[Museum] Parabéns e más notícias
Em primeiro lugar
quero dar os parabéns ao Museu de Portimão, à sua equipa e a todos os que com
ele colaboraram até agora, ao momento em que foi possível "corporizá-lo": com
destaque para o meu amigo José Gameiro, mas também para o saudoso Jaime
Palhinha. E isso levou muito tempo. O esforço, e o trabalho de tantos anos,
foram agora recompensados. Parabéns!
Quero, porém, também
aproveitar para fazer uma correcção ao comunicado do Gabinete de Imprensa da
Câmara Municipal de Portimão, na linha de alguma imprensa que já publicou a
notícia, para dizer que não foi o Prémio Michelleti para melhor museu industrial
europeu aquele que o Museu de Portimão recebeu. O European Museum Forum Year
Award (EMYA) atribui todos os anos três prémios: o Prémio EMYA para
melhor museu europeu (em geral), o prémio do Conselho da Europa da
responsabilidade das instâncias comunitárias, por recomendação do European
Museum Forum (o agora atribuído a Portimão e antes ao Museu da Água de Lisboa) e
o Prémio Micheletti para melhor museu industrial europeu. Aliás, no Prémio
Micheletti temos até grandes provas dadas, pois Portugal já recebeu três:
Museu da Cortiça da Fábrica do Inglês, Silves (2001), Museu de Cerâmica em
Sacavém (2002) e Museu da Ciência da Universidade de Coimbra
(2008).
Feita esta
correcção, aproveito a ocasião para dar uma má notícia e compartilhar
preocupações que se prendem com um prémio Micheletti, anteriormente
referido: o Museu da Cortiça da Fábrica do Inglês, em Silves, e de que sou
director desde a primeira hora. Infelizmente, e depois de 10 anos de
funcionamento, da atribuição do importante prémio atrás referido em 2001, ano em
que as visitas ao museu ultrapassaram os 100 000 visitantes, o projecto
empresarial da Fábrica do Inglês, S.A. está à beira da insolvência e em risco de
cair na mão dos bancos por execução das hipotecas existentes. Com ainda cerca de
30 000 visitantes anuais, um património industrial corticeiro importante, e um
arquivo industrial que remonta a 1870 e, atrevo-me a dizer, nesta área talvez
único no mundo, tenho que compartilhar convosco a minha preocupação pelo seu
destino. Falido o projecto empresarial privado, e ainda que havendo passivos
importantes que importa honrar, perante bancos e accionistas privados, a
preservação do importante espaço arquitectónico presente, do património
industrial e da memória colectiva da cidade de Silves (capital da cortiça nos
finais do séc. XIX), requer de todos (silvenses, município e outros agentes
culturais) a capacidade para encontrar uma solução que evite o encerramento de
portas, a degradação e a eventual especulação imobiliária, logo que os tempos da
crise se ultrapassem.
Quis dar-vos a
triste notícia, compartilhar as minhas precupações e receber, caso queiram,
sugestões e ideias que viabilizem este projecto museológico, na altura inédito
na forma como associava o privado à reabilitação patrimonial, Jorge
Custódio e eu, entre muitos outros, pusemos de pé. Dar-vos-ei novas notícias do
assunto logo que as haja (está em cima da mesa das reuniões da Câmara Municipal
e já é motivo de aceso debate nos blogues do concelho).
Uma última palavra,
de quem muito já recebeu, mas pouco tem contribuído para esta lista:
obrigado a
todos os participantes e a quem a gere este "museu de notícias dos
museus".
Manuel
Francisco Castelo Ramos
"Director" do Museu
da Cortiça da Fábrica do Inglês
Silves