[Archport] Petição pelo Jardim Botânico de Lisboa
Bom Ano para todos:
Em geral os arqueólogos tem uma noção alargada do património (ao contrário de outras profissões) o que aliás está em acordo com a Convenção de Malta.
Por outro lado a Arqueologia dos Jardins, pouco praticada em Portugal, tem uma longa tradição noutros países como por exemplo a Grã-Bretanha. Pessoalmente tive a oportunidade de dirigir escavações em que se registaram estruturas de jardins barrocos, no âmbito do Projecto de Bracara Augusta.
Mas assinar mais uma petição? Para quê?
A experiência da Petição das Sete Fontes ensinou-me que podem ser eficazes, quando são debatidas em Plenário da AR e dão origem a recomendações de preferência unânimes. Neste momento em Braga o Presidente da Autarquia já declarou que a zona das Sete Fontes vai ser um Parque com pelo menos vinte hectares, área que os peticionários pretendem mais ampla e por isso a batalha continua, embora num outro patamar. O projecto absurdo de um viaduto rodoviário sobre a rede de abastecimento do século XVIII foi abandonado de vez.
O Jardim Botânico de Lisboa, é património quase centenário pois foi projectado em meados do século passado, tendo como antecedente (no local) um horto botânico plantado pelos Jesuítas, para o estudo das espécies.
Está classificado como Monumento Nacional por Decreto nº 18/2010 de 28-12-2010 publicado em Diário da República.
O Plano de Pormenor apresentado pelo executivo camarário de Lisboa e que envolve a zona adjacente é muito débil, como se verificou num debate realizado na antiga Escola Politécnica a que assisti e onde estiveram especialistas das mais diversas áreas. Faltam estudos hidro-geológicos elementares e de outra natureza como se pode verificar no texto da petição. Falta mesmo um estudo económico no sentido de se apurar se as construções previstas para a envolvente não vão liquidar a mais valia que pretende aproveitar como rectaguarda atractiva dos novos prédios ou seja o próprio Jardim Botânico.
Cordialmente,
Francisco Sande Lemos