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[Museum] MNF e colecções portuguesas de paleontologia no Museu Geológico de Portugal

To :   Museum@ci.uc.pt
Subject :   [Museum] MNF e colecções portuguesas de paleontologia no Museu Geológico de Portugal
From :   António Correia <avantecomuna@iol.pt>
Date :   Tue, 27 Oct 2009 07:08:03 +0000

A implementação do Museu Nacional Ferroviário, MNF, no Entroncamento, reiniciada em 1996, constituiu uma importante afirmação dos “amigos do caminho-de-ferro” por ter constituído um momento único em que os ditos se juntaram em torno de uma causa que parecia perdida. Um acto que contou com o incondicional apoio do então presidente da autarquia, José Pereira da Cunha, ferroviário de profissão. Não se pode dizer que esta causa tenha sido integralmente ganha, num país de ideias híbridas de alguns que chagam a determinados cargos de decisão, sem o discernimento científico necessário dos respectivos processos e dão em inventar projectos mirabolantes, gastadores de dinheiros do erário público, falsas quimeras irrealizáveis, e mesmo se o fossem, projectos de dúbios fins, visceralmente afastados da verdadeira essência das coisas. Por mais que se diga e queira, um museu do caminho-de-ferro tem que ter vida, comboios a mexer daqueles com sabor a fumo e a história. E nada disso ou disto foi ainda feito no Entroncamento. Construiu-se uma rotunda de locomotivas sem unidade museológica no que se refere ao seu discurso museográfico, não conta história nenhuma, não abriga convenientemente os veículos ferroviários violando desta forma normas básicas de conservação e restauro. Era preciso abrir qualquer coisa e a qualquer preço fosse de que modo fosse, eis o que sucedeu. E naquele mausoléu de comboios não há uma única peça que mexa, trabalhe, faça barulho, apite ou deite fumo. Como se isso não bastasse, o Entroncamento que perdeu a causa do museu polinucleado projecto que visava criar uma verdadeira rede de núcleos museológicos e respectivos depósitos de apoio, parece cada vez mais acomodada à ideia que o museu está feito com um dado acrescido muito preocupante. A sua importante reserva museológica constituída por exemplares únicos e valiosos só aqui existentes, uma das melhores da Europa, correm de novo o risco de uma incompreensível delapidação por não se chegar a acordo no que se refere à sua preservação. Aquando do exercício do cargo de presidente deste museu, foi uma preocupação sempre presente, constituir e definir uma rede de espaços de apoio ao MNF, obviamente disseminados pelo território nacional ferroviário, aproveitando infra-estruturas existentes para preservar e porque não mostrar e exibir o acervo que aí se encontrasse resguardado como convém lembrar, e a título de exemplo, Vendas Novas, Vª Real de Sº. António, Elvas, Nine, Régua, Pocinho, para além de outros locais possíveis a funcionar como antenas do próprio MNF. Diz-se à boca cheia pelo Entroncamento que a reserva museológica ali existente bem como importantes peças depositadas noutros locais correm sérios riscos de sobrevivência. Estamos de novo perante um estranho fenómeno do Entroncamento. Numa terra que se diz de comboios, onde não faltam quintinhas, linhas e espaços ferroviários, ainda não se ter chegado a acordo para definir um espaço definitivo que albergue nas devidas condições, o espólio em causa. E já agora, porque não vem nenhum mal ao mundo por isso, que essa reserva fosse visitável como sucede em muitos museus congéneres. Ao Dr. Jorge Custódio, indefectível museólogo e defensor de causas, deixo este desafio não sem contar com o apoio de muitos outros que sentem também estas causas como suas e estão sempre solícitos para dar uma ajuda, sabendo que a preservação do comboio presidencial, um projecto que parece ter pernas para andar, pode ser o corolário do relançamento de um museu ferroviário com essência.
António Pinto Pires
Professor e Museólogo
Covilhã
http://www.oribatejo.pt/2009/10/coleccao-do-museu-ferroviario-em-risco/

Um bom exemplo de investimento no Património industrial é o Governo do Canadá
http://www.marketwire.com/press-release/Canadian-Heritage-1065348.html

Outro bom exemplo chega-nos da Nova Zelândia
http://www.nzherald.co.nz/nz/news/article.cfm?c_id=1&objectid=10605540

No que toca à Paleontologia estão patentes no Museu Geológico de Portugal as mais notáveis peças das colecções portuguesas de paleontologia, de arqueologia pré-histórica e de mineralogia vão estar expostas ao público no Museu Geológico de Portugal, em Lisboa, de 27 de Outubro a 30 de Abril de 2010. Intitulada “As 27 primeiras maravilhas do Museu Geológico de Portugal”, esta exposição pretende dar a conhecer excepcionais testemunhos da história do território português e dos antepassados, animais e plantas que nele viveram ao longo de milhões de anos. “Quando já tanto se falou das maravilhas do Mundo e de Portugal, julgamos oportuno trazer a público outro tipo de “maravilhas” cuja dificuldade esteve em escolher 27 por entre tantas”, sublinhou a organização da exposição.

Entre as relíquias expostas, os visitantes poderão admirar o Meteorito do Monte das Fortes (caído em Portugal em 1950), a Bacia de um Omosaurus lennieri (dinossauro herbívoro encontrado na zona de Lourinhã-Peniche-Caldas da Rainha) e o crânio de um super-crocodilo que viveu há 12 milhões de anos na actual zona de Chelas.

Estarão também patentes uma árvore com cinco milhões de anos, uma flor com 470 milhões de anos, o fóssil de cão que viveu há seis mil anos e objectos de há cinco mil anos a.C, descobertas que resultaram do trabalho de sucessivas gerações de investigadores e técnicos, que começou há mais de 150 anos.


António Correia




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