[Museum] MNF e colecções portuguesas de paleontologia no Museu Geológico de Portugal
A implementação do Museu Nacional Ferroviário, MNF, no Entroncamento,
reiniciada em 1996, constituiu uma importante afirmação dos “amigos do
caminho-de-ferro” por ter constituído um momento único em que os ditos
se juntaram em torno de uma causa que parecia perdida. Um acto que
contou com o incondicional apoio do então presidente da autarquia,
José Pereira da Cunha, ferroviário de profissão.
Não se pode dizer que esta causa tenha sido integralmente ganha, num
país de ideias híbridas de alguns que chagam a determinados cargos de
decisão, sem o discernimento científico necessário dos respectivos
processos e dão em inventar projectos mirabolantes, gastadores de
dinheiros do erário público, falsas quimeras irrealizáveis, e mesmo se
o fossem, projectos de dúbios fins, visceralmente afastados da
verdadeira essência das coisas.
Por mais que se diga e queira, um museu do caminho-de-ferro tem que
ter vida, comboios a mexer daqueles com sabor a fumo e a história. E
nada disso ou disto foi ainda feito no Entroncamento.
Construiu-se uma rotunda de locomotivas sem unidade museológica no que
se refere ao seu discurso museográfico, não conta história nenhuma,
não abriga convenientemente os veículos ferroviários violando desta
forma normas básicas de conservação e restauro. Era preciso abrir
qualquer coisa e a qualquer preço fosse de que modo fosse, eis o que
sucedeu. E naquele mausoléu de comboios não há uma única peça que
mexa, trabalhe, faça barulho, apite ou deite fumo.
Como se isso não bastasse, o Entroncamento que perdeu a causa do museu
polinucleado projecto que visava criar uma verdadeira rede de núcleos
museológicos e respectivos depósitos de apoio, parece cada vez mais
acomodada à ideia que o museu está feito com um dado acrescido muito
preocupante. A sua importante reserva museológica constituída por
exemplares únicos e valiosos só aqui existentes, uma das melhores da
Europa, correm de novo o risco de uma incompreensível delapidação por
não se chegar a acordo no que se refere à sua preservação.
Aquando do exercício do cargo de presidente deste museu, foi uma
preocupação sempre presente, constituir e definir uma rede de espaços
de apoio ao MNF, obviamente disseminados pelo território nacional
ferroviário, aproveitando infra-estruturas existentes para preservar e
porque não mostrar e exibir o acervo que aí se encontrasse resguardado
como convém lembrar, e a título de exemplo, Vendas Novas, Vª Real de
Sº. António, Elvas, Nine, Régua, Pocinho, para além de outros locais
possíveis a funcionar como antenas do próprio MNF.
Diz-se à boca cheia pelo Entroncamento que a reserva museológica ali
existente bem como importantes peças depositadas noutros locais correm
sérios riscos de sobrevivência.
Estamos de novo perante um estranho fenómeno do Entroncamento. Numa
terra que se diz de comboios, onde não faltam quintinhas, linhas e
espaços ferroviários, ainda não se ter chegado a acordo para definir
um espaço definitivo que albergue nas devidas condições, o espólio em
causa. E já agora, porque não vem nenhum mal ao mundo por isso, que
essa reserva fosse visitável como sucede em muitos museus congéneres.
Ao Dr. Jorge Custódio, indefectível museólogo e defensor de causas,
deixo este desafio não sem contar com o apoio de muitos outros que
sentem também estas causas como suas e estão sempre solícitos para dar
uma ajuda, sabendo que a preservação do comboio presidencial, um
projecto que parece ter pernas para andar, pode ser o corolário do
relançamento de um museu ferroviário com essência.
António Pinto Pires
Professor e Museólogo
Covilhã
http://www.oribatejo.pt/2009/10/coleccao-do-museu-ferroviario-em-risco/
Um bom exemplo de investimento no Património industrial é o Governo do Canadá
http://www.marketwire.com/press-release/Canadian-Heritage-1065348.html
Outro bom exemplo chega-nos da Nova Zelândia
http://www.nzherald.co.nz/nz/news/article.cfm?c_id=1&objectid=10605540
No que toca à Paleontologia estão patentes no Museu Geológico de
Portugal as mais notáveis peças das colecções portuguesas de
paleontologia, de arqueologia pré-histórica e de mineralogia vão estar
expostas ao público no Museu Geológico de Portugal, em Lisboa, de 27
de Outubro a 30 de Abril de 2010.
Intitulada “As 27 primeiras maravilhas do Museu Geológico de
Portugal”, esta exposição pretende dar a conhecer excepcionais
testemunhos da história do território português e dos antepassados,
animais e plantas que nele viveram ao longo de milhões de anos.
“Quando já tanto se falou das maravilhas do Mundo e de Portugal,
julgamos oportuno trazer a público outro tipo de “maravilhas” cuja
dificuldade esteve em escolher 27 por entre tantas”, sublinhou a
organização da exposição.
Entre as relíquias expostas, os visitantes poderão admirar o Meteorito
do Monte das Fortes (caído em Portugal em 1950), a Bacia de um
Omosaurus lennieri (dinossauro herbívoro encontrado na zona de
Lourinhã-Peniche-Caldas da Rainha) e o crânio de um super-crocodilo
que viveu há 12 milhões de anos na actual zona de Chelas.
Estarão também patentes uma árvore com cinco milhões de anos, uma flor
com 470 milhões de anos, o fóssil de cão que viveu há seis mil anos e
objectos de há cinco mil anos a.C, descobertas que resultaram do
trabalho de sucessivas gerações de investigadores e técnicos, que
começou há mais de 150 anos.
António Correia
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