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Perante o texto
político, totalmente descabido e panfletário, que foi colocado na «Museum», em nome da Plataforma pelo Património Cultural, dita
“PP-Cult”, urge uma tomada de posição. Em mensagem
anterior, relativa ao conteúdo do Manifesto
de constituição desta Plataforma,
tínhamos razão ao antever o caminho radical que se pré-anunciava. Foram sinais
que agora tiveram a verdadeira confirmação. Talvez porque se aproximem
“eleições”. Colocar na «Museum» um texto, que qualquer pessoa de
bom senso percebe, que é uma espécie de “agora, vamos fazer queixinhas ao
Senhor Presidente da República”; “agora, vamos fazer um Congresso,
e convidamos o Senhor Presidente da República”, é, no mínimo, desprestigiante
para a Plataforma pelo Património Cultural,
e para os promotores que assinam este texto. Descredibiliza definitivamente a
acção e o contributo positivos que uma iniciativa destas poderia ter no futuro.
Radicaliza e confronta órgãos de soberania. Diminui e faz descer o Senhor
Presidente da República ao nível da política partidária. Anunciar uma
audiência com frases como as que vemos aqui publicamente escritas, e
transcritas na «Lista Museum»,
não honra a competência técnica e o percurso profissional de muitos museólogos
e profissionais do património. Que, desde há largos anos, têm dado ─ e continuam a dar na actualidade ─ um
contributo que não merece ser misturado com este tipo de “manifesto de
política com p pequeno”. Este texto da
“PP-Cult”, tal como no seu Manifesto de constituição, mais uma vez,
não apresenta qualquer alternativa, qualquer estratégia, qualquer opinião
credível do ponto de vista técnico e científico para a Política Museológica e
Patrimonial do País. São o quê frases
como “profunda desqualificação técnica”,
“quase paralisia em que se encontra a
tutela”, “decisão
puramente autocrática”, “crescente afunilamento, senão esclerose, da vivência democrática”,
“aumento da discricionariedade da
governação”, “níveis
que se consideram incompatíveis com uma sociedade adulta e europeia”,
“levam à descrença dos cidadãos”?
Significam o quê de concreto?
Analisadas com atenção mostram bem o que são: frases panfletárias e vazias de
conteúdo. De repente não
há passado nem responsabilidade. Aqueles que
estão agora entrincheirados, e se revêem, nestes textos da
“PP-Cult” foram muitos dos que ocuparam funções na gestão do
património e da museologia. Foram os que deixaram chegar o Património e a Esta posição não
é nem honesta nem credível. E deve ser
denunciada. Por todos aqueles que não permitem que os reduzam a esta oposição
radical entre “governo” vs. “PP-Cult –
plataforma”. Todos aqueles que se ofendem com este uso político, que esta
oposição pequenina os pretende
colocar. Todos os que rejeitam colocar, a museologia e o património de Portugal,
ao serviço desta luta partidária e panfletária vazia de estratégia e de
conteúdo. E que não representa, de facto, qualquer alternativa ao status quo. Há de facto, em
nosso entender, uma “Reforma a fazer na Política Museológica e
Patrimonial em Portugal”. Na base de contributos como aqueles que temos
vindo a dar e a publicar, e os de muitos outros colegas que partilham a mesma
visão e sentido do “valor estratégico do Património para o futuro do
nosso País”. A principal
razão porque é preciso fazer essa reforma não está na culpa deste ou daquele,
como afirma a “PP-Cult”. Está noutro factor. É porque o Mundo
mudou. Mudou e está a mudar em termos da mentalidade, da percepção das
necessidades, da formulação do que é o conceito de futuro. Mudou porque as
relações são mais globais e interdependentes do que eram, há dez anos. E isso
obriga a um outro tipo de competitividade entre os países e as culturas. Está a
mudar por causa da revolução técnica, tecnológica e científica, a qual está a
pressionar a economia e os conceitos de Cultura e de Património. O conceito de
“uso e valor patrimonial” mudou. Os conceitos de “objecto
museológico” e de “objecto patrimonial” mudaram. O “modelo
de comunicação pelo qual o património é transmitido” aos cidadãos mudou.
Os objectivos de gestão em Ora isto está
completamente ausente da “PP-Cult”. A “PP-Cult” está a
tornar-se, irremediavelmente, um problema
mais do que uma solução. O que a
“PP-Cult” está a fazer com este seu comportamento, absolutamente
irresponsável, de atirar uns contra os outros, é inviabilizar uma das condições
essenciais do sucesso de uma futura reforma. E não tenham ilusões todos aqueles
que fazem “política com p
pequeno”, de que esta posição da “PP-Cult” é a mais fácil de
derrotar e de enquadrar. Portugal merece uma
iniciativa da sociedade civil mais adulta e mais credível para discutir e
solucionar o presente e o futuro do seu Património. 19/01/2009 |
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