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[Museum] Re António Carlos Valera. A abordagem fenomenológica no discurso museológico.

To :   <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] Re António Carlos Valera. A abordagem fenomenológica no discurso museológico.
From :   "Pedro Manuel Cardoso" <pcardoso@sejd.gov.pt>
Date :   Mon, 24 Sep 2007 19:31:17 +0100

Assunto: Re António Carlos Valera. A abordagem fenomenológica no discurso museológico.

 

A questão colocada pelo Professor António Carlos Valera sugere-me o seguinte:

Se é verdade que, utilizando a expressão de Paul Watzlawick (Watzlawick e al. 1972:45), o “objecto não poderá deixar de não informar”, “de não comunicar”, ou “de não provocar conhecimento”. Ele também, num “museu”, ex situ ou in situ, ou noutra qualquer infra-estrutura museal, integrando todos esses aspectos, e a um nível lógico mais global, é fonte de “experiência”. Ou seja, se o objecto concebido como “suporte de informação” nos conduz a essa relação concebida como um processo comunicativo; o objecto concebido como “suporte de comunicação” também nos pode conduzir a essa relação como um elemento da própria organização social. Mais, também é possível verificar que o objecto como “suporte desse conhecimento” pode conduzir o visitante a essa relação como um elemento da experiência de usufruto cultural (“suporte de experiência”). Isto é, verificamos que essa relação não pode ser reduzida a uma mera função informativa, ou mesmo comunicativa; ou até mesmo apenas de conhecimento.

Nesse sentido, como refere o Professor António Carlos Valera, será por causa desse espaço fenomenológico da experiência humana ― que não se deixa vergar à perspectiva comunicacional e semiológica ― que o museólogo será obrigado a gerir não apenas o factor simbólico, mas também o factorimaginário” (Godelier, 2000:37) que interfere na comunicação museal. A este respeito Gaetane Chapelle, em “Quels modèles pour la pensée ?(1998), chamaria a atenção para a existência de duas teorias que actualmente se confrontam, em busca da explicação para os mecanismos do pensamento: “La question principale de la science cognitive était donc définie: quels sont les mécanismes de la pensée? Deux grands familles de chercheurs sont apparues, en fonction de leur approche des mécanismes mentaux. Les symbolistes, dits aussi cognitivistes ou computationnistes, considèrent que la pensée consiste en la manipulation de symboles selon règles logiques. (....). D’autres chercheurs, les connexionnistes, se sont opposés au symbolisme sur plusieurs aspects: tout d’abord, selon eux, on ne peut pas étudier la pensée sans tenir compte des contraintes liées à la structure du cerveau. Pour comprendre les mécanismes de la pensée, il faut partir des neurones et de leur enchevêtrement. Ensuite, selon eux, la conception en série du traitement de l’information n’est pas compatible avec la rapidité avec laquelle nous sommes capables de traiter une information. Vu la lenteur de l’influx nerveux, il faut postuler un traitement parallèle pour expliquer la rapidité d’une réaction” (p.14).

O objecto, o documento ou a “colecção” deveriam nessa perspectiva ser concebidos, instalados e geridos pela museologia como suportes simultaneamente de [informação-comunicação-conhecimento e experiência]. Estes, e provavelmente outros tipos de sub-relações que não soubemos distinguir, fazem parte do espectro da relação global e complexa que o objecto a musealizar estabelecerá com o visitante e com a comunidade. E que o museólogo, enquanto profissional, deverá ter competência para proporcionar.

 

24/09/2007

Pedro Manuel Cardoso

 


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