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Saturday, September 20, 2008 11:15 AM
Subject:
FW: [MAC - Movimento Arte Contemporânea] Novas exposições::Mestre Figueiredo
Sobral e Albino Moura
Homenagem a
Mestre Figueiredo Sobral
Mestre
Figueiredo Sobral
O MAC-Movimento Arte
Contemporânea
convida para o
Exposição de Homenagem ao Mestre Figueiredo Sobral
que inaugura no
espaço MAC
Rua do Sol o Rato 9C
em Lisboa
pelas 19 horas do dia
30 de Setembro de 2008.
Esta mostra estará
patente até 31 de Outubro de 2008.
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Na
verdade, Mestre Figueiredo Sobral é um buscador incessante de materiais e de
formas a fim de dar sentido ao seu universo estético como suporte do discurso
moderno. Quer utilizando a sua técnica dos relevos, cultivada desde os anos
60, em massa esculpidas num compromisso entre a pintura e a escultura de
inspiração surrealizante ou de um realismo fantástico, ou quer expressando-se
nas linhas simples de cores suaves das suas oníricas aguarelas ou materializando
o pastel na criação esfíngica da boneca, no seu eterno feminino, ou nas visões
cósmicas, Mestre Figueiredo Sobral configura a sua obra de grande qualidade no
rigor e procura do surpreendente e do imprevisível. O mesmo labor e
criatividade se projectam na escultura que merece um lugar à parte na sua obra e
na história da escultura portuguesa. Com larga actividade em Portugal e no
Brasil e noutros trabalhos monumentais, em lugares públicos espalhados pelo
mundo, aplaudido pela melhor crítica, é tempo que Mestre Figueiredo Sobral ganhe
o lugar universal que lhe compete.
O Movimento Arte Contemporânea (MAC) é
o espaço cultural que neste momento, muito se orgulha em o ter presente, com a
sua excelente exposição individual "A Pintura e a Escrita?.
Álvaro Lobato
de Faria Director coordenador do
MAC
_____________________________________ A Pintura
e a Escrita «A pintura e a escrita» é o
título escolhido para esta exposição de pintura de Figueiredo Sobral, no MAC -
Movimento Arte Contemporânea, cumprindo um seu velho sonho de aliar a poesia e
os seus escritores de cabeceira à sua arte pictórica e escultórica. Deste
modo, nestes 37 quadros povoam ecos de Eça de Queirós , em figuras
representativas de uma sociedade de final do século XIX, onde a paixão, o vício
e a ociosidade se entrelaçam em obras como A Relíquia, O Crime do Padre Amaro e
Os Maias , cujo peso é bem sentido por aqueles que se intitularam a si próprios
«Os Vencidos da Vida». Mas ainda dessa época , o pintor é fascinado por
Camilo , na ironia da Queda dum Anjo e, por essa personagem de Calisto Elói, o
político provinciano, que vai deixando cair as suas asas brancas à medida da sua
ascensão, tal como diria Almeida Garrett no belo poema , com o mesmo nome, que é
aqui pintado a espátula e a escárneo. É igualmente tocado pelo lado romântico
de Camilo, em Amor de Perdição, nesse trio trágico-amoroso de
Simão-Teresa-Mariana ou pela poesia de Flores sem Fruto de Garrett ou dos
Sonetos de Bocage. Mas é Antero de Quental , o seu companheiro das noites
insones, atormentado entre a fé e a descrença num Deus que sonhou e que é
corporizado em quadros como «Ignoto Deo», «Na Mão de Deus», «O Crucificado» e
«Mater Dolorosa» ou nesse poema contundente e desesperado de Alberto Lacerda,
«Deus é uma blasfémia», que o pintor intitula «Carregando a terrível pedra de
Sísifo ?.Ehh, humanidade!!». No sentido crítico, mesmo no âmbito do sagrado,
estão as suas preocupações sociais que são desmitificadas através da ironia,
plasmada em tinta e pincel e ilustrada com poemas de Alexandre O?Neill ou de
Manuel Bandeira. Num libelo contra a guerra erguem-se as vozes do poeta medieval
João Zorro, ou de Fiama Hasse Pais Brandão. O seu próprio lirismo de
pintor-poeta é assumido em poemas como «A morte de Manolete» e «Histórias com
gritos de sevilhanas», encarnando a História Ibérica e ecos de Guernica.
Portugal e os seus mitos, D.Sebastião e Marquês de Pombal, ressurgem nas suas
telas e na voz de Camões ou na sageza histórica de Latino Coelho. ´ A
dimensão filosófica de Umberto Eco ou de João Rui de Sousa é captada na
subtileza do relevo e da subversão da forma e da cor. Erguem-se, num cântico
de amor, D. Quixote e Dulcineia, celebrando o sonho e a aventura dos eternos
amantes. A beleza da mulher e a sua nudez visualizam-se na beleza cristalina da
poesia de Camilo Pessanha ou de Adalberto Alves. Natália Correia e Florbela
Espanca sugerem o mistério do amor, corporizado pelo pintor na sua forma
surrealizante e barroca de se exprimir. E, finalmente, numa homenagem à
mulher palestina e ao seu povo, Figueiredo Sobral dá vida ao poema de Mahmoud
Darwish, (poeta palestino): «Juro!/ Que hei-de fazer um lenço de pestanas/ onde
gravarei poemas aos teus olhos»
É esta a mostra que o Mestre nos tem para
oferecer, numa fase difícil da sua vida, em que cada vez mais interioriza a sua
visão do mundo, isolando-se para se encontrar a sós com a sua arte, num diálogo
que só ele entende, como dádiva miraculosa e perene que os deuses lhe
ofertaram.
Elsa Rodrigues dos Santos Lisboa , 9 de Março de
2005
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"Fuga para o
futuro"
"A sandália
de Gradiva"
Ao longo de
45 anos de carreira, Albino Moura tem vindo a ser um constante pesquisador das
suas verdades, mantendo-se, no essencial, fiel a si mesmo, na sua poética lúdica
referenciavel nos trajectos da infância pela representação da imagem da ternura
e da inocência, em que a representação formal ilude o real, transportando-nos
numa viagem lírica através do sonho, no amor simples das coisas e do
mundo. Espectáculo de infâncias revisitadas, simulando vivências em que a
metafórica e opulenta ?boneca? assume alegoricamente o papel de individuo, como
se o mundo das pessoas e das coisas permanecesse imutável e alheio a todos os
conflitos?
Nas palavras do artista percorremos o seu mundo: -?Nasci num
meio muito pobre e de família humilde. No ambiente em que cresci, não havia nada
de Arte, mas, como todas sãs crianças, aprendi a fazer bonecos, nem melhores,
nem piores que os dos outros miúdos. Não sei o que me atraiu para a Pintura, só
sei que cresci com o sonho de ser pintor, e que ainda hoje continuo a sonhar?. É
este o mundo do ?querer?, de imagens e memórias que Albino Moura transfigura e
nos transmite na sua obra e nesta sua exposição, onde como sempre acontece, há
um envolvimento simultaneamente terno e doce nas pinturas que figuram a condição
do ser, remetendo-nos contudo para influencias anteriores em que podemos fazer
notar uma referencia à obra lírico poética de um Cipriano Dourado que se torna
uma evidencia conferindo à obra de Albino Moura uma subtil e lúdica sensualidade
e beleza à trivialidade constante e constrangedora de um mundo que nos é dado
viver.
Surpreendentes são os seus trabalhos, todos criados em gestos de
quem procura regenerar as formas da vida, acrescentando-lhes outros valores
estéticos e afectivos, sendo a sua obra um pacto de vida onde o encantamento e o
amor coexistem. As suas telas ecoam no olhar e na memória, dum inconsciente
esquecido, mas latente em todos nós, como todos os simulacros com que nos
confrontamos na infância através de jogos e simulações por onde perpassa um ante
projecto de vidas e anseios, retidos porém no inconsciente individual e/ou
colectivo dos ?habitats?vários? Na nudez simples da sua poética plástica Albino
Moura revela-nos o encanto de um homem simples que se denota numa harmonia total
do sentido, dos sentidos assim realizados, como se o ser e o sonho se
sobrepusessem num trajecto único do saber estar num mundo conturbado,
mantendo-se vertical dentro das utopias possíveis pelas quais temos que lutar,
sob pena de a nossa condição de ser pensante se deixar submergir por um
?inferno? de realidades de um planeta que se autodestrói por outros imperativos
que não dominamos. Na força de ser ele mesmo e não outro, Albino Moura
impõe-se pela autenticidade da sua arte sem fronteiras e sem tempo numa
reconstrução constante de realidades e afectos ultra humanos que mantêm aberta
uma janela sobre um mundo passível de ser por todos nós desejado.
Álvaro
Lobato de Faria
Director
coordenador do MAC-Movimento Arte
Contemporânea
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