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Museologia e Património no
XVIII Governo
Estão
prestes a iniciar os trabalhos da nova legislatura. Neste
novo começo, faço votos para que se dê á Museologia o papel que
merece na condução dos destinos do Património, e da sua gestão. Só com
o reforço da Museologia -
enquanto ramo do saber e disciplina do conhecimento científico - se poderá colocar o
Património ao serviço do Desenvolvimento e da Cultura de
Portugal. É essa
a premissa. Ela exige que, gradualmente, se abandone o caminho fragmentado que
nas últimas décadas infelizmente se consolidou. Um caminho que submeteu a Museologia
ao domínio das diversas especialidades e disciplinas científicas (arqueologia,
etnologia, história de arte, conservação, biblioteconomia, arquitectura,
curadoria, marketing e design de comunicação, etc.). A
herança e o legado - que
temos a responsabilidade de transmitir e reconstituir para os presentes e
vindouros - não
podem continuar a ser partidos e destroçados desta forma organizacional e
metodológica. Dispersos por compartimentos e departamentos que concebem o seu
futuro como reinos autónomos. Este método de gerir o Património em Portugal tem
sido a causa dos inúmeros conflitos, a maioria deles estéreis e despojados de
conteúdo pertinente. Que se agudizaram na proporção directa dessa fragmentação
e dessa visão quebrada do Património. E que menorizam a valia técnica e o
inestimável contributo de muitos dos mais prestigiados profissionais
portugueses. As
petições, os manifestos e os grupos de combate reivindicativo são sinais da
respiração democrática. Podem ser vistos também como exercícios salutares de
cidadania. Mas escondem este erro estratégico, embora continuem a ser as outras
duas coisas. Como
referi anteriormente, nesta Museum Lista, o Património Pleno exige uma Museologia
para sua condutora. Se o
fosse, o Património seria gerido na simultaneidade da materialidade, da oralidade,
da gestualidade e da iconicidade. Que deve ser o conceito
operatório de objecto patrimonial com que se deve trabalhar. E não
ouvirmos e assistirmos às recentes ameaças de uma nova e estúpida ruptura,
agora entre imaterial e material. Mas a gestão do património seria também
guiada por um índice de avaliação do trabalho museal que considerava não
apenas a preservação, a documentação/investigação, a comunicação,
mas também os coeficientes de transmissibilidade e de reconstituição.
Que são a finalidade principal de toda a gestão patrimonial. Que o
sentido primeiro de Museu seja recuperado. Ou, de
outro modo dito, que os actuais representantes de Zeus e Minemosine permitam,
lá bem nas entranhas dos espaços do Património, que as nove musas façam o que
faziam antigamente, na metáfora da Hélade. Para que o Poder e a Memória nesta
legislatura assim, novamente casados, dêem á Cultura Portuguesa aquilo que ela
merece no contexto global das nações. São
estes os votos que faço. Pedro
Manuel Cardoso Museu da Gestualidade |
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