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ALTO DOURO VINHATEIRO, PAISAGEM
CULTURAL
Foi atribuída, por unanimidade, a mais alta classificação ? «Muito bom
com louvor» ? à tese defendida no passado dia 5, na Universidade François
Rabelais de Tours, pela Lic. Laura Verdelli, em que muito se falou do Alto Douro
Vinhateiro como paisagem cultural.
Intitulada «Héritages fluviaux, des patrimoines en devenir ?
Processus d?identification, protection et valorisation des paysages
culturels en France, Portugal et Italie : quelques exemples significatifs»,
a dissertação foi integrada no regime de co-tutela entre aquela universidade
francesa e a Universidade de Coimbra.
Um trabalho em que se analisaram em simultâneo três bacias hidrográficas
? a do Douro, a do Loire e as dos cursos de água que envolvem Milão (os vales do
Ticino, do Ada e duma parte da do Pó)... ? do ponto de vista das transformações
que elas podem vir a ter, nas ilusões que acarreta, nos projectos que determina
a introdução, aí, de uma tónica cultural motivada pela sua elevada
classificação, pela UNESCO, como «Património da Humanidade». Por isso,
foram entidades de acolhimento da pesquisa, pela parte de Tours, o Centre
Interdisciplinaire Cités, Territoires, Environnement et Sociétés, na disciplina
de «Aménagement de l?Espace et Urbanisme» (orientador: Serge Thibault) e, por
Coimbra, o Centro de Estudos Arqueológicos das Universidades de Coimbra e Porto,
na área de Museologia e Património Cultural (orientador: José
d'Encarnação).
Deram parecer prévio favorável à apresentação do trabalho os doutores
Joëlle Burnouf (Université de Paris I - Sorbonne) e Daniele Pini (da Faculdade
de Arquitectura da Universidade de Ferrara - Itália), que também integraram o
júri e intervieram nas provas, assim como os demais membros do júri: José Aguiar
(presidente da secção portuguesa do ICOMOS e professor da Faculdade de
Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa), os orientadores e Michel
Lussault, da Escola Normal Superior de Tours, que presidiu à
sessão.
Para além da introdução e da conclusão, o trabalho divide-se em três
partes (e doze capítulos): «A afirmação da paisagem enquanto recurso cultural»,
«Impactes das inscrições [como paisagem cultural no quadro da UNESCO] nas
dinâmicas locais» e «Para uma síntese das transformações em
curso».
Há natural diversidade de actuações em cada um dos países em relação às
bacias hidrográficas em apreço; no entanto, as dinâmicas determinadas, a análise
em conjunto da legislação aplicável e a comparação entre as medidas que estão a
ser adoptadas em cada caso transformam o livro ? que esperemos possa vir a ser
publicado ? num precioso e inovador vade-mécum para questões de património
paisagístico e ambiental, nomeadamente no que aos cursos de água diz
respeito.
J. d?E. |
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