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luís silva pereira Ver Fotos
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Universidade
do Algarve,
Penha |
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Que receptividade demonstram os estudantes do
ensino superior no Algarve face à dança folclórica? E como transformar
os museus
em importantes atracções turísticas de um
território?
Estas foram as perguntas de partida para duas
investigações distintas, ambas realizadas por docentes e investigadores da
Universidade
do Algarve (UAlg) e recentemente distinguidas com
os 1º e 2º
prémios para melhor comunicação científica no Congresso Internacional -
Turismo da Região Leiria e Oeste, que teve lugar a 22 e 23 de
Novembro.
Partindo de uma reflexão teórica sobre o que é o folclore
e a mercantilização do turismo cultural, Cláudia Henriques, docente
na Escola Superior de Gestão, Hotelaria e Turismo (ESGHT) da UAlg e a
investigadora Maria João Custódio, do
Centro Internacional de Investigação em Território e
Turismo da UAlg, estudaram a percepção dos estudantes
universitários no Algarve face ao folclore e sua relação com o
turismo.
«A análise dos resultados revelou um desconhecimento
considerável face à dança folclórica tradicional por parte dos estudantes.
Este desconhecimento ficou patente na incipiente enunciação de nomes de
danças tradicionais portuguesas, ao qual não será alheio o facto de grande
parte dos estudantes ter revelado gostar pouco, ou mesmo muito pouco,
deste tipo de dança, além de não assistirem com frequência a espectáculos
de dança folclórica», referem as autoras na conclusão do artigo «Turismo e
dança folclórica em Portugal: que futuro?», distinguido com
o 1º prémio
para Melhor Comunicação Científica no Congresso Internacional - Turismo da
Região Leiria e Oeste.
Este evento, cujo objectivo principal foi
promover o debate sobre experiências nacionais e internacionais ligadas às
políticas de valorização turística dos territórios, reuniu mais de 250
participantes no auditório da Escola Superior de Tecnologia do Mar do
Instituto Politécnico de Leiria, entre docentes, investigadores,
estudantes entidades públicas e empresários a actuar na área do turismo.
Os resultados da investigação conduzida por Cláudia Henriques
e Maria João Custódio
mostram ainda que, embora não consumam com frequência nem apreciem este
tipo de dança, os estudantes do ensino superior no Algarve encaram a dança
folclórica como uma parte importante e positiva da identidade cultural da
região.
Inclusive, defendem que tanto os turistas (nacionais e
estrangeiros) como a população residente deviam conhecer melhor esta
dimensão do folclore.
«Na nossa perspectiva, esta constatação,
indicia que os estudantes estão a atribuir um valor mercantil à dança
folclórica tradicional, associado ao turismo cultural e à respectiva
capacidade para promover o desenvolvimento local, regional e nacional.
Esta atribuição é característica de uma sociedade pós-moderna, marcada
pela mercantilização e ?turistificação? da cultura», salientam as
investigadoras.
Aconselham, assim, que «a valorização da dança
folclórica/tradicional enquanto recurso turístico deve ser repensada no
sentido de os jovens adoptarem esta expressão da cultura popular como sua,
pois só a identificação do residente com a sua própria cultura pode
?produzir? experiências turísticas com maior autenticidade».
Esta
comunicação inscreve-se no âmbito de um projecto mais alargado que visa
reflectir sobre outras dimensões da relação entre a dança folclórica e o
turismo.
Este projecto conta também com a participação
de Figueiredo
Santos, também docente da ESGHT, e de Maria Cristina
Moreira, professora na Universidade do
Minho.
Museus enquanto atracções
turísticas de topo
O 2º prémio para Melhor Comunicação
Científica no Congresso Internacional - Turismo da Região Leiria e Oeste
foi atribuído ao artigo «Museus, Turismo e Território», da autoria de
Alexandra Rodrigues
Gonçalves, docente de Turismo na ESGHT da UAlg.
«Actualmente os
museus enfrentam o desafio de atrair mais visitantes,
adoptando uma gestão estratégica orientada para o mercado e para as suas
necessidades, de modo a garantir uma viabilidade financeira e, em
simultâneo, cumprir com a respectiva função social, a que estão obrigados
enquanto instituições públicas», salientou a investigadora.
«Porém, verifica-se que existe um conhecimento muito incipiente do
uso potencial dos museus pelo turismo, e vice-versa, embora já estejam
identificados benefícios claros que podem resultar do desenvolvimento do
turismo cultural associado aos museus», refere Alexandra Rodrigues
Gonçalves.
Assim, de acordo com a investigadora,
«o museu do futuro deve ser um espaço de reflexão», capaz de se
auto-questionar permanentemente e que, por isso, acompanha as dinâmicas do
seu território e da sua comunidade, tendo noção das suas limitações.
«O museu ideal é aquele que se abre a 360º graus sobre o seu
território», concretiza.
Com base na revisão da literatura
existente sobre a matéria, Alexandra Rodrigues
Gonçalves avança, no seu artigo, algumas propostas para a
construção de um novo modelo de gestão dos museus.
Por exemplo,
afirma que o museu se deve constituir como uma «instituição semipública ou
co-financiada por fundações públicas, consórcios, empresas públicas ou
organismos autónomos».
A criação de dias de acesso livre (embora
limitado a dias especiais e a determinados grupos) é outra das medidas
enunciadas, assim como o favorecimento da interligação da política
relativa aos museus com outras políticas ? meio ambiente, obras públicas,
educação e turismo, por exemplo ?, como instrumento de desenvolvimento
local.
Quanto aos recursos, «devem ser atribuídos em função de
critérios objectivos, tais como número de visitantes, qualidade e dimensão
da colecção, superfície expositiva e plano estratégico», sendo que as
receitas provenientes da entrada de visitantes, os patrocínios e a
exploração de lojas devem ser considerados como meios para aumentar o
fluxo de receitas próprias.
Por fim, Alexandra Rodrigues
Gonçalves recomenda a cooperação dos museus com outras
instituições públicas (desde organismos da administração central até aos
municípios), a concepção de um sistema de museus bem vinculado à área
geográfica e um cuidado especial para evitar a descontextualização das
colecções, ligando-as, pelo contrário, à realidade envolvente.
O
júri designado pela organização do Congresso Internacional - Turismo da
Região Leiria e Oeste para avaliar as 16 comunicações científicas aceites
a concurso foi constituído pelo porfessor João Albino Matos da Silva
(Universidade do
Algarve) e pela professora Maria da Graça Poças
Santos
(Instituto Politécnico de Leiria, entidade organizadora
do evento).
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de Dezembro de 2007 | 14:04 |
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