto.pt - venda o que quiser a custo zero!
>> > http://www.iol.pt/correio/rodape.php?dst=0905201
>> > _______________________________________________
>> > Archport mailing list
>> > Archport@ci.uc.pt
>> > http://ml.ci.uc.pt/mailman/listinfo/archport
>> >
>> _______________________________________________
>> Archport mailing list
>> Archport@ci.uc.pt
>> http://ml.ci.uc.pt/mailman/listinfo/archport
>>
>


----- Fim do email de claudia.cunha.k@gmail.com -----



____________________________________________________________________________
____
Junte todos os seus créditos no Único da Capital Mais...
...reduza as suas despesas mensais.
Saiba mais em http://www.iol.pt/correio/rodape.php?dst=0901051
_______________________________________________
Archport mailing list
Archport@ci.uc.pt
http://ml.ci.uc.pt/mailman/listinfo/archport





Mensagem anterior por data: [Archport] Director do MNA Próxima mensagem por data: [Archport] Nomeaçao.
Mensagem anterior por assunto: [Archport] Fw: Seeking Economic Botany Collections Próxima mensagem por assunto: [Archport] FW: SER MUJER EN ROMA