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[Museum] Museus e turismo

To :   "museum" <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] Museus e turismo
From :   José d'Encarnação <jde@fl.uc.pt>
Date :   Tue, 18 Dec 2007 16:59:10 -0000

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Sent: Tuesday, December 11, 2007 7:11 PM
Subject: Duas comunicações da Universidade do Algarve distinguidas em congresso internacional sobre turismo

 

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Economia

Duas comunicações da Universidade do Algarve distinguidas em congresso internacional sobre turismo

 

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Universidade do Algarve, Penha

 

Que receptividade demonstram os estudantes do ensino superior no Algarve face à dança folclórica? E como transformar os museus em importantes atracções turísticas de um território?

Estas foram as perguntas de partida para duas investigações distintas, ambas realizadas por docentes e investigadores da Universidade do Algarve (UAlg) e recentemente distinguidas com os 1º e 2º prémios para melhor comunicação científica no Congresso Internacional - Turismo da Região Leiria e Oeste, que teve lugar a 22 e 23 de Novembro.

Partindo de uma reflexão teórica sobre o que é o folclore e a mercantilização do turismo cultural, Cláudia Henriques, docente na Escola Superior de Gestão, Hotelaria e Turismo (ESGHT) da UAlg e a investigadora Maria João Custódio, do Centro Internacional de Investigação em Território e Turismo da UAlg, estudaram a percepção dos estudantes universitários no Algarve face ao folclore e sua relação com o turismo.

«A análise dos resultados revelou um desconhecimento considerável face à dança folclórica tradicional por parte dos estudantes. Este desconhecimento ficou patente na incipiente enunciação de nomes de danças tradicionais portuguesas, ao qual não será alheio o facto de grande parte dos estudantes ter revelado gostar pouco, ou mesmo muito pouco, deste tipo de dança, além de não assistirem com frequência a espectáculos de dança folclórica», referem as autoras na conclusão do artigo «Turismo e dança folclórica em Portugal: que futuro?», distinguido com o 1º prémio para Melhor Comunicação Científica no Congresso Internacional - Turismo da Região Leiria e Oeste.

Este evento, cujo objectivo principal foi promover o debate sobre experiências nacionais e internacionais ligadas às políticas de valorização turística dos territórios, reuniu mais de 250 participantes no auditório da Escola Superior de Tecnologia do Mar do Instituto Politécnico de Leiria, entre docentes, investigadores, estudantes entidades públicas e empresários a actuar na área do turismo.

Os resultados da investigação conduzida por Cláudia Henriques e Maria João Custódio mostram ainda que, embora não consumam com frequência nem apreciem este tipo de dança, os estudantes do ensino superior no Algarve encaram a dança folclórica como uma parte importante e positiva da identidade cultural da região.

Inclusive, defendem que tanto os turistas (nacionais e estrangeiros) como a população residente deviam conhecer melhor esta dimensão do folclore.

«Na nossa perspectiva, esta constatação, indicia que os estudantes estão a atribuir um valor mercantil à dança folclórica tradicional, associado ao turismo cultural e à respectiva capacidade para promover o desenvolvimento local, regional e nacional. Esta atribuição é característica de uma sociedade pós-moderna, marcada pela mercantilização e ?turistificação? da cultura», salientam as investigadoras.

Aconselham, assim, que «a valorização da dança folclórica/tradicional enquanto recurso turístico deve ser repensada no sentido de os jovens adoptarem esta expressão da cultura popular como sua, pois só a identificação do residente com a sua própria cultura pode ?produzir? experiências turísticas com maior autenticidade».

Esta comunicação inscreve-se no âmbito de um projecto mais alargado que visa reflectir sobre outras dimensões da relação entre a dança folclórica e o turismo.

Este projecto conta também com a participação de Figueiredo Santos, também docente da ESGHT, e de Maria Cristina Moreira, professora na Universidade do Minho.

Museus enquanto atracções turísticas de topo

O 2º prémio para Melhor Comunicação Científica no Congresso Internacional - Turismo da Região Leiria e Oeste foi atribuído ao artigo «Museus, Turismo e Território», da autoria de Alexandra Rodrigues Gonçalves, docente de Turismo na ESGHT da UAlg.

«Actualmente os museus enfrentam o desafio de atrair mais visitantes, adoptando uma gestão estratégica orientada para o mercado e para as suas necessidades, de modo a garantir uma viabilidade financeira e, em simultâneo, cumprir com a respectiva função social, a que estão obrigados enquanto instituições públicas», salientou a investigadora.

«Porém, verifica-se que existe um conhecimento muito incipiente do uso potencial dos museus pelo turismo, e vice-versa, embora já estejam identificados benefícios claros que podem resultar do desenvolvimento do turismo cultural associado aos museus», refere Alexandra Rodrigues Gonçalves.

Assim, de acordo com a investigadora, «o museu do futuro deve ser um espaço de reflexão», capaz de se auto-questionar permanentemente e que, por isso, acompanha as dinâmicas do seu território e da sua comunidade, tendo noção das suas limitações.

«O museu ideal é aquele que se abre a 360º graus sobre o seu território», concretiza.

Com base na revisão da literatura existente sobre a matéria, Alexandra Rodrigues Gonçalves avança, no seu artigo, algumas propostas para a construção de um novo modelo de gestão dos museus.

Por exemplo, afirma que o museu se deve constituir como uma «instituição semipública ou co-financiada por fundações públicas, consórcios, empresas públicas ou organismos autónomos».

A criação de dias de acesso livre (embora limitado a dias especiais e a determinados grupos) é outra das medidas enunciadas, assim como o favorecimento da interligação da política relativa aos museus com outras políticas ? meio ambiente, obras públicas, educação e turismo, por exemplo ?, como instrumento de desenvolvimento local.

Quanto aos recursos, «devem ser atribuídos em função de critérios objectivos, tais como número de visitantes, qualidade e dimensão da colecção, superfície expositiva e plano estratégico», sendo que as receitas provenientes da entrada de visitantes, os patrocínios e a exploração de lojas devem ser considerados como meios para aumentar o fluxo de receitas próprias.

Por fim, Alexandra Rodrigues Gonçalves recomenda a cooperação dos museus com outras instituições públicas (desde organismos da administração central até aos municípios), a concepção de um sistema de museus bem vinculado à área geográfica e um cuidado especial para evitar a descontextualização das colecções, ligando-as, pelo contrário, à realidade envolvente.

O júri designado pela organização do Congresso Internacional - Turismo da Região Leiria e Oeste para avaliar as 16 comunicações científicas aceites a concurso foi constituído pelo porfessor João Albino Matos da Silva (Universidade do Algarve) e pela professora Maria da Graça Poças Santos (Instituto Politécnico de Leiria, entidade organizadora do evento).

4 de Dezembro de 2007 | 14:04

 

 

 


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