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Assunto: Qual o estado em que ficou a Museologia.
1 – O estado da Museologia, no seguimento das mensagens que enviámos no dia 20/08/2007, é um assunto cada vez mais premente na actualidade, e o motivo que nos traz à discussão pública e aberta que a Lista Museum felizmente nos proporciona.
Uma preocupação também partilhada pelo Comité Consultivo do ICOM reunido em Paris em 2003, “(....) a également été décidé de lancer une réflexion sur la définition du musée” (Brinkman, 2003:2). Outra vez corroborada na escolha que a Rockefeller Foundation e o Smithsonian Institute fizeram para o tema do Programa de bolsas de estudo para o triénio 2004–2007 (“Theorizing Cultural Heritage”). Justificado exactamente por considerarem que “However, despite its growing popularity across official, community, and even business sectors, the concept of «cultural heritage» is vastly under-theorized” (in file://c:\windows\temp\ayg9um5z.htm, de 2004/01/30).
A definição de museu proposta pelo Conselho Internacional de Museus no n.º 1, do Artigo 2, dos actuais Estatutos (www.icom.museum, 6 de Junho de 2001), utiliza 43 palavras para definir a respectiva missão. Indo com o decorrer do tempo, e da frequência dos congressos e conferências, acrescentando cada vez mais tarefas, mais funções, mais finalidades e mais instituições que considera poderem designar-se por museológicas. Numa espiral que parece não ter fim. E que actualmente se cifra em mais 194 palavras a juntar aquelas primeiras quarenta e três. As definições da American Association of Museums (98 palavras) e da Museums Association (166 palavras) não diferem muito, nessa lacuna, da definição do ICOM.
2 – Este modo de definir museus e museologia não se encontra ainda num patamar demasiado analítico e descritivo ? Não se constata que tal entendimento de museus e de museologia não oferece um nível suficientemente sintético para permitir compreender o elo lógico que unia e daria coerência epistémica a toda essa multiplicidade de funções, tarefas, finalidades e instituições “equiparadas” a museu?
3 – A definição de Ecomuseu, proposta em 22 de Janeiro de 1980, utilizava 362 palavras (“La Muséologie selon Georges Henri Rivière”, 1989:142). Todavia, embora enfrentasse a questão dessa coerência, colocava-a sobretudo em termos programáticos (propunha uma espécie de “programa de intenções”, ou ”manifesto”). Preocupando-se prioritariamente com o que ocorria apenas no final da cadeia de operações do trabalho museológico. Portanto demasiado a jusante, o que a tornava insuficiente para definição. Tomando, como factor explicativo do que era a museologia, sobretudo as prestações, o serviço à comunidade e a mudança social que poderia provocar. Focalizando a definição no que a museologia deveria dar ao “exterior de si própria”. Não permitindo elucidar completamente a racionalidade interna que uniria as operações de musealização.
4 – No ICOM a responsabilidade museológica está fragmentada por um imenso número de “comités e associações” que se constituem como governos próprios de inúmeros protagonismos. Será que esta deriva, para o máximo da generalidade e da abrangência, não ameaça a própria Museologia? Não a diminui e a coloca ao nível das “especialidades” que teria a responsabilidade de “coordenar”?
5 – Para verificar aquilo que afirmo bastaria, neste preciso momento, visitar os departamentos (espaços, recursos, responsabilidades, n.º de funcionários, orçamentos, enquadramentos jurídicos, etc.) que têm a responsabilidade de gerir o Património em Portugal. Dessa visita colheríamos certamente uma primeira resposta para o estado da Museologia. Depois seria provavelmente elucidativo se confrontássemos essa situação concreta com o “programa de exigências” e com o “índice de avaliação” que propusemos na mensagem intitulada “Museologia e Património” de 20/08/2007.
6 – Não será chegado o momento de questionarmos o estado da Museologia? Tendo a consciência de que qualquer mudança ou reforma será uma corrida de muito longa duração que durará algumas décadas, que exigirá bom senso, e sobretudo a participação de quem agora tem mais poder exactamente por ele estar assim, fragmentado e desunido, da responsabilidade museológica pelo Património.
22/08/2007 Pedro Manuel Cardoso
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