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[Museum] FW: Museologia e Património no XVIII Governo

To :   <'ajcmn@sapo.pt'>
Subject :   [Museum] FW: Museologia e Património no XVIII Governo
From :   "Francisco Maduro-Dias " <francisco.rm.dias@azores.gov.pt>
Date :   Mon, 2 Nov 2009 12:02:18 -0100

 

Sem dúvida que também subscrevo.
O texto reúne, de modo organizado, estruturado e feliz, não apenas o essencial das nossas preocupações profissionais mas a própria questão de base que, de modo simples, se poderia exprimir nesta pergunta: Os museus servem para quê, o quê e quem?
O nosso colega António Nabais resume o tema doutro modo - ao estilo directo dele, aliás - ao chamar a atenção para o facto de todos entenderem dever poder "meter a colher na sopa", sobretudo desde que se garanta que os museólogos fiquem de lado.
Mas não se pode deixar que isto seja visto apenas como um combate corporativo, embora também o pudesse ser e com inteira legitimidade, no quadro actual do funcionamento das instituições em Portugal.
Um museu é um espaço de memória, informação, descoberta e intervenção cultural. É isso que tem de ser deixado SEMPRE claro e, aí, não só as diversas profissões chamadas a contribuir perceberão logo onde termina o seu espaço de manobra, como o natural trabalho dos museólogos aparecerá coo necessário e diferente.
 
 
Francisco Maduro-Dias

De: museum-bounces@ci.uc.pt [mailto:museum-bounces@ci.uc.pt] Em nome de ajcmn@sapo.pt
Enviada: domingo, 1 de Novembro de 2009 20:45
Para: Pedro Manuel Cardoso
Cc: museum@ci.uc.pt
Assunto: Re: [Museum] Museologia e Património no XVIII Governo


Subescrevo este texto. A museologia tem sido mal tratada, porque tem sido entregue nas mãos de toda a gente, menos ao cuidado dos museólogos.  Vejam quantos profissionais especializados em museologia estão nos museus portugueses?
Basta. É tempo de mudar.
António Nabais





Citando Pedro Manuel Cardoso mty@mail.tmn.pt:



Museologia e Património no XVIII Governo

Estão prestes a iniciar os trabalhos da nova legislatura.

Neste novo começo, faço votos para que se dê á Museologia o papel que merece na condução dos destinos do Património, e da sua gestão.

Só com o reforço da Museologia - enquanto ramo do saber e disciplina do conhecimento científico - se poderá colocar o Património ao serviço do Desenvolvimento e da Cultura de Portugal.

É essa a premissa. Ela exige que, gradualmente, se abandone o caminho fragmentado que nas últimas décadas infelizmente se consolidou. Um caminho que submeteu a Museologia ao domínio das diversas especialidades e disciplinas científicas (arqueologia, etnologia, história de arte, conservação, biblioteconomia, arquitectura, curadoria, marketing e design de comunicação, etc.).

A herança e o legado - que temos a responsabilidade de transmitir e reconstituir para os presentes e vindouros - não podem continuar a ser partidos e destroçados desta forma organizacional e metodológica. Dispersos por compartimentos e departamentos que concebem o seu futuro como reinos autónomos. Este método de gerir o Património em Portugal tem sido a causa dos inúmeros conflitos, a maioria deles estéreis e despojados de conteúdo pertinente. Que se agudizaram na proporção directa dessa fragmentação e dessa visão quebrada do Património. E que menorizam a valia técnica e o inestimável contributo de muitos dos mais prestigiados profissionais portugueses.

As petições, os manifestos e os grupos de combate reivindicativo são sinais da respiração democrática. Podem ser vistos também como exercícios salutares de cidadania. Mas escondem este erro estratégico, embora continuem a ser as outras duas coisas.

Como referi anteriormente, nesta Museum Lista, o Património Pleno exige uma Museologia para sua condutora.

Se o fosse, o Património seria gerido na simultaneidade da materialidade, da oralidade, da gestualidade e da iconicidade. Que deve ser o conceito operatório de objecto patrimonial com que se deve trabalhar. E não ouvirmos e assistirmos às recentes ameaças de uma nova e estúpida ruptura, agora entre imaterial e material. Mas a gestão do património seria também guiada por um índice de avaliação do trabalho museal que considerava não apenas a preservação, a documentação/investigação, a comunicação, mas também os coeficientes de transmissibilidade e de reconstituição. Que são a finalidade principal de toda a gestão patrimonial.

Que o sentido primeiro de Museu seja recuperado.

Ou, de outro modo dito, que os actuais representantes de Zeus e Minemosine permitam, lá bem nas entranhas dos espaços do Património, que as nove musas façam o que faziam antigamente, na metáfora da Hélade. Para que o Poder e a Memória nesta legislatura assim, novamente casados, dêem á Cultura Portuguesa aquilo que ela merece no contexto global das nações.

São estes os votos que faço.

Pedro Manuel Cardoso

Museu da Gestualidade


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