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Instalar o Museu Nacional de Arqueologia e o Museu
Nacional de Etnologia em Coimbra? O contributo do
Dr. Tiago Boavida é extremamente lúcido e pertinente. E acrescenta,
aos outros argumentos, um aspecto crucial. Que tem a ver, agora, com o
conhecimento propriamente museológico. Com a sustentabilidade,
não apenas «política», «administrativa» ou «financeira», mas também
«científica» e «técnica» no domínio da teoria e da prática museal. Permita, Dr.
Tiago Boavida, que cite essa parte: “Para
além disso, há todo o ensino e investigação da UC nas áreas da história da
arte, arquitectura, arqueologia, antropologia, etnologia, museologia,
restauro…”. A instalação (ou
reinstalação) de museus deve ter por base um conhecimento rigoroso e
aprofundado da Museologia. Não uma museologia «amadora e diletante», mas uma
museologia actualizada, concebida como um ramo do saber aplicado. Assim, é
importante aferir, na construção de propostas e de projectos, a
sustentabilidade do “processo
museológico”, a definição clara do “objecto museológico” e do “objecto patrimonial”, e o “índice de avaliação do trabalho e do objectivo museal”.
Exactamente como referi nas mensagens n.º 375, 376 e 377 enviadas para a
“Lista Museum”, sob os títulos “Museologia e Reconstituição da Realidade a Musealizar”,
“Qual a relação da Museologia com o
Património?” e “Museologia
Léxico Museu da Gestualidade”. Resultados do trabalho de
investigação que fizemos, e que está publicado e depositado na Biblioteca
Nacional. É num conceito
de «objecto» que inclua simultaneamente a
[materialidade-oralidade-gestualidade-iconicidade] que a “Identidade Patrimonial”
e a “Integridade Patrimonial” se podem gerir correctamente. E neste caso,
parece-nos pertinente, que seja no contínuo
humano, que liga a materialidade e a iconicidade da Arqueologia à
intencionalidade da acção humana dada pela Etnologia, que se conceba o
“processo museológico”. E, portanto,
não me parece negativo que se perspective, de uma forma nova e inovadora, a
reinstalação dos dois Museus Nacionais. Nem que seja uma desvantagem que serem
inseridos na valiosa malha patrimonial que Coimbra é, e que, sem quaisquer
dúvidas, representa muito para a própria Identidade Nacional. Comparar o
carácter fragmentado e os limites expográficos que os actuais dois Museus
Nacionais oferecem ao País, com as possibilidades deste novo projecto, é assaz
elucidativo. O que está em
causa (mais do que a contagem aritmética dos visitantes) é a qualidade da narrativa sobre nós mesmos, e sobre o
nosso lugar no percurso humano. E as consequências e o impacto que essa opção
terá para sermos melhores a nível cultural, científico e humano. Recebi muitas
mensagens. E aproveito para responder á parte daquelas que, em termos quase
inquisitórios, me exigiam que dissesse o nome das pessoas. Respondi-lhes
tal como vou responder agora: - Não façamos deste projecto um motivo para disputas partidárias. O Povo, brevemente, irá legitimar os seus
novos governantes. Sejamos sábios. Dêmos tempo a esse tempo. E «quem é quem»
nesta iniciativa não necessita de qualquer licença para se anunciar. Fá-lo-á
quando achar oportuno, e no sítio que for adequado. Até lá, como
referi na mensagem inicial, espero que o inevitável debate que este Projecto vai provocar - e o
exercício de construção de um futuro melhor para a Museologia (enquanto saber
responsável pela gestão do Património) que ele potencia - não
sejam destruídos pela usual avalanche de petições e protagonismos individuais.
Porque isso seria restringir e esvaziar o essencial da questão. Pedro Manuel Cardoso 26/06/2009 |
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