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[Museum] Museu Nacional do Desporto

To :   <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] Museu Nacional do Desporto
From :   "Pedro Manuel Cardoso" <pcardoso@sejd.gov.pt>
Date :   Mon, 22 Dec 2008 10:49:28 -0000

Museu Nacional do Desporto

 

Gostaria que se sentissem Convidados para a Apresentação Oficial do Museu Nacional do Desporto. Que ocorrerá amanhã, dia 23 de Dezembro, pelas 11 horas, no Parque Eduardo VII em Lisboa.

Esta mensagem é portanto um Convite, embora sem a garantia de lugar sentado. Mas também a continuação da mensagem que enviámos em 8 de Outubro de 2008, com o n.º 1387.

Refere-se a uma nova geração de projectos e programas museológicos. Que, felizmente, colocam Portugal na vanguarda do nosso tempo, no domínio da Museologia e do Património.

 

Este projecto é a opção por um Museu que se define como um espaço de entretenimento / para experimentar e conhecer o Desporto / através de uma acção interactiva, lúdica e educativa / com o público e com a sociedade.

 

Um Museu, para conhecer e compreender o desporto, onde a Memória se adquire pela prática e pela interactividade.

Foi projectado para os visitantes - os actuais e os futuros - serem capazes de responder a uma pergunta. À pergunta … ”o que é o desporto?”.

 

É por ser construído a partir desta pergunta e desta resposta sempre inconclusiva, que o Museu tem a possibilidade de ser permanentemente actual. E dos factos, documentos e figuras do passado, serem sempre um assunto de presente. Agora e no futuro.

Significa, que “o processo de compreensão” - mais do que os objectos ou as peças - é a marca que o distingue. E a oportunidade para a sua afirmação a nível nacional e internacional.

 

A resposta à pergunta ”o que é o desporto?” será obtida por um trajecto cognitivo, através de cinco núcleos temáticos: Corpo, Actividade Física, Desporto, Mudança e Património.

Será no seio desta Estrutura Permanente de Exposição, que se alcançará o entendimento “sobre aquilo que o Desporto é”, no mundo e em Portugal.

 

É este Museu que apresentarei, de modo muito breve.

 

CORPO

 

As etapas do processo de compreensão do desporto iniciam-se pelo Corpo.

 

No Espaço-Corpo o visitante poderá experimentar as capacidades fisiológicas e biomecânicas da motricidade humana: equilíbrio, flexibilidade, perícia, precisão, habilidade, velocidade, resistência, impulsão, ritmo cardíaco, capacidade aeróbia e anaeróbia, entre outras.

 

Através de experiências interactivas que permitirão conhecer:

“Qual o seu peso?”

“Qual a sua altura?”.

“Qual o seu Índice de Massa Corporal?”.

“Qual o seu tempo de reacção?”.

“Qual a sua visão periférica?”.

“Qual o seu centro de rotação?”.

“Qual o seu ritmo cardíaco?”.

“Calcular o consumo de energia”.

“Verificar a pressão sanguínea”.

“Obter o Cartão da Condição Física”.

E todas as que a actualização do conhecimento científico possibilite no presente e no futuro.

 

Incluirá ainda, em permanência, exposições temporárias sobre o tema: “Prevenir os excessos/Optimizar o rendimento”. Em que o controlo e a optimização do treino desportivo serão apresentados como a via para se alcançar o desporto, e erradicar a dopagem.

 

 

 

ACTIVIDADE FÍSICA

 

A segunda etapa do trajecto de compreensão do desporto levará os visitantes ao Espaço-Actividade Física. No qual a intencionalidade humana começa a ganhar preponderância em relação à biologia e à fisiologia.

 

Neste espaço, já não é a perícia, a flexibilidade, a impulsão ou a velocidade. Agora, são essas capacidades do corpo ao serviço do lançar, do chutar, do correr, do saltar, do nadar, da ginástica, da actividade rítmica, do jogar, da ludo-motricidade.

 

Neste Espaço o visitante poderá correr ao lado de outro visitante, e saberá o tempo que gastou. Poderá fazer lançamentos, rematar à baliza, jogar um jogo virtual com os colegas, experimentar a velocidade dos remates e as trajectórias das bolas, comparar os modos de propulsão dos diferentes estilos da natação. Acederá a imagens virtuais do esforço e da contracção muscular em diferentes modalidades. Serão convidados jogadores ou equipas para interagirem com os visitantes. Haverá mostra de equipamentos e da tecnologia usada no desporto. E todas as experiências interactivas de conhecimento possíveis de realizar com este objectivo.

 

Incluirá ainda, em permanência, exposições temporárias sobre o tema: “Sensibilização para os valores éticos no desporto”. Como instrumento educativo, de combate a todas as formas ilícitas de se alcançarem os resultados desportivos. Mas também para fazer compreender o contributo milenar do Desporto para a construção dos valores éticos, sobretudo nas relações humanas de confronto e competição, que são essenciais para a Cidadania.

 

 

 

DESPORTO

 

Neste terceiro espaço, o visitante perceberá que o correr, o saltar, o jogar, e a Actividade Física em geral, posta em competição com os outros, e confrontada com a exigência da superação individual, e da ultrapassagem dos limites, transforma-se noutra coisa. À qual chamamos ‘Desporto’. Já não é “o que cada um faz do corpo e da actividade física”, é o que os atletas fazem, e conseguiram fazer.

 

A transição da Actividade Física para o Desporto faz-se através de uma Instalação onde o visitante experimenta os recordes mundiais, olímpicos e nacionais. Passa pela distância do recorde em salto em comprimento; observa a altura da fasquia do recorde do salto à vara; o peso do recorde de halterofilia, entre outros.

 

Após passar por esta experiência, entra num espaço audiovisual interactivo que apresentará o Desporto em Imagens.

  • Os visitantes poderão simplesmente assistir. Ou, interagir com as imagens, accionando uma consola que fará aparecer num grande ecrã as imagens dos atletas, das equipas e dos eventos desportivos. Verá a evolução comparada dos resultados nacionais e internacionais.
  • Esse ecrã multimédia estará ligado a uma “Base de Dados de Texto e Imagem”, que será permanentemente actualizada. E incluirá o Registo Nacional de Pessoas com Condecorações Desportivas.
  • Possibilita realizar programas audiovisuais, por exemplo, “os melhores momentos do desporto”, “momentos insólitos”, “expressões de vitória e derrota”, “golos, jogadas, defesas”, entre outros.
  • Inclui a possibilidade de hologramas e reconstituições, entrevistas virtuais, assim como a visita virtual aos clubes; aos bastidores da preparação de eventos desportivos; a museus de desporto existentes em Portugal e no estrangeiro.

 

As possibilidades, as ideias e as parcerias com as escolas, com as universidades, com o movimento associativo, com os outros museus, com as autarquias, com as empresas são praticamente ilimitadas. 

 

 

 

MUDANÇA

 

Na quarta etapa do trajecto de compreensão do Desporto o visitante encontra a Mudança.

 

O objectivo é mostrar que a realidade desportiva é um facto que muda e varia, durante o percurso histórico das sociedades humanas. Que o modo de fazer desporto não foi, não é, nem será sempre o mesmo. Porque sofre permanentemente o impacto social, técnico, científico, económico, ambiental e cultural.

 

O Espaço dedicado à Mudança será constituído por dois núcleos.

 

O primeiro será constituído por uma Exposição Permanente, dedicada à “Cronologia dos Factos, Figuras e Resultados do Desporto Português”, que incluirá a apresentação de documentos e objectos.

 

O segundo núcleo apresenta em permanência Exposições Temáticas, em torno da mudança histórica e da variabilidade antropológica do desporto. Tendo por base quatro variáveis:

·         Os Atletas, as Modalidades e as Técnicas.

·         Os Materiais, os Equipamentos e a Tecnologia.

·         Os Espaços e as Infra-estruturas desportivas.

·         A Oficina das Teorias e Interpretações.

 

A Oficina das Teorias e Interpretações é um espaço interactivo, lúdico e educativo. Aqui o visitante é confrontado com a mudança nas definições que foram sendo dadas ao desporto. Vê-las-á escritas num Mural Interactivo. No qual também pode escrever a sua. A soma de tudo, no tempo, será um Grande Livro das Definições e Interpretações do Desporto, que as sucessivas gerações podem visitar no Museu Nacional do Desporto.

 

As Exposições apresentadas neste quarto espaço terão impacto nacional e internacional. Realizadas em parceria com instituições públicas e privadas, contam com os acervos de desporto existentes na Europa e no mundo, e exigem o patrocínio de marcas e empresas de referência.

 

 

 

PATRIMÓNIO

 

Após ter tomado consciência da Mudança, o visitante encontra o Património. O património que resultou do impacto do Desporto na sociedade.

 

Esta quinta etapa do trajecto de compreensão do Desporto possui cinco locais diferenciados. Em cada um, ocorrem em permanência Exposições Temporárias:

  • Espaço para Desporto e Arte.

O objectivo é tornar permanente a apresentação de exposições de Arte associadas à realidade desportiva.

  • Espaço para Desporto e Comunicação Social.

Espaço para expor as colecções ligadas às diversas formas de comunicar a realidade desportiva (imprensa, rádio, televisão, Web/Internet, e as que sucederem no futuro).

Possibilita simular uma entrevista, ou um relato, e dar a conhecer o jornalismo no desporto.

Haverá a exposição de periódicos desportivos portugueses e estrangeiros, comparando a forma de comunicar através do tempo.

  • Espaço para Desporto e Coleccionismo.

Espaço para expor as colecções de emblemas desportivos, filatelia, numismática, cadernetas de cromos, cartazes e memorabilia. E possibilita eventos e feiras ligadas ao Coleccionismo.

  • Centro de Documentação e a Mediateca.

O objectivo é constituir um centro de excelência em termos de documentação e bibliografia especializada em desporto. Inclui o acervo documental actualmente à guarda do Instituto do Desporto de Portugal. Possui um espaço para exposições temporárias.

  • Reserva Visitável.

Espaço para guardar o acervo - o existente e o futuro. Obedece às normas e requisitos museológicos em vigor a nível nacional e internacional. É construído de modo a permitir a visita a parte dos Documentos e Colecções guardadas. Tem por objectivo garantir o futuro desenvolvimento do Museu, como instituição de referência na gestão do património desportivo português.

 

 

 

[CONSIDERAÇÕES FINAIS]

A acrescentar a estes espaços que funcionarão em simultâneo haverá ainda as actividades dos Auditórios, para cerca de 600 pessoas; do Serviço Educativo; da Cafetaria; da Loja do Museu; do Desportódromo e da zona exterior no Parque Eduardo VII, com actividades desportivas, e eventualmente um Passeio da Fama para as personalidades do desporto.

 

Deste modo, o Museu transforma-se num “prestador de serviços”:

  • Permitirá ao visitante obter o índice de massa corporal.
  • Permitirá ao visitante obter, o Bilhete de identidade da sua condição física.
  • Permitirá obter conselhos sobre os estilos de vida saudável, incluindo aconselhamento sobre saúde, nutrição e esforço físico.
  • A visita ao Museu possibilitará testar conhecimentos, de forma lúdica, através de jogos interactivos.
  • A visita ao Museu permitirá obter documentos, e informação credível e actualizada, sobre a realidade desportiva.
  • Haverá permanentemente espectáculos, homenagens e ciclos de conferências.
  • O visitante terá sempre ao dispor, em simultâneo, 9 exposições diferentes e autónomas sobre desporto.
  • O Serviço Educativo convidará as Escolas a participarem activamente no programa permanente de actividade física e desporto que ocorrerá no interior e exterior do museu.
  • O Desportódromo convidará os clubes e as colectividades desportivas a participarem no programa permanente de actividade física e desporto, constituído por saraus, espectáculos, actividades rítmicas, ginástica, yoga, artes marciais, jogos, percursos de corrida e marcha, roteiros de orientação pela Cidade, etc.

 

[OUTRAS CONSIDERAÇÕES]

Hoje é fácil saber quais são os museus mais premiados a nível internacional. E quais os critérios que lhes permitiram ser os melhores. Também é fácil saber quais os obstáculos e as dificuldades que enfrentaram na sua afirmação. Esse conhecimento esteve presente na elaboração do Projecto e do Programa do Museu Nacional do Desporto.

O espaço não permite que apresente todos os aspectos, que presidiram à concepção deste Museu. Referirei apenas que:

 

[Quanto à SUSTENTABILIDADE ECONÓMICA], como facilmente se pode constatar:

·         A “gestão museológica” constituiu-se como parte integrante do conceito, do projecto e do programa museológico deste Museu. Está contida no “Saber da Museologia”. Não lhe é um ente estranho, para ser acrescentada a priori ou a posteriori.

  • O Museu está concebido para atrair patrocinadores e marcas.
  • Possuirá uma Loja, e uma linha de produtos própria.
  • A segmentação do espaço permite maximizar as parcerias. E uma gestão programada para a apresentação permanente de eventos, atletas, personalidades e empresas associadas ao desporto.
  • O custo anual da programação e do funcionamento está calculado para ser 10% menor do que as receitas próprias e não necessitar do apoio do Estado (central ou local).
  • Está concebido para todas as classes de idade e tipos de utência, permitindo captar a maior diversidade de visitantes. Está calculado para suportar no interior mil pessoas em simultâneo.
  • A localização é numa zona nobre da cidade, com amplo espaço pedonal, e uma vista privilegiada. E tem a proximidade de unidades hoteleiras de referência.
  • Os acessos e o estacionamento estão garantidos. Possui a Estação de Metro “Parque” por baixo.
  • O Museu possuirá dois Auditórios, com uma capacidade somada para cerca de 600 lugares.
  • Possuirá cafetaria e restaurante.

 

[Quanto às CONDIÇÕES TÉCNICAS]

  • A gestão das condições ambientais será feita através da carta psicrométrica. Com a permanente monitorização dos valores para a humidade relativa e temperatura; para a circulação de ar e poluição interna; com a carga de iluminância medida e monitorizada em lux/hora; e as restantes condições exigidas pelos regulamentos e normas actuais.
  • Houve o escrupuloso cumprimento das regras nacionais e internacionais de acessibilidade.
  • Foi definida com rigor a interconexão entre as zonas de acesso público e restrito.
  • Foram exigidos coeficientes térmicos para a estrutura, de modo a evitar os “pontos de orvalho”; e a permitir uma conservação preventiva do acervo com “soluções passivas”.
  • Foi acautelada a segurança e a prevenção dos riscos naturais.

 

[Quanto ao CONCEITO DE OBJECTO E DE PATRIMÓNIO]

O Projecto e o Programa Museológico separam as diferentes variáveis que concorrem para um conhecimento multidisciplinar do Desporto:

  • No espaço “Corpo”, permite a permanente actualização das variáveis do estudo científico da biomecânica e da fisiologia; e da biologia e da antropologia aplicadas à motricidade humana.
  • No espaço “Actividade Física” e “Desporto”, permite o contributo e o saber dos atletas, dos treinadores, dos clubes e dos responsáveis pelo movimento associativo.
  • No espaço “Mudança”, o contributo científico das ciências sociais e humanas.
  • No espaço “Património”, o contributo das ciências documentais e patrimoniais.

 

Evidentemente que neste Museu:

  • Precisamos da bola, mas também do modo de a chutar.
  • Precisamos da taça, mas também do jogo, e dos atletas que a conquistaram.
  • Precisamos da fasquia, mas também do salto, e do atleta que o conseguiu.
  • Necessitamos dos objectos, mas também precisamos da reacção do público e da repercussão na comunidade.

 

Mas este Conceito de Objecto não tem nada a ver com a actual moda, e com a infeliz designação de “Património dito Imaterial ou Intangível” (ICOM, 2001, 2004). É um Objecto que é constituído pela simultaneidade inseparável das seguintes quatro substâncias [materialidade-gestualidade-oralidade-iconicidade] (Pedro Manuel Cardoso, 2004). E reivindica-se da mudança ocorrida nos anos 60 e 70 do século passado, quando - pelos contributos científicos da “École de les Annales” , da “Pragmática da Comunicação” e da “Antropologia da Performance- se passa de uma ciência dos factos, dos objectos, das normas e das estruturas para uma ciência dos processos.

Foi sobre este conceito de objecto - em que a parte material está acompanhada dos gestos, dos sons, das imagens e das representações - que este Museu foi concebido. Porque doutro modo não conseguiria restituir, para os presentes e vindouros, aquilo que verdadeiramente o desporto é.

E este aspecto teve importantes implicações e consequências na definição do espaço e nos equipamentos.

 

[Quanto ao MODELO DE GESTÃO DO PATRIMÓNIO DESPORTIVO] …

Não podemos considerar como certa, ou razoável, a possibilidade do Museu adquirir ou ficar na posse de muitos objectos e documentos do património do desporto. Porque pertencem a inúmeras entidades públicas e privadas. Que só os cederão se quiserem.

Portanto este Museu nunca poderia ser - mesmo que houvesse quem o desejasse - uma grande caixa de arquivo. Que estaria destinado a competir com os outros museus e núcleos museológicos existentes no país.

Este museu foi concebido para trabalhar em rede e em complementaridade, para benefício mútuo. Um museu para ajudar os outros que existem no país, através de uma parceria e de uma itinerância permanente, que hoje não existe.

 

Se repararmos nas exposições que os museus mais significativos da Europa, e até do Mundo, estão a realizar neste momento, ou não encontramos o desporto, ou encontramo-lo menorizado e em segundo plano.

Sem merecer a edificação de um museu amplo e autónomo no seio da Polis e das Cidades, como têm a Arte, a Ciência ou a Etnologia.

No entanto, apetecia dizer, como alguém já disse, que o Desporto não é um “património ilegítimo”. Nem uma realidade com um ‘estatuto social e cultural’ que deva ser menor.

  • Sabemos que é capaz de atrair tanto interesse, tantas pessoas e tantas empresas como quaisquer outros domínios.
  • Congrega a atenção de milhões de espectadores.
  • Faz movimentar a nível mundial os principais meios de comunicação.
  • Dá oportunidade para se ser saudável e activo.
  • Permite construir a identidade e a pertença cultural de muitas comunidades.
  • Proporciona trocas económicas que geram riqueza e emprego.
  • Tem a capacidade para construir o diálogo intercultural à escala global, em circunstâncias de conflito e ódio extremas.
  • Tem um impacto crucial na vida dos cidadãos, da primeira à última idade.
  • Aproxima as pessoas e inclui-as na Sociedade.
  • Há um profundo legado do desporto para a compreensão da sociedade humana, e para a “educação” das relações de competição e confronto, que é repetidamente mitigado.

 

Porém, ainda não havia um projecto museológico que o fizesse entrar na Sociedade e na Cultura pela porta que merece.

Esta lacuna, é a oportunidade que este projecto explora. E o caminho para a afirmação do Museu Nacional do Desporto, inclusive a nível internacional.

Temo até, que este Projecto, torne o Museu Nacional do Desporto num dos mais visitados do País. E o coloque na rota do turismo cultural.

 

A primeira vez que a questão de construir um museu do desporto em Portugal foi referida, data do final do século XIX.

  • A seguir, 50 anos depois, em 1934, entre 19 de Maio e 13 de Junho por ocasião da designada “Primeira Exposição Triunfal do Desporto Português” realizada nas antigas instalações do Automóvel Club de Portugal no ex-Palácio de Calhariz.
  • Passados mais 50 anos, novamente em 1984 por ocasião da exposição designada “Figuras e Lendas do Desporto Português”, realizada no Palácio Foz em Lisboa.
  • E outra vez, 13 anos depois, em 1997 por ocasião da última grande exposição sobre desporto realizada em Portugal, designada “Encontro com a Memória do Desporto”, no Edifico da Central-Tejo/Museu da Electricidade.

 

Em 1934, no Catálogo da Exposição que referi, a Comissão de Honra era composta por 118 pessoas. Saberão V. Exas., qual era a condição para se pertencer a essa Comissão?

  • Eu cito o que está escrito nesse catálogo: “Todos estes 118 desportistas têm mais de 25 anos de vida desportiva, e foram indicados pelas Federações, Associações e Clubes.”

Onde está o Património dessas pessoas, que em 1934 tinham 25 e mais anos de vida desportiva? Onde está essa memória, hoje?

Sabemos que a realidade desportiva em Portugal antecede em muito o início dos Jogos Olímpicos actuais. E constitui um elemento imprescindível para a compreensão da Sociedade Portuguesa. Foi isso que em parte se perdeu.

Este Museu Nacional do Desporto serve para que essa perda não se repita.

Agora, por decisão do Governo e da Câmara Municipal de Lisboa, chegou o momento de fazer. De pôr fim a uma lacuna que se arrasta há mais de cem anos.

 

[CONCLUSÃO]

Quatro palavras podem resumir o Museu Nacional do Desporto:

[INTERACTIVO – LÚDICO – EDUCATIVO – INOVADOR].

INTERACTIVO, porque se quis que fosse um espaço para experimentar e fazer. Um lugar para interagir com as imagens e construir experiências.

LÚDICO, porque se quis que fosse um espaço de entretenimento para todas as idades, onde se desse a conhecer o desporto através de um jogo permanente de descoberta e interacção.

EDUCATIVO, porque se quis que fosse um lugar de aprendizagem e de formação. Onde fosse possível aprender e conhecer tudo o que tem relação com o desporto: como foi o passado, como é no presente e como será o futuro.

Porque se quis que fosse um lugar para conhecer os atletas, os clubes, os eventos e os resultados do desporto: nacionais e internacionais, olímpicos e mundiais, do passado e do presente.

Onde os visitantes pudessem aprender a conhecer o seu corpo e as suas capacidades físicas, e a poder compará-las com as dos atletas.

Onde os visitantes pudessem obter o bilhete de identidade da sua condição física, e pudessem aprender os segredos para uma vida saudável.

INOVADOR, porque se quis que fosse um projecto construído para o visitante ser capaz de responder, por si próprio, à pergunta sempre inconclusiva “o que é o Desporto?”. E não apenas um sítio de objectos estáticos e peças imóveis. Porque familiariza os visitantes a as famílias com as novas tecnologias de informação e comunicação. E constitui uma plataforma do contacto em rede, para uma aprendizagem ao longo da vida. 

 

 

O Museu Nacional do Desporto foi projectado para ser um lugar de Homenagem e de Encontro, de todos os que fizeram e fazem o desporto. E dos que vierem.

Um Projecto que ― de acordo com uma “visão de Serviço Público do Desporto” ― contribua para a igualdade de oportunidades no acesso à informação e ao conhecimento (cientifico, técnico, social e cultural) sobre a realidade desportiva.

Um Projecto que qualifique e prestigie: i) os praticantes e os atletas; ii) os dirigentes, técnicos e profissionais do desporto; iii) as profissões ligadas ao desporto; iv) o estatuto social e cultural da realidade desportiva e o seu Património.

Um Museu que contribua para enraizar os hábitos da prática desportiva junto dos cidadãos.

Um Museu para requalificar a Cidade, para promover o diálogo intercultural, para se tornar um pólo do desenvolvimento científico, para atrair as pessoas, e o Turismo.

 

Um Museu … para prestigiar o desporto e Portugal.

 

Pedro Manuel Cardoso

Museu da Gestualidade

21/12/2008

 

(ANEXOS: Resumo dos Espaços + Bibliografia)

 

BIBLIOGRAFIA

 

O “Projecto e Programa de Museologia para o Museu Nacional do Desporto” basearam-se numa investigação científica nas áreas de Antropologia e de Museologia. Cujo resultado deu origem à solução técnica que consta do Caderno de Encargos e do Programa Preliminar de 2008. Foi apresentado por Pedro Manuel Cardoso em Sessão Pública na Câmara Municipal de Lisboa em 9 de Dezembro de 2008.

As fontes e as referências bibliográficas que foram utilizadas podem ser consultadas nos seguintes trabalhos de Pedro Manuel Cardoso:

2008. “Projecto e do Programa Museológico para o Museu Nacional do

Desporto” (Direitos de Autor, Registo IGAC n. 4125/2008).

2004.”Antropologia do Desporto”. Revista Desporto n.º 2/2004, Lisboa,

Instituto do Desporto de Portugal, 26-33.

2004. “A Construção Científica da Realidade: método, modelo e processo”,

(Direitos de Autor: IGAC, processo n.º 7964/2004, de 22/12/2004).

2004. “Informação: Transmitir ou Comunicar?”. Documento da palestra

proferida na “Conferência Internacional sobre Informação Desportiva”, a convite do Instituto do Desporto de Portugal, por ocasião da Reunião do Comité Executivo da IASI (Associação Internacional para a Informação Desportiva) em 16 de Abril de 2004.

2003. “Preservar e Desenvolver em Museologia. Contributo para o estudo

do Objecto e do Processo Museológico, Lisboa, Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. (Direitos de autor: IGAC, processo n.º 5081/02, de 24/02/2003).

2003. “Os Jogos Olímpicos da Antiguidade, na génese do conceito

moderno de Desporto. Documento da palestra proferida na XVI.ª Sessão Anual da Academia Olímpica de Portugal, Idanha-a-Nova, 15 de Abril de 2003.

2001. “Pequeno Contributo para um Balanço do Desporto no século XX.

Revista Desporto n.º 21, Março/Abril - 2001, Lisboa, Centro de Estudos e Formação Desportiva, 6 -15.

1998. “Um Comité Internacional do Desporto no seio do ICOM.

Documento da intervenção na “18.ª Conferência Geral do Internacional Council of Museums (ICOM)”, Melbourne, Melbourne Convention Centre, 12 de Outubro de 1998.

1998. “Património Desportivo enriquecido”. Revista Desporto n.º 5/Abril,

Lisboa, Centro de Estudos e Formação Desportiva, 6 -15.

1997. “Antropologia: O gesto e a palavra na regulação da violência” (DGESP,

Certidão n.º 1834 de 1997/02/26).

1993. “Gestualidade: aspectos epistemológicos e metodológicos” (DGESP,

Certidão n.º 1163, de 1993/08/24).

1989. “Desporto, Museologia e Comunicação”. Documento da

intervenção proferida na “II.ª Reunião Mundial de Directores de Museus de Desporto”, Lausanne, 1989.

 

 


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