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[Museum] Em debate ...

To :   museum@ci.uc.pt
Subject :   [Museum] Em debate ...
From :   "Isabel Victor" <isabelvictor150@hotmail.com>
Date :   Fri, 21 Sep 2007 23:54:31 +0100


"O primeiro, socorrendo-me do antigo contributo de Ferdinand Saussure ? causador de quase todos os ?estruturalismos?. Refiro-me à a célebre distinção entre significado e significante (e não interessa agora se por influência da obra publicada em 1891 por G. Gabelentz) na teoria do signo linguístico... ?Aquilo a que chamamos adquirir experiência nada mais é do que dar sentido à realidade, torná-la significativa. O conhecimento e a consciência não passam além da significação? (J-A. Collado, 1980:71). Nesta perspectiva quando aqui nos referimos a Realidade restringimo-la apenas ao universo dos signos ou sistemas linguísticos que as actuais línguas objectivaram, numa relação arbitrária entre significante e significado e emitidos ou escritos com intenção de comunicar (no sentido de E.O. Wilson, 1975). Deste modo, para a finalidade da reconstituição museológica que mencionámos, Realidade pode ser definida como o conjunto de todas as categorias e signos linguísticos que as actuais Culturas/Sociedades conseguem exprimir e objectivar relativamente à Existência. E apenas essas. Assim, para reconstituir uma Realidade o museólogo procurará as palavras (caracteres e signos) que se encontram nos thesauri, dicionários, enciclopédias, listas de indexadores existentes nos arquivos e bibliotecas, etc.. E será apenas com elas que fragmentará a Realidade e construirá a lista dos elementos que permitem reconstitui-la, hierarquizando-os por tipos lógicos e por âmbito (o particular dentro do geral). "

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Musealizar algo (sítio, temática, problema, fenómeno, situação, acção, sentimento ... etc ) é sempre um exercício de (re)elaboração sobre o real. Trata-se de reescrever, reinterpretar com a intenção de criar um discurso coerente sobre algo, recorrendo a multiplas linguagens e estratégias comunicacionais. O museu é em si mesmo COMUNICAÇÃO. Usa para tal linguagens reconhecíveis (decifráveis) dentro do sistema em que opera. Promove conhecimento, suscita emoções, interage, desinquieta, gera aprendizagens.

O que diferencia as práticas museológicas são sempre os valores que norteiam essa acção, a definição exacta da missão (que poderá sempre ser revista. terá é que ser conhecida e divulgada), o compromisso com as pessoas e a clara identificação dos processos-chave (nomeadamente a PARTICIPAÇÃO dos cidadãos_clientes, desde a identificação das necessidades, problemas e interesses, até à avaliação/medição dos resultados que conferem credibilidade e fundam as permanentes aprendizagens no sentido da melhoria contínua e de uma eficaz Gestão do conhecimento. Esta é, estamos em crer, a base de um sistema de Qualidade em Museus, tudo o resto virá por acréscimo. As dinâmicas de aprendizagem geram-se na participação. Os museus não existem para lá da realidade. Assim como ninguém existe fora da História, também os museus não existem fora dos contextos em que se inserem. Tudo existe num contexto multiaxial. Os museus podem e devem questionar esses contextos, até mesmo superá-los, mas sempre a partir das pessoas, com as pessoas ... respeitando ritmos e dinâmicas sociais de mudança.) 

Isabel Victor

 

 


 



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