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-----Mensagem original----- De: Isabel Tissot
[mailto:isabeltissot@gmail.com] Enviada: terça-feira, 10 de Março de
2009 8:34
Otava, Canadá, 10 Mar (Lusa) - A presidente do Comité
de Conservação do Conselho Internacional de Museus (ICOM CC), Marie-Claude
Corbeil, disse esperar que a reunião marcada para Lisboa em 2011 contribua
para a adesão de países lusófonos e elogiou a organização portuguesa do
evento. Portugal irá ser o anfitrião da próxima reunião trienal do ICOM
CC, que decorrerá em Lisboa de 19 a 23 de Setembro de 2011, nomeação que
ganhou no final de Setembro do ano passado. Marie-Claude Corbeil
desloca-se esta semana a Lisboa para participar, nos dias 12 e 13, numa
reunião preparatória do encontro de 2011 do organismo a que preside, o qual
é o maior comité internacional do ICOM, totalizando 1.700 profissionais de
museus e da conservação. Em entrevista à Lusa em Otava, exprimiu a
esperança de que o encontro de Lisboa sirva, em primeiro lugar, para alargar
a rede, especialmente a países falantes do Português. "Espero - disse -
que estejam presentes, não apenas participantes de Portugal, mas também do
Brasil. Tivemos uma reunião no Brasil e foi um passo em frente para
angariarmos pessoas da América do Sul. Gostaríamos de os ter de novo e a
participarem [na reunião de Lisboa]. Tenho igualmente grandes esperanças
nesta equipa da comissão organizadora nacional [portuguesa]". "Acho que
é uma boa equipa e que vamos aprender com ela", acrescentou a responsável,
uma cientista em conservação canadiana que profissionalmente é chefe da
divisão do Laboratório de Pesquisa Analítica do Instituto Canadiano da
Conservação (ICC), na capital canadiana. A organização da reunião trienal
é um dos principais objectivos do seu mandato, a par da participação na
conferência geral do ICOM e da análise de temáticas estratégicas como o
ensino e formação na área da conservação, o futuro e a criação de
normas-padrão na área da conservação. Quanto ao tema "Património cultural
versus identidade cultural - o papel da conservação" da reunião de Lisboa,
Marie-Claude Corbeil salientou ser uma questão que motiva actualmente um
grande debate e constitui um desafio. "Num momento em que existe uma
vontade crescente de adoptar práticas comuns e de partilhar experiências,
procuramos, ao mesmo tempo, assegurar a defesa da identidade, por estarmos a
trabalharmos num domínio de património cultural", assinalou. Esta
situação é, na sua opinião, particularmente evidente na Europa, pois "hoje
em dia há um receio, na Europa, dentro da União Europeia, por as pessoas
quererem preservar as suas diferenças e o que pensam ser distinto, mas ao
mesmo tempo terem de obedecer a regras, por exemplo no comércio". A
União Europeia está a insistir na criação de normas-padrão, indicou, e
"quando se começa a puxar numa determinada direcção isso acaba por ter
enormes repercussões em outros países", incluindo a América do Norte e o
resto do mundo. Outro dos domínios onde existe notória diferença entre os
modelos europeu e norte-americano é o da educação e formação de
conservadores e cientistas na área da conservação. "A Europa [UE] quer
impor neste momento para a área da conservação o nível educativo do processo
de Bolonha. Há que ter em atenção que, em outros países, o máximo que existe
é um nível de mestrado e em outros nem sequer há um nível de mestrado",
alertou Marie-Claude Corbeil. O impulso europeu justifica-se em boa parte
pela necessidade de garantir a liberdade de circulação dos profissionais que
pretendem trabalhar em outros países, "mas, quando se começa a fazer isso, é
inevitável - disse - que os outros países sigam os mesmos passos" Ao
nível educativo, a responsável preconizou como importantes um nível de
mestrado ou mesmo um doutoramento, sublinhando que o domínio da conservação
é uma área interdisciplinar, interligada a outros estudos como a arqueologia
ou a arquitectura, que se se devem juntar uma crucial dose de
experiência. Além disso, notou, não há graus de licenciatura ou
bacharelato em conservação no Canadá. O ICOM é uma organização
internacional não-governamental de museus e de profissionais de museus
criada em 1946 e que mantém relações com a UNESCO (Nações Unidas). Dedica-se
à conservação, protecção e divulgação do património natural e cultural
mundial O organismo, ao qual o ICOM CC pertence, totaliza 26 mil membros
de 151 países. Portugal é um dos membros do ICOM, participando nele por
intermédio do seu comité nacional, criado em
1948.
EF. Lusa/Fim
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