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[Museum] Reunião do ICOM em Lisboa

To :   "museum" <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] Reunião do ICOM em Lisboa
From :   José d'Encarnação <jde@fl.uc.pt>
Date :   Fri, 13 Mar 2009 07:31:18 -0000

Title: Mensagem
 -----Mensagem original-----
De: Isabel Tissot [mailto:isabeltissot@gmail.com]
Enviada: terça-feira, 10 de Março de 2009 8:34
Otava, Canadá, 10 Mar (Lusa) - A presidente do Comité de Conservação do Conselho Internacional de Museus (ICOM CC), Marie-Claude Corbeil, disse esperar que a reunião marcada para Lisboa em 2011 contribua para a adesão de países lusófonos e elogiou a organização portuguesa do evento.
Portugal irá ser o anfitrião da próxima reunião trienal do ICOM CC, que decorrerá em Lisboa de 19 a 23 de Setembro de 2011, nomeação que ganhou no final de Setembro do ano passado.
Marie-Claude Corbeil desloca-se esta semana a Lisboa para participar, nos dias 12 e 13, numa reunião preparatória do encontro de 2011 do organismo a que preside, o qual é o maior comité internacional do ICOM, totalizando 1.700 profissionais de museus e da conservação.
Em entrevista à Lusa em Otava, exprimiu a esperança de que o encontro de Lisboa sirva, em primeiro lugar, para alargar a rede, especialmente a países falantes do Português.
"Espero - disse - que estejam presentes, não apenas participantes de Portugal, mas também do Brasil. Tivemos uma reunião no Brasil e foi um passo em frente para angariarmos pessoas da América do Sul. Gostaríamos de os ter de novo e a participarem [na reunião de Lisboa]. Tenho igualmente grandes esperanças nesta equipa da comissão organizadora nacional [portuguesa]".
"Acho que é uma boa equipa e que vamos aprender com ela", acrescentou a responsável, uma cientista em conservação canadiana que profissionalmente é chefe da divisão do Laboratório de Pesquisa Analítica do Instituto Canadiano da Conservação (ICC), na capital canadiana.
A organização da reunião trienal é um dos principais objectivos do seu mandato, a par da participação na conferência geral do ICOM e da análise de temáticas estratégicas como o ensino e formação na área da conservação, o futuro e a criação de normas-padrão na área da conservação.
Quanto ao tema "Património cultural versus identidade cultural - o papel da conservação" da reunião de Lisboa, Marie-Claude Corbeil salientou ser uma questão que motiva actualmente um grande debate e constitui um desafio.
"Num momento em que existe uma vontade crescente de adoptar práticas comuns e de partilhar experiências, procuramos, ao mesmo tempo, assegurar a defesa da identidade, por estarmos a trabalharmos num domínio de património cultural", assinalou.
Esta situação é, na sua opinião, particularmente evidente na Europa, pois "hoje em dia há um receio, na Europa, dentro da União Europeia, por as pessoas quererem preservar as suas diferenças e o que pensam ser distinto, mas ao mesmo tempo terem de obedecer a regras, por exemplo no comércio".
A União Europeia está a insistir na criação de normas-padrão, indicou, e "quando se começa a puxar numa determinada direcção isso acaba por ter enormes repercussões em outros países", incluindo a América do Norte e o resto do mundo.
Outro dos domínios onde existe notória diferença entre os modelos europeu e norte-americano é o da educação e formação de conservadores e cientistas na área da conservação.
"A Europa [UE] quer impor neste momento para a área da conservação o nível educativo do processo de Bolonha. Há que ter em atenção que, em outros países, o máximo que existe é um nível de mestrado e em outros nem sequer há um nível de mestrado", alertou Marie-Claude Corbeil.
O impulso europeu justifica-se em boa parte pela necessidade de garantir a liberdade de circulação dos profissionais que pretendem trabalhar em outros países, "mas, quando se começa a fazer isso, é inevitável - disse - que os outros países sigam os mesmos passos"
Ao nível educativo, a responsável preconizou como importantes um nível de mestrado ou mesmo um doutoramento, sublinhando que o domínio da conservação é uma área interdisciplinar, interligada a outros estudos como a arqueologia ou a arquitectura, que se se devem juntar uma crucial dose de experiência.
Além disso, notou, não há graus de licenciatura ou bacharelato em conservação no Canadá.
O ICOM é uma organização internacional não-governamental de museus e de profissionais de museus criada em 1946 e que mantém relações com a UNESCO (Nações Unidas). Dedica-se à conservação, protecção e divulgação do património natural e cultural mundial
O organismo, ao qual o ICOM CC pertence, totaliza 26 mil membros de 151 países.
Portugal é um dos membros do ICOM, participando nele por intermédio do seu comité nacional, criado em 1948.

EF.
Lusa/Fim

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