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[Museum] «De dentro do armário»

To :   "museum" <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] «De dentro do armário»
From :   José d'Encarnação <jde@fl.uc.pt>
Date :   Thu, 10 Dec 2009 14:29:59 -0000

Há certas notícias que, naturalmente, nos dão mais prazer que outras. E o anúncio de que Apenas Livros - www.apenas-livros.com - acaba de publicar «De dentro do armário» [ISBN: 978-989-618-277-9; Lisboa, Novembro 2009)] é para mim, como facilmente se imaginará, motivo de particular orgulho. Primeiro, por Fernanda Frazão ter aceitado o meu desafio - bem haja! Depois, como terão oportunidade de verificar os que, porventura, venham a ler o livrinho, o tema está na linha do que sempre tenho preconizado: à ciência deve aliar-se a arte!

Tudo nasceu. bem, vou deixar que seja a própria Autora, Sílvia Laureano Costa, a dizê-lo, na «Nota Final» que teve a gentileza de incluir no original para publicação:



Nota Final



Este texto, agora revisto, foi escrito no âmbito do Mestrado de Museologia e Património Cultural da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, em 2007, pelo Professor Doutor José d'Encarnação, a quem agradeço os ensinamentos transmitidos e a gentileza de ter proposto à Apenas Livros a sua publicação.

O leitor encontrará a particularidade de uma linha ficcional traçada a partir de um objecto etnográfico: a cantareira. Quanto à personagem Maria Manuela, tem muito das inúmeras conversas que mantive com algumas das mulheres da aldeia da Várzea, em particular com a filha do antigo proprietário da casa aqui referida.

Aquando da escrita do texto, este edifício, localizado na aldeia da Várzea de Calde, concelho de Viseu, vivia o seu processo de passagem a museu. A Casa de Lavoura e Oficina do Linho acabaria por ser inaugurada em Setembro de 2009, depois de um trabalho exaustivo, levado a cabo pelo museólogo Alberto Correia.

Na verdade, foi pela mão deste investigador e homem extraordinário que descobri alguns dos recantos da antropologia rural beirã: a casa e o mundo do lavrador, o lugar das tecedeiras, as dezenas de tarefas do ciclo do linho, as crenças, os mitos, as histórias dos trabalhos e dos dias daqueles campos e daquela aldeia.

Em todos os testemunhos que recolhi, pude descortinar a singeleza das verdades que se fizeram num outro tempo. Este tempo prolonga-se no nosso, mesmo que de outro modo. Percebê-lo é escutar as vozes e saborear os aromas trancados nos armários da memória.



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