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[Museum] Património e Museologia em Portugal

To :   <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] Património e Museologia em Portugal
From :   "Pedro Manuel Cardoso" <pcardoso@sejd.gov.pt>
Date :   Thu, 19 Feb 2009 11:54:11 -0000

 

Permitam submeter á consideração pública, e á reflexão dos museólogos, o seguinte comentário.

Talvez por estarmos em ano de eleições, ou não, sucedem-se as petições, os manifestos, as plataformas e outros conjuntos de manifestações de protesto contra a política museológica.

Sempre com pomposos propósitos, dirigidos aos mais altos dignitários, mas sempre como uma análise objectiva facilmente constata com conteúdos fracos, motivos avulsos e soluções episódicas. É mudar este museu daqui para acolá, é não mudar esta colecção deste sítio para aquele, é ficar com as instalações perto ou longe da vista do mar, é insultar a Política e os Governantes, é propor comissões de transversalidade e multidisciplinaridade, é pedir mais dinheiro aos contribuintes. É sobretudo fazer muito barulho e ruído.

Porque será que ocorre este desfasamento, entre os grandes propósitos enunciados e a falta de capacidade para apresentar soluções para a política museológica portuguesa, por parte dos autores desses actos de marcação comunicacional, para mais em vésperas de eleições?

Torna-se evidente que, quem procede assim, não pretende contribuir para qualquer solução para o País e para o Património de Portugal.

O que é necessário fazer para melhorarmos “a política museológica” não está no que esta última petição diz. Como não está nas outras mais recentes.

A “Rede Portuguesa de Museus” foi o projecto que liderou, até ao momento, a renovação e a transformação efectiva da política museológica em Portugal. Todos percebemos que, após o seu inestimável contributo, que ainda não está esgotado, estamos em condições de construir outro objectivo-focal que lidere a etapa seguinte.

Alguns de nós sabem muito bem qual deveria ser esse novo projecto. Mas isso não é motivo para vir, com sobranceria, a correr para a comunicação social, para ser o primeiro a mostrar-se, fingindo que há apenas um(a) iluminado e apenas um autor(a) isolado dessa solução. É no contexto de um momento de diálogo e de confronto construtivo, com humildade, e integrando “o que se quer fazer” no que já “existe e está bem feito”, que a política museológica e patrimonial portuguesa pode avançar.

Mudar ou não o Museu dos Coches, fazer ou não uma intervenção na Cordoaria, só acrescenta ou retira alguma coisa á política museológica de Portugal se os arquitectos e os museólogos peticionários viessem mostrar como isso se inseria no desenvolvimento urbano da Cidade e no projecto de transformação que está a ser implementado. E como isso permitia sermos mais competitivos na relação com os outros países; ou como isso tornaria a Cidade um centro europeu do Erasmus; ou um local mais multicultural do que os outros; ou como o trabalho museológico alcançava melhores resultados no Índice do Desenvolvimento Museal [IDM = IP+ID+IC / IR+IT], etc.. E, evidentemente, como esses episódios se conjugam com o PNACE (que é o programa definido para o desenvolvimento de Portugal), a nível económico, social, ambiental, cultural e patrimonial.

Mais grave do que mudar o Museu dos Coches, ou intervir nos Gabinetes do IPA na Cordoaria, são os falhanços nos novos projectos e nos novos museus. De que o caso do Museu do Oriente é o mais evidente.

O que se fez nesse Museu, os erros técnicos que se cometeram, isso sim, é um verdadeiro atentado à Cultura Portuguesa e ao crédito da museologia portuguesa. E esse falhanço, a nível museológico e museográfico, tem repercussões fatais. Mas podíamos referir também os elevadores de Foz Côa, e outros projectos da responsabilidade de muitos dos peticionários e protestantes que se alinham na comunicação social, alguns dos quais tiveram responsabilidade directa na política museológica e patrimonial.

E é mais grave, porque é com esses novos museus que se ganha ou perde a verdadeira oportunidade de fazer, na prática, uma renovação e uma transformação na política museológica portuguesa.

  Sobre este horror ao entendimento e ao trabalho em parceria, alguns dizem que é uma característica “cultural” dos portugueses. Outros dizem que é uma das causas do atraso do país.

 

Pedro Manuel Cardoso

19/02/2008

 


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