[Museum] «De dentro do armário»
Há certas notícias que, naturalmente, nos dão mais prazer que
outras. E o anúncio de que Apenas Livros - www.apenas-livros.com - acaba de
publicar «De dentro do armário» [ISBN: 978-989-618-277-9; Lisboa, Novembro
2009)] é para mim, como facilmente se imaginará, motivo de particular
orgulho. Primeiro, por Fernanda Frazão ter aceitado o meu desafio - bem
haja! Depois, como terão oportunidade de verificar os que, porventura,
venham a ler o livrinho, o tema está na linha do que sempre tenho
preconizado: à ciência deve aliar-se a arte!
Tudo nasceu. bem, vou deixar que seja a própria Autora, Sílvia
Laureano Costa, a dizê-lo, na «Nota Final» que teve a gentileza de incluir
no original para publicação:
Nota Final
Este texto, agora revisto, foi escrito no âmbito do Mestrado de
Museologia e Património Cultural da Faculdade de Letras da Universidade de
Coimbra, em 2007, pelo Professor Doutor José d'Encarnação, a quem agradeço
os ensinamentos transmitidos e a gentileza de ter proposto à Apenas Livros a
sua publicação.
O leitor encontrará a particularidade de uma linha ficcional
traçada a partir de um objecto etnográfico: a cantareira. Quanto à
personagem Maria Manuela, tem muito das inúmeras conversas que mantive com
algumas das mulheres da aldeia da Várzea, em particular com a filha do
antigo proprietário da casa aqui referida.
Aquando da escrita do texto, este edifício, localizado na aldeia
da Várzea de Calde, concelho de Viseu, vivia o seu processo de passagem a
museu. A Casa de Lavoura e Oficina do Linho acabaria por ser inaugurada em
Setembro de 2009, depois de um trabalho exaustivo, levado a cabo pelo
museólogo Alberto Correia.
Na verdade, foi pela mão deste investigador e homem
extraordinário que descobri alguns dos recantos da antropologia rural beirã:
a casa e o mundo do lavrador, o lugar das tecedeiras, as dezenas de tarefas
do ciclo do linho, as crenças, os mitos, as histórias dos trabalhos e dos
dias daqueles campos e daquela aldeia.
Em todos os testemunhos que recolhi, pude descortinar a
singeleza das verdades que se fizeram num outro tempo. Este tempo
prolonga-se no nosso, mesmo que de outro modo. Percebê-lo é escutar as vozes
e saborear os aromas trancados nos armários da memória.