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Foi por entre bom humor e mesmo algumas piadinhas
políticas recebidas com um sorriso pelo presidente Desidério Silva que se
fez a reabertura do Museu Municipal de Arqueologia de
Albufeira.
TEMAS: Arqueologia
Nero, Sherazade, uma Pré-Histórica e a Infanta
Maria Isabel, bastante afectada pelos «gajos bons de todo o mundo» que
tinha acabado de ver no Pau da Bandeira, foram figuras convidadas da
reinauguração, na passada sexta-feira, do Museu Municipal de Arqueologia
de Albufeira.
As quatro figuras mais ou menos históricas,
relacionadas com as principais épocas retratadas pelo rico espólio do
Museu, foram interpretadas por três actrizes do grupo de teatro «Guizos»:
Inês Colaço, Isabel Machadinho e Isabel Carvalho.
Perante cerca de
meia centena de convidados, foi uma forma de mostrar, com humor, que o
Museu de Arqueologia de Albufeira está vivo e recomenda-se.
O Museu
abriu em Agosto de 1999, mas, devido às obras do Programa Polis que
esventraram Albufeira durante cerca de dois anos, esteve fechado.
Segundo Idalina Nobre, directora da estrutura museológica situada
em pleno centro histórico da cidade, este fecho temporário foi uma
oportunidade para reorganizar o Museu, dotá-lo de melhores condições,
nomeadamente criando o serviço de Reservas, uma condição indispensável
para garantir a segurança de muitas das peças que, não estando em
exposição, fazem parte do espólio museológico.
Foi também
reorganizada a colecção patente ao público, integrando até algumas
interessantes peças descobertas na cidade, durante os trabalhos de
acompanhamento arqueológico das obras do Polis, ou outras escavadas no
Castelo de Paderne e no local onde viria a ser construída a Marina de
Albufeira.
O arqueólogo Luís Paulo salientou que algumas dessas
peças ainda não podem ser mostradas visto que estão «a ser tratadas e
investigadas, para depois virem integrar a colecção do Museu».
O
presidente da Câmara Desidério Silva salientou, por seu lado, que a
reabertura do Museu de Arqueologia, depois das intervenções de
requalificação, é a prova de que em Albufeira, «para além da oferta
turística do sol e da praia, há também uma onda cultural complementar».
«A autarquia tem uma política de preservação e conservação do
património», garantiu.
Museu em casa bem antiga
O
Museu Municipal de Arqueologia abriu ao público no dia 20 de Agosto de
1999.
Localiza-se no núcleo antigo de Albufeira, no local
anteriormente designado por Praça das Armas, actual Praça da
República.
O edifício actual data do século XIX, mas, como recordou
o arqueólogo Luís Paulo durante a reinauguração do Museu, está assente em
construções medievais.
Foi este edifício que, depois de ter sido a
casa dos alcaides-mor de Albufeira (sobre a porta principal ainda ostenta
a pedra de armas dos Azevedos), albergou depois, até aos anos 80 do século
XX a Câmara Municipal.
Luís Paulo salientou que, nesta zona da
cidade, existiu a Igreja de Santa Maria, ela própria edificada sobre uma
mesquita. Peças de cantaria desta antiga igreja fazem parte do espólio do
museu. Uma das mais interessantes é um ?cachorro? que representará um
índio sul-americano e que atesta as relações entre Portugal e o outro lado
do Atlântico em plena época das navegações.
Existiu também um
pelourinho, a cadeia, o hospital e o castelo (datado do século XIII, tal
como o de Paderne). «Toda esta zona estava envolvida por uma
muralha».
A colina onde se ergue o edifício que hoje acolhe o museu
foi assim, durante longos séculos, o centro do poder em Albufeira. Com a
mudança da Câmara Municipal para os novos Paços do Concelho, numa zona
nova da cidade, nos anos 80, essa função perdeu-se, sendo agora de
destacar a sua importância enquanto local de visita
turística.
Novos serviços
aumentam oferta do Museu
As obras de requalificação
do Museu permitiram, segundo a sua directora Idalina Nobre, criar «novas
valências», para responder aos diversos públicos que procuram a estrutura,
mas também para responder às exigências do facto de Albufeira ser uma das
quatro únicas unidades algarvias que integram a Rede Portuguesa de
Museus.
Um dos investimentos mais significativos foi, assim, feito
no Serviço de Conservação e Restauro, que integra uma zona de reservas
devidamente preparada para acolher as peças que não estão em exposição,
mas que fazem parte da colecção do museu.
Mas o museu ficou agora
dotado também de um Serviço de Arqueologia, bem como de outro Educativo e
de Divulgação, que permite organizar visitas guiadas ao museu mas também
ao centro antigo da cidade.
Tendo em conta que a estrutura
aproveita um edifício antigo, os acessos a deficientes são uma
preocupação. Na reinauguração, o presidente da Câmara Desidério Silva
revelou que vai ser construída um acesso para pessoas com mobilidade
reduzida, utilizando uma das janelas da fachada.
«O edifício é
antigo e não permite grandes adaptações, nem sequer a construção de um
elevador para acesso ao segundo piso, onde se situa a sala de exposições
temporárias», salientou o autarca.
«Mas com esse novo acesso, que
em breve será criado, será possível a uma pessoa em cadeira de rodas
deslocar-se em todo o piso térreo e visitar assim todas as salas do
museu».
A vereadora da Cultura Marlene Silva acrescentou, por seu
lado, que o museu tem também um guia em Braille, o que «permitirá às
pessoas invisuais ter a possibilidade de sentir o que aqui está exposto».
(Veja todas as
fotos)
21
de Junho de 2007 | 15:00 elisabete
rodrigues |
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