A conquista de novos públicos e uma
abordagem mais comunicativa e actualizada do património são os
grandes objectivos a alcançar por detrás da requalificação e da
reprogramação do Museu Municipal de Torres Vedras, coordenada pela
conservadora-assessora principal Ana Paula Assunção.
A
exposição ?Um pouco mais de vento, um pouco mais de azul?,
inaugurada em Outubro passado e patente até 31 de Agosto de 2009, é
a primeira a surgir nesse contexto de mudança. Fala-nos das ligações
do concelho ao rio e ao mar, ao mesmo tempo que nos dá a conhecer um
pouco daquele que será o novo discurso expositivo do museu, que se
pretende cada vez menos agarrado à parede, e cuja reprogramação teve
início há cerca de dois anos, com a criação do serviço
pedagógico.
Uma outra inovação, que vem contrariar uma
tendência da última década, é o lançamento do catálogo da exposição,
que condensa a investigação feita pelo museu, e que é esperado para
breve.
?Um pouco mais de vento, um pouco mais de
azul? surge assim como uma pedrada no charco e a confirmação
do seu sucesso está por exemplo nas marcações preenchidas até Abril
para as actividades pedagógicas associadas à mostra, e na satisfação
dos muitos que a visitam e nela se revêem.
Para já,
?os torrienses vão descobrir o seu
património apresentado de forma mais dialogante, mais assertiva,
mais provocadora e mais humanizado?, sublinha Ana Paula
Assunção.
O Museu Municipal Leonel Trindade assume-se
actualmente como um museu de sociedade, onde o património do passado
é abordado com uma linguagem do presente e onde em breve não vão
faltar as novas tecnologias.
Entre os seus objectivos, está
ser cada vez mais inclusivo.
?Queremos comunicar e fazer parte da vida
cultural, lúdica e identitária dos torrienses e isso passa por
assumir um discurso expositivo diferente, dirigido a todos os tipos
de público?, explicou aquela responsável.
Nesta mostra
está já patente em parte essa vontade, seja através de uma pedagogia
de ilustrações a pensar nos que não sabem ler, na possibilidade de
tocar nos objectos dirigida essencialmente aos que não vêem, ou na
eliminação de barreiras arquitectónicas para os que têm dificuldade
em deslocar-se.
Em breve, o Braille será outra das novas
linguagens patentes, para além das folhas de sala, auxiliares
escritos à exposição, que já estão disponíveis na actual mostra. É a
pensar também nas famílias, por exemplo, que o museu quer
desenvolver uma linguagem cada vez mais apelativa,
?diria até encantatória, porque os museus
são lugares de prazer, de descoberta e de bem estar?, defende
Ana Paula Assunção.
Diz aquela responsável que
?a grande mudança está na humanização
entre o objecto e o que eu quero transmitir às pessoas. O manequim
da lavadeira, por exemplo, não apresenta apenas um trajo, apresenta
uma pessoa?.
Por outro lado, através desta nova
exposição, entraram pela porta do museu um conjunto singular de
novas profissões, ainda não abordadas na história da instituição.
Igualmente um sinal de como o museu pretende abordar novos
patrimónios e patrimónios contemporâneos, ausentes do seu discurso
até aqui, ao mesmo tempo que se apresenta mais aberto à comunidade,
às suas preocupações e interesses actuais.
?Estamos em situação de desigualdade com
outras ofertas culturais, então temos de ser apelativos e criativos
e de ir buscar factores de interesse?, como o barco do senhor
Pardal, que agora é propriedade do museu e que até 31 de Agosto faz
a delícia dos mais jovens.
?Abrimos
o museu ao contacto físico?, salienta Ana Paula Assunção,
defensora da museologia de aproximação aos sentidos. Talvez por isso
o novo trabalho expositivo a ser apresentado em Setembro de 2009
?é uma abertura a toda uma inovação
tecnológica e sensorial?, concluiu Ana Paula
Assunção.
Ficam no ar promessas de arrepios e cheiro a
perfume.