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Re: [Museum] Instalar o Museu Nacional de Arqueologia e o Museu Nacional de Etnologia em Coimbra?

To :   Pedro Manuel Cardoso <pcardoso@sejd.gov.pt>
Subject :   Re: [Museum] Instalar o Museu Nacional de Arqueologia e o Museu Nacional de Etnologia em Coimbra?
From :   ajcmn@sapo.pt
Date :   Wed, 24 Jun 2009 23:22:47 +0100



SENHORAS E SENHORAS

O que se pasa com a museologia em Portugal?  Palpites e mais palpites sobre os museus nacionais e deixam-se ao abandono sem profissionais de museologia, sem edifícios adequados, sem orçamentos. O que se passa? Mais museus nacionais? E deixa-se o Museu Nacional de Arte Antiga, o Museu Nacional de Arqueologia, o Museu Nacional do Azulejo, o Museu Nacional de Etnologia, O Museu de Arte Popular sem uma intervenção que os torne uma referência internacional para atrair turistas a Porrtugal? As capitais da Europa têm dado nova imagem aos museus, tornando-os atraentes e com inovações para melhor comunicar com os públicos nacionais e estrangeiros. Continuamos com amadorismos e improvisações, porque se desprezam os profissionais de museologia.

Basta de amadorismos. Os museus  devem ser entregues a museólogos para acabar com toda a farsa que se tem vivido desde há vários anos na museologia portuguesa. Basta de tanta incompetência. Não é só caso do Museu dos Coches e do Museu de Arte Popular. Estes são os exemplos que hoje estão mais em evidência. Faça-se um exame geral sobre todos os museus nacionais ou dependentes do Ministério da Cultura para se conhecer a realidade.


António Nabais





Citando Pedro Manuel Cardoso <pcardoso@sejd.gov.pt>:

Instalar o Museu Nacional de Arqueologia e o Museu Nacional de Etnologia em Coimbra?

 

Recentemente, em Junho, foi-me endereçado um convite para participar num “grupo de trabalho”, com o objectivo de ajudar a construir uma proposta para a instalação dos Museus Nacionais de Arqueologia e de Etnologia em Coimbra.

Uma iniciativa que partiu da dita «sociedade civil», reunindo alguns ilustres colegas e instituições prestigiadas na sociedade portuguesa.

É raro, e os «poderes públicos» juntamente com o «associativismo corporativo», não estão habituados a este tipo de dinamismo da Sociedade. São iniciativas que, talvez, se acolham na famosa declaração de E. Kennedy, de que os cidadãos devem perguntar-se a si, e devem tomar por sua a responsabilidade, de fazerem muito mais pelo Estado do que esperarem passivamente que ele lhes resolva todos os problemas. Estamos convictos de que esta lacuna, da falta de uma «cultura» de iniciativa e empreendedorismo, que não está à espera de um lugar confortável na máquina do Estado, ou de um esquema de subsídio-dependência, é um desafio que a futura geração terá que resolver com urgência.

Aceitei participar por várias razões. Das que merecem ser aqui mencionadas, por poderem eventualmente contribuir para o debate sobre a Museologia - enquanto saber responsável pelo Património - refiro apenas três:

  • Sendo o Património um “elemento estruturante da identidade nacional”, como refere a Lei, e Coimbra um local de confluência entre a “cultura atlântica” e a “cultura mediterrânea”, que, como é sabido, constituem do ponto de vista antropológico essa identidade nacional, não me parece errado para potenciar aquele factor de identidade e de pertença. Sobretudo num momento global de acelerada mudança técnica e cultural que exige de Portugal respostas fortes e eficazes.
  • Havendo a possibilidade de Coimbra passar a pertencer ao Património da Humanidade, sobretudo através do dinamismo e da competência científica da Universidade de Coimbra, essas duas valências («etnologia» e «arqueologia») poderiam reforçar essa zona central do País como um pólo de competitividade (“cluster”) a nível cultural, patrimonial e científico.
  • Na próxima, e difícil, negociação dos «fundos comunitários», essa região central tem fortes possibilidades de colher alguns desses benefícios financeiros, pelo facto de ser considerada uma “região de convergência”. Carenciada, diga-se com coragem, por falta de uma visão estratégica que persistiu desde o Estado Novo. Mas que, por isso, permite, muito mais do que a “região de Lisboa e Vale do Tejo”, obter esse apoio financeiro. Que é, como sabemos, a condição prática para as obras saírem do papel e se realizarem. Permitindo ainda diminuir o esforço do “orçamento do Estado”.
  • Esta mudança dos referidos museus, e a construção do tal pólo de competitividade cultural em Coimbra, permitiria impulsionar a reforma que os desafios do presente e do futuro exigem a Portugal em termos da política museológica e patrimonial.

 

Espero que o inevitável debate que este Projecto vai provocar, e o exercício de construção de um futuro melhor para a Museologia enquanto saber responsável pela gestão do Património que ele potencia, não sejam destruídos pela usual avalanche de petições e protagonismos individuais. Isso seria restringir e esvaziar, no fogo-fátuo das dores-de-cotovelo e das pequeninas invejas, o essencial da questão.

 

Pedro Manuel Cardoso

24/07/2009

 


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