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Este é apenas um comentário, sem toda a profundidade
analítica que o tema mereceria, mas, mesmo assim,
aqui vai:
Gostaria de salientar aqui o modo como uma "eterna", digamos
assim, questiúncula entre museólogos e conservadores/restauradores foi resolvida
e ultrapassada.
De facto, tende-se a esquecer, por vezes, que o
papel fundamental de um museu passa pela sua relação com diversos e variados
públicos e interesses.
Sem peças o museu não poderá existir, mas sem comunicação também não é museu. É
armazém de possível e provável património cultural envolvido em teias de
aranha.
Ora, se é facto que, alterando peças, pode-se estar a
alterar os suportes de memória e de investigação, uma intervenção cuidada
como esta é fundamental, em benefício dessa mesma memória e
investigação.
Aliás, noutro contexto e por outro lado, a ideia da "magnífica
brancura clássica" é um conceito romântico do XIX mas não era assim na
antiguidade mediterrânica clássica...
Mas essa magnífica brancura acabou também por se tornar um
conceito que igualmente merecerá suporte de memória...
Enfim, gostei de ler e saber que ainda há museólogos neste
País.
Obrigado
Francisco R. Maduro-Dias De: museum-bounces@ci.uc.pt [mailto:museum-bounces@ci.uc.pt] Em nome de Isabel Luna Enviada: quarta-feira, 18 de Novembro de 2009 0:00 Para: museum@ci.uc.pt Assunto: Re: [Museum] [Archport] Inscrições romanas pintadas. Será sério?
A propósito desta questão, refiro o
exemplo do Museu Municipal Leonel Trindade, em Torres Vedras. Algumas das
epígrafes romanas em exposição foram "avivadas", há mais de uma década, através
da sua pintura a vermelho "pompeiano".
Sabia-se que muitas inscrições romanas eram pintadas, para uma boa visualização do seu texto, e conheciam-se os valores de autenticidade postulados pelos critérios de conservação patrimonial internacionalmente reconhecidos, com que esta prática poderia colidir. No entanto, algumas das peças torrienses eram de tal modo ilegíveis, que inviabilizavam o desempenho do seu papel museológico fundamental, na comunicação com os visitantes. A eventual
pintura de inscrições deve ser analisada casuisticamente, devendo apenas ser
assumida quando as peças não são legíveis de outra forma e quando se encontram
em determinados contextos museológicos ou pedagógicos, como é o caso de Idanha a
Velha. Mas mesmo nestes casos, é necessário garantir, de acordo com a análise
individualizada das peças, que toda a intervenção é passível de total
reversibilidade. O que implica, para além de técnicas de intervenção
apropriadas (utilizando produtos isoladores) que as epígrafes possuam
adequadas condições intrínsecas (não pintámos peças em arenito) e se
encontrem em ambientes perfeitamente controlados. Em Torres Vedras contámos com o apoio técnico do Museu de Conímbriga, ponderando sempre as vantagens e desvantagens do procedimento. Apesar de uma ou duas vozes discordantes, o processo foi praticamente pacífico.
Isabel Luna To : "archport" <archport@ci.uc.pt>
Subject : Re:
[Archport] Inscrições romanas pintadas. Será sério?
From : José
d'Encarnação <jde@fl.uc.pt>
Date : Mon, 9
Nov 2009 15:14:05 -0000
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