Lista museum

Mensagem

[Museum] Museu de Torres Vedras

To :   "museum" <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] Museu de Torres Vedras
From :   José d'Encarnação <jde@fl.uc.pt>
Date :   Sat, 22 Nov 2008 08:40:10 -0000

 
Jornal BADALADAS, 21-NOV_2008
IGESPAR ?trava? proposta da Câmara
Projecto do museu torriense volta para trás



A proposta de redefinição de um novo circuito museológico para o Museu Leonel Trindade foi ?chumbada? pelo IGESPAR (Instituto de Gestão de Património Arquitectónico e Arqueológico). A rede de museus nacionais já tinha aprovado o projecto, tanto no circuito como na própria reestruturação do edifício, mas a demolição das paredes do último piso ?travaram? a intenção da Câmara de Torres Vedras. Esta pretendia fazer obras profundas de requalificação e reconstituição, nomeadamente fechando alguns vãos, que foram abertos há mais de 30 anos, que quebraram a sequência de azulejos que existia.

No segundo piso, onde em tempos funcionou a sala do GAT,  a autarquia preparava-se para criar um salão expositivo. Para o efeito teria de demolir as paredes que formam um corredor com salas de gabinetes em ambos os lados.

Na quarta-feira da semana passada, no decorrer de uma reunião com os técnicos do IGESPAR, o presidente da edilidade torriense ficou a saber que os mesmos defendem que as referidas paredes devem ser mantidas, porque ?são o testemunho de uma determinada época e de uma determinada função?, contou Carlos Miguel. O IGESPAR também mostrou algumas preocupações relativamente à estrutura do edifício com a hipotética demolição das paredes. Preocupações essas que também foram comungadas pelo autarca socialista, considerando o edifício ?um castelo de cartas que, retirando as cartas de cima, não se saberá como irão reagir as que estão por baixo?.

Quanto à preservação das paredes, tanto Carlos Miguel como a equipa camarária que está a trabalhar no projecto não partilham da mesma opinião dos técnicos do IGESPAR, uma vez que aquele piso está muito adulterado. ?O convento tinha uma cobertura totalmente distinta, era mais alto e tinha um sótão, que hoje não existe, apenas uma parte das paredes é primitiva?, explicou o autarca.

Como alternativa, o IGESPAR sugeriu a construção de um piso superior. Contudo, a autarquia não se mostrou interessada em ?percorrer esse caminho?. ?A nossa opção é reformular todo o projecto referente ao último piso, no sentido de podermos apresentar um programa que mantenha as paredes. Não vale a pena entrar numa guerra. Vamos fazer um esforço para repensar aquele segundo piso e o circuito do museu, que já estava montado de uma certa maneira, de forma a podermos andar com a obra para a frente?, sustenta o autarca, lamentando, no entanto, os atrasos que essa redefinição de projecto vai acarretar.

Autor: Ana Alcântara Data: 2008-11-21
 

Jornal BADALADAS, 21-NOV_2008
?Um pouco mais de vento, um pouco mais de azul? marca a mudança
O novo museu municipal de Torres Vedras



A conquista de novos públicos e uma abordagem mais comunicativa e actualizada do património são os grandes objectivos a alcançar por detrás da requalificação e da reprogramação do Museu Municipal de Torres Vedras, coordenada pela conservadora-assessora principal Ana Paula Assunção.

A exposição ?Um pouco mais de vento, um pouco mais de azul?, inaugurada em Outubro passado e patente até 31 de Agosto de 2009, é a primeira a surgir nesse contexto de mudança. Fala-nos das ligações do concelho ao rio e ao mar, ao mesmo tempo que nos dá a conhecer um pouco daquele que será o novo discurso expositivo do museu, que se pretende cada vez menos agarrado à parede, e cuja reprogramação teve início há cerca de dois anos, com a criação do serviço pedagógico.

Uma outra inovação, que vem contrariar uma tendência da última década, é o lançamento do catálogo da exposição, que condensa a investigação feita pelo museu, e que é esperado para breve.

?Um pouco mais de vento, um pouco mais de azul? surge assim como uma pedrada no charco e a confirmação do seu sucesso está por exemplo nas marcações preenchidas até Abril para as actividades pedagógicas associadas à mostra, e na satisfação dos muitos que a visitam e nela se revêem.

Para já, ?os torrienses vão descobrir o seu património apresentado de forma mais dialogante, mais assertiva, mais provocadora e mais humanizado?, sublinha Ana Paula Assunção.

O Museu Municipal Leonel Trindade assume-se actualmente como um museu de sociedade, onde o património do passado é abordado com uma linguagem do presente e onde em breve não vão faltar as novas tecnologias.

Entre os seus objectivos, está ser cada vez mais inclusivo. ?Queremos comunicar e fazer parte da vida cultural, lúdica e identitária dos torrienses e isso passa por assumir um discurso expositivo diferente, dirigido a todos os tipos de público?, explicou aquela responsável.

Nesta mostra está já patente em parte essa vontade, seja através de uma pedagogia de ilustrações a pensar nos que não sabem ler, na possibilidade de tocar nos objectos dirigida essencialmente aos que não vêem, ou na eliminação de barreiras arquitectónicas para os que têm dificuldade em deslocar-se.

Em breve, o Braille será outra das novas linguagens patentes, para além das folhas de sala, auxiliares escritos à exposição, que já estão disponíveis na actual mostra. É a pensar também nas famílias, por exemplo, que o museu quer desenvolver uma linguagem cada vez mais apelativa, ?diria até encantatória, porque os museus são lugares de prazer, de descoberta e de bem estar?, defende Ana Paula Assunção.

Diz aquela responsável que ?a grande mudança está na humanização entre o objecto e o que eu quero transmitir às pessoas. O manequim da lavadeira, por exemplo, não apresenta apenas um trajo, apresenta uma pessoa?.

Por outro lado, através desta nova exposição, entraram pela porta do museu um conjunto singular de novas profissões, ainda não abordadas na história da instituição. Igualmente um sinal de como o museu pretende abordar novos patrimónios e patrimónios contemporâneos, ausentes do seu discurso até aqui, ao mesmo tempo que se apresenta mais aberto à comunidade, às suas preocupações e interesses actuais. ?Estamos em situação de desigualdade com outras ofertas culturais, então temos de ser apelativos e criativos e de ir buscar factores de interesse?, como o barco do senhor Pardal, que agora é propriedade do museu e que até 31 de Agosto faz a delícia dos mais jovens. ?Abrimos o museu ao contacto físico?, salienta Ana Paula Assunção, defensora da museologia de aproximação aos sentidos. Talvez por isso o novo trabalho expositivo a ser apresentado em Setembro de 2009 ?é uma abertura a toda uma inovação tecnológica e sensorial?, concluiu Ana Paula Assunção.

Ficam no ar promessas de arrepios e cheiro a perfume.
Autor: Eunice Francisco Data: 2008-11-21

Mensagem anterior por data: [Museum] Segunda Conferência Internacional HERITY Próxima mensagem por data: [Museum] Tese de Mestrado
Mensagem anterior por assunto: [Museum] Museu de Palmela, Fevereiro 2012 Próxima mensagem por assunto: [Museum] Museu Digital (25 de Junho, 16h00)