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Re: [Museum] In memoriam de Mestre Lagoa Henriques

To :   'José d'Encarnação' <jde@fl.uc.pt>, "'museum'" <museum@ci.uc.pt>
Subject :   Re: [Museum] In memoriam de Mestre Lagoa Henriques
From :   "Isabel Raposo" <isabelrmagalhaes@imc-ip.pt>
Date :   Wed, 25 Feb 2009 09:57:45 -0000

Title: Mensagem
Caro José d'Encarnação:
Contactei com o Mestre no percurso da ex-Escola Superior de Conservação e Restauro onde sempre foi um dos professores mais queridos pelos alunos.
Nessa altura, e por iniciativa dele, as provas de entrada decorriam no Claustro dos Jerónimos, copiando e interpretando as formas esculpidas pelo homem e desgastadas pelo tempo. Porque, num curso de conservação e restauro, interessava também aferir da capacidade de observação e interpretação, da sensibilidade e intuição dos futuros interventores no património nacional.
Uma figura inesquecível
Isabel Raposo de Magalhães
 
-----Mensagem original-----
De: museum-bounces@ci.uc.pt [mailto:museum-bounces@ci.uc.pt] Em nome de José d'Encarnação
Enviada: segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009 12:43
Para: museum
Assunto: [Museum] In memoriam de Mestre Lagoa Henriques

In memoriam de Mestre Lagoa Henriques

(Lisboa, 23.12.1923 – 21.02.2009)

 

            «Mestre» é, sem dúvida, a palavra adequada!

            Tive o privilégio de ser aluno de Lagoa Henriques, na cadeira de Escultura do Curso de Conservador de Museus (1972-1973), no Museu Nacional de Arte Antiga.

            Sim, o Curso era no museu, mas as aulas do Mestre foram sempre fora: ou no seu ateliê em Belém ou nas Belas-Artes – que a teoria precisava sempre de referências práticas, concretas, saber como se faz, como se olha....

            «Como se olha»! – essa foi uma das maiores lições que o Mestre nos incutiu: a educação do olhar! Olhar de frente, de lado, das mais variadas posições, pois que é o volume que distingue o monumento escultórica e, visto de diferentes ângulos, ele assume dinâmicas diversas – e é isso que o escultor pretende transmitir. Lembro-me que fiz para a cadeira a análise de «Jeune femme dançant avec son enfant», uma escultura de Joseph Bernard, que está defronte do Museu dos Condes de Castro Guimarães, em Cascais, precisamente vendo-a de todos os ângulos – e foi uma descoberta!

            Ainda não há muito tempo, quando o reencontrei, falávamos dessa sua experiência, que reputava enriquecedora: a de ter dado aulas a futuros conservadores de museus, pois que as esculturas carecem de ter, em ambiente museológico, uma respiração muito própria.

            Eram fascinantes as aulas, sem cansaço, participadas, esclarecedoras. Tínhamos bem presente um dos seus últimos trabalhos na altura, de que se orgulhava: o conjunto escultórico da fonte luminosa de Leiria, a simbolizar a união do Lis e Lena, que viria a ser inaugurado no Dia da Cidade (22 de Maio de 1973). E o Mestre falava-nos com emoção desta sua vontade de trazer a escultura para o meio das gentes. Por isso, o Fernando Pessoa lá está, hoje, a dialogar connosco, com todos, em frente à Brasileira! E o António Aleixo, em Loulé! E o Alves Redol, nu, numa praça de Vila Franca de Xira!…

            Sobre a obra de Mestre António Augusto Lagoa Henriques, além do que se escreve no seu portal oficial –

www.lagoahenriques.com/ – muito se há-de ainda dizer. Ficar-nos-á, porém, sempre a imagem… do grande Mestre!

            Que descanse em paz!

 

                                                                                  José d'Encarnação

 


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