Subescrevo este texto. A museologia tem sido mal tratada, porque tem sido
entregue nas mãos de toda a gente, menos ao cuidado
dos museólogos. Vejam quantos profissionais especializados em
museologia estão nos museus portugueses?
Basta. É tempo de mudar.
António
Nabais
Citando Pedro Manuel Cardoso mty@mail.tmn.pt:
Museologia e Património no XVIII Governo
Estão prestes a iniciar os trabalhos da nova legislatura.
Neste novo começo, faço votos para que se dê á Museologia o papel que merece na condução dos destinos do Património, e da sua gestão.
Só com o reforço da Museologia - enquanto ramo do saber e disciplina do conhecimento científico - se poderá colocar o Património ao serviço do Desenvolvimento e da Cultura de Portugal.
É essa a premissa. Ela exige que, gradualmente, se abandone o caminho fragmentado que nas últimas décadas infelizmente se consolidou. Um caminho que submeteu a Museologia ao domínio das diversas especialidades e disciplinas científicas (arqueologia, etnologia, história de arte, conservação, biblioteconomia, arquitectura, curadoria, marketing e design de comunicação, etc.).
A herança e o legado - que temos a responsabilidade de transmitir e reconstituir para os presentes e vindouros - não podem continuar a ser partidos e destroçados desta forma organizacional e metodológica. Dispersos por compartimentos e departamentos que concebem o seu futuro como reinos autónomos. Este método de gerir o Património em Portugal tem sido a causa dos inúmeros conflitos, a maioria deles estéreis e despojados de conteúdo pertinente. Que se agudizaram na proporção directa dessa fragmentação e dessa visão quebrada do Património. E que menorizam a valia técnica e o inestimável contributo de muitos dos mais prestigiados profissionais portugueses.
As petições, os manifestos e os grupos de combate reivindicativo são sinais da respiração democrática. Podem ser vistos também como exercícios salutares de cidadania. Mas escondem este erro estratégico, embora continuem a ser as outras duas coisas.
Como referi anteriormente, nesta Museum Lista, o Património Pleno exige uma Museologia para sua condutora.
Se o fosse, o Património seria gerido na simultaneidade da materialidade, da oralidade, da gestualidade e da iconicidade. Que deve ser o conceito operatório de objecto patrimonial com que se deve trabalhar. E não ouvirmos e assistirmos às recentes ameaças de uma nova e estúpida ruptura, agora entre imaterial e material. Mas a gestão do património seria também guiada por um índice de avaliação do trabalho museal que considerava não apenas a preservação, a documentação/investigação, a comunicação, mas também os coeficientes de transmissibilidade e de reconstituição. Que são a finalidade principal de toda a gestão patrimonial.
Que o sentido primeiro de Museu seja recuperado.
Ou, de outro modo dito, que os actuais representantes de Zeus e Minemosine permitam, lá bem nas entranhas dos espaços do Património, que as nove musas façam o que faziam antigamente, na metáfora da Hélade. Para que o Poder e a Memória nesta legislatura assim, novamente casados, dêem á Cultura Portuguesa aquilo que ela merece no contexto global das nações.
São estes os votos que faço.
Pedro Manuel Cardoso
Museu da Gestualidade
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