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[Museum] A política com p pequeno no texto da “Plataforma pelo Património Cultural”

To :   <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] A política com p pequeno no texto da “Plataforma pelo Património Cultural”
From :   "Pedro Manuel Cardoso" <pcardoso@sejd.gov.pt>
Date :   Mon, 19 Jan 2009 12:42:10 -0000

 

Perante o texto político, totalmente descabido e panfletário, que foi colocado na «Museum», em nome da Plataforma pelo Património Cultural, dita “PP-Cult”, urge uma tomada de posição.

Em mensagem anterior, relativa ao conteúdo do Manifesto de constituição desta Plataforma, tínhamos razão ao antever o caminho radical que se pré-anunciava. Foram sinais que agora tiveram a verdadeira confirmação. Talvez porque se aproximem “eleições”.

Colocar na «Museum» um texto, que qualquer pessoa de bom senso percebe, que é uma espécie de “agora, vamos fazer queixinhas ao Senhor Presidente da República”; “agora, vamos fazer um Congresso, e convidamos o Senhor Presidente da República”, é, no mínimo, desprestigiante para a Plataforma pelo Património Cultural, e para os promotores que assinam este texto. Descredibiliza definitivamente a acção e o contributo positivos que uma iniciativa destas poderia ter no futuro. Radicaliza e confronta órgãos de soberania. Diminui e faz descer o Senhor Presidente da República ao nível da política partidária.

Anunciar uma audiência com frases como as que vemos aqui publicamente escritas, e transcritas na «Lista Museum», não honra a competência técnica e o percurso profissional de muitos museólogos e profissionais do património. Que, desde há largos anos, têm dado e continuam a dar na actualidade um contributo que não merece ser misturado com este tipo de “manifesto de política com p pequeno”. 

Este texto da “PP-Cult”, tal como no seu Manifesto de constituição, mais uma vez, não apresenta qualquer alternativa, qualquer estratégia, qualquer opinião credível do ponto de vista técnico e científico para a Política Museológica e Patrimonial do País.

São o quê frases como “profunda desqualificação técnica”, “quase paralisia em que se encontra a tutela”, “decisão puramente autocrática”, “crescente afunilamento, senão esclerose, da vivência democrática”, “aumento da discricionariedade da governação”, “níveis que se consideram incompatíveis com uma sociedade adulta e europeia”, “levam à descrença dos cidadãos”? Significam o quê de concreto? Analisadas com atenção mostram bem o que são: frases panfletárias e vazias de conteúdo.

De repente não há passado nem responsabilidade.

Aqueles que estão agora entrincheirados, e se revêem, nestes textos da “PP-Cult” foram muitos dos que ocuparam funções na gestão do património e da museologia. Foram os que deixaram chegar o Património e a Museologia ao estado que ela se encontra actualmente. E agora, por artes mágicas, fogem de cena, e tentam colocar-se num outro lado. No lado virtual de uma Plataforma que lhes valesse a fuga às suas responsabilidades pelo estado que deixaram o património de Portugal.

Esta posição não é nem honesta nem credível.

E deve ser denunciada. Por todos aqueles que não permitem que os reduzam a esta oposição radical entre “governo” vs. “PP-Cult – plataforma”. Todos aqueles que se ofendem com este uso político, que esta oposição pequenina os pretende colocar. Todos os que rejeitam colocar, a museologia e o património de Portugal, ao serviço desta luta partidária e panfletária vazia de estratégia e de conteúdo. E que não representa, de facto, qualquer alternativa ao status quo.

Há de facto, em nosso entender, uma “Reforma a fazer na Política Museológica e Patrimonial em Portugal”. Na base de contributos como aqueles que temos vindo a dar e a publicar, e os de muitos outros colegas que partilham a mesma visão e sentido do “valor estratégico do Património para o futuro do nosso País”.

A principal razão porque é preciso fazer essa reforma não está na culpa deste ou daquele, como afirma a “PP-Cult”. Está noutro factor. É porque o Mundo mudou. Mudou e está a mudar em termos da mentalidade, da percepção das necessidades, da formulação do que é o conceito de futuro. Mudou porque as relações são mais globais e interdependentes do que eram, há dez anos. E isso obriga a um outro tipo de competitividade entre os países e as culturas. Está a mudar por causa da revolução técnica, tecnológica e científica, a qual está a pressionar a economia e os conceitos de Cultura e de Património. O conceito de “uso e valor patrimonial” mudou. Os conceitos de “objecto museológico” e de “objecto patrimonial” mudaram. O “modelo de comunicação pelo qual o património é transmitido” aos cidadãos mudou. Os objectivos de gestão em Museologia e Património, e portanto de avaliação dos resultados e do desempenho, exigem uma nova meta, e um índice que os quantifique como aquele que propusemos em 2004. São respostas, contributos e soluções para estes novos problemas que são a razão da necessidade de reforma.

Ora isto está completamente ausente da “PP-Cult”. A “PP-Cult” está a tornar-se, irremediavelmente, um problema mais do que uma solução. O que a “PP-Cult” está a fazer com este seu comportamento, absolutamente irresponsável, de atirar uns contra os outros, é inviabilizar uma das condições essenciais do sucesso de uma futura reforma. E não tenham ilusões todos aqueles que fazem “política com p pequeno”, de que esta posição da “PP-Cult” é a mais fácil de derrotar e de enquadrar.

            Portugal merece uma iniciativa da sociedade civil mais adulta e mais credível para discutir e solucionar o presente e o futuro do seu Património.

 

Pedro Manuel Cardoso

19/01/2009

 


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