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Monumentos: Separação do Convento de Crsito do
Castelo de Tomar contestada online
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Lisboa, 26 Jul (Lusa) - O diploma legal que impõe desde Dezembro diferentes
tutelas para o Castelo de Tomar e o Convento de Cristo é contestado por vários
investigadores e cidadãos, que colocaram um abaixo-assinado na Internet.
O abaixo-assinado - - foi lançado por Rui Ferreira, que, em declarações à
Lusa, afirmou pretender "chamar a atenção das pessoas para um problema que
existe por desconhecimento das características do monumento".
Rui Ferreira classifica a portaria do ministério da Cultura como "inaudita"
enquanto que o historiador de arte Paulo Pereira, ex-vice-presidente do
extinto Instituto Português do Património Arquitectónico, a considera "um
absurdo".
"Essa divisão não faz nenhum sentido, é um absurdo", sublinhou o
investigador.
Para o historiador, Castelo e Convento "cresceram juntos, estão intimamente
ligados desde a fundação do Castelo à igreja e à casa da Ordem do Templo
[Templários]".
Rui Ferreira salientou que, "para se entrar no Convento tem de se passar
pela porta do Castelo, e os Paços do Infante, que foi administrador da Ordem
de Cristo, que sucedeu aos Templários, são na zona da alcáçova".
"Esta portaria emana de pessoas que não conhecem o monumento", criticou Rui
Ferreira.
Paulo Pereira, por seu turno, disse que o diploma "vai ao contrário das
actuais políticas de gestão do património, que optam pela unidade como forma
de agilizar a gestão".
O ex-presidente da Câmara de Tomar e actual membro da Comissão directiva do
Plano Operacional do Centro, António Paiva, declarou que "só pode ser um erro"
e que na altura [Dezembro último] alertou o presidente do IGESPAR, Elísio
Summavielle.
"Não faz sentido, qualquer pessoa que visite vê isso, é um absurdo separar
essa unidade", concluiu.
Fonte do gabinete do presidente do IGESPAR (Instituto de Gestão do
Património Arquitectónico e Arqueológico) disse à Lusa que "a portaria está
ser corrigida e está a ser redigida uma nova que coloca toda área monumental
sob tutela do Instituto".
Tanto o IGESPAR como o gabinete do ministro da Cultura não prevêem quando
será publicada a nova portaria.
Entretanto, o abaixo-assinado, que já reuniu cerca de 15000 assinaturas,
continua online "para alertar as consciências", assinalou Rui Ferreira.
Ferreira insistiu na "diversidade arquitectónica e histórica na sua íntegra
continuidade, que sustenta o reconhecimento do Conjunto como Património da
Humanidade: Castelo, Convento, Cerca, Ermida [de N.ª S.ª da Conceição] e
Aqueduto de Pegões".
Observou ainda que a classificação pela UNESCO "diz respeito ao conjunto
monumental com características únicas".
"O que propomos - esclareceu - é que o Convento seja novamente unificado
com o Castelo, situação que foi criada no início do século XX com a criação
provavelmente original de um serviço de monumento com um guarda, dotação para
obras. E desde logo, a partir do resgate de parte do edifício a particulares,
considerou-se como um monumento - Castelo e Convento -, porque são uma
evolução construtiva, tem a ver com a evolução do Templo e mais tarde da Ordem
de Cristo e a sua reforma [1789] e são uma única habitação da Ordem do Cristo
até à sua extinção [1834]".
O autor da petição alertou também para "o estado em que está o Aqueduto de
Pegões, que é uma parte integrante do Convento de Cristo, que está
classificado desde 1910, mas apenas na sua parte mais nobre, na zona dos
Pegões Altos".
"Todo o resto da paisagem, a zona das nascentes as áreas que são
tecnologicamente interessantes para a história da hidráulica, estão
completamente a saque, são objecto discricionário das pessoas que usam os
terrenos, e é este um pouco o estado do património", alertou.
A Lusa tentou, sem resultado, contactar o presidente da Câmara Municipal de
Tomar, Curvelo de Sousa, para o ouvir sobre esta matéria.
Segundo uma nota do IGESPAR, "o Convento e Castelo Templário, em Tomar,
formam um conjunto monumental único no seu género".
O Castelo foi fundado em 1160 por Dom Gualdim Pais, Mestre provincial da
Ordem do Templo em Portugal, e fundador da cidade.
Dentro das suas muralhas, a Oriente, foi construída a Charola e em
continuidade o convento sucessivamente ampliado.
A Ordem do Templo foi extinta em 1312, mas em Portugal os seus bens foram
passados à Ordem de Cristo, criada pelo Rei D. Dinis em 1319.
NL.
Lusa/Fim