|
Por entre a
correspondência de Natal e de Ano Novo, com o panorama museológico nacional a vir à baila de vez em quando, recebi, no passado dia
1, este desabafo de quem sabe e que tenho todo o gosto em dar a
conhecer:
«Há tempos que ando para comentar
contigo o meu desacordo sobre a mudança do Museu dos Coches. Finalmente
parece-me que o bom senso vai ultrapassar a asneirada.
Primeiro, equipa que ganha não se muda; segundo, aquele é o espaço mais indicado para albergar os coches. A D. Amélia não devia ser nada parva. Os Serviços que criou - Socorros a Náufragos em todo o litoral português e o Instituto de Assistência Nacional aos Tuberculosos, alguns deles pagos com as jóias da Cartier que trouxe de França - demonstram que tinha muita visão humanitária. E o Museu dos Coches é a sua coroa de glória.» E, noutra
mensagem, acrescentava-se:
«Além de ser
uma medida inadequada, porque aquele Museu é o mais visitado do país por
ser bom e também porque a sua vizinhança com o Mosteiro dos
Jerónimos é um bom contributo, há o facto de ter sido criado pela rainha D.
Amélia a quem os portugueses muito devem.».
Ao que parece, há muito que existe a "ideia fixa" da Presidência da República de pretender aquele espaço vazio. E uma das anteriores directoras terá mesmo exclamado, um dia: «Os coches só saem daqui por cima do meu cadáver!»... Ficaria, porém, de mal com a minha consciência, se não
veiculasse também outra mensagem, particular, igualmente em jeito de
desabafo:
«Detesto quando somos velhos do Restelo e recusamos empreendimentos que trarão
valor acrescentado ao nosso património.
Abençoada
Expo que, com todos os defeitos, melhorou uma parte de
Lisboa. O
Museu dos Coches merece poder crescer e, acreditem, eu já vivo cá há alguns anos
e sei como as coisas se passam: se não for feito, as verbas não vão ser
utilizadas em outras coisas úteis. Desaparecerão em projectos insondáveis.
Ou acreditamos que vão ser utilizadas para dotar os museus nacionais do
necessário pessoal? Vá lá, não sejamos anjinhos!...» É certo que os anjinhos já chegaram, os Reis estão a
chegar. E não reza a tradição que tenham vindo de... coche; vieram de camelo,
dizem! Ou, segundo uma das notáveis Natalendas cascalenses, ora
reeditadas pela Junta de Freguesia de Cascais:
Lá no mar do
Oriente Vem uma Armada
Real, Dizem que são os três
Reis, Que vêm para Portugal.
José d'Encarnação |
| Mensagem anterior por data: [Museum] Discussão pública de tese de Mestrado em educação patrimonial em arqueologia | Próxima mensagem por data: [Museum] Conferência: 200 anos de defesa do património cultural português |
| Mensagem anterior por assunto: [Museum] Os Bichos | Cobras e Lagartos (27 de Janeiro, 14H30) | Próxima mensagem por assunto: [Museum] O senhor recebe em Odrinhas!... |