Parece-me bem criar um Museu Nacional de Arqueologia e um Museu Nacional de Etnologia em Coimbra, no Porto, em Faro, em Viseu, em Évora, em Santarém, Viana do Castelo, em Beja, etc. e noutros pontos do País, porque ainda temos património para esses museus, mas primeiro é necessário resolver os problemas dos Museus Nacionais de Arqueologia e de Etnologia de Lisboa. E o Museu de Etnologia do Porto? Continua no esquecimento. E os outros museus da tutela do IMC onde dominam as colecções de arqueologia e de etnologia? Parece-me urgente olhar para os museus existentes com profissionalismo e dar-lhes as soluções adequadas com profissionais de museologia (basta de amadorismos), instalações adequadas e orçamentos suficientes para o funcionamento e prestação de serviços à comunidade. Como é que agora vamos criar novos museus se os existentes continuam esquecidos pelas suas tutelas? Quantos museólogos existem nos nossos museus? Quantos objectos são incorporados por ano nos nossos museus? Para onde vai o património deste país que chegou até aos nossos dias? Para o estrangeiro, lixo, fogueira, enfim, abandono total. Fala-se muito em património imaterial, mas deixam-se morrer os profissionais tradicionais com os seus saberes(oleiros, moleiros, construtores navais, ferreiros, tecedeiras, cesteiros etc. e muitos outros artesãos) sem dar continuidade a essas actividades que garantiriam a preservação do património imaterial e material do nosso país.
António Nabais
Citando Pedro Manuel Cardoso <mty@mail.tmn.pt>:Instalar o Museu Nacional de Arqueologia e o Museu Nacional de Etnologia em Coimbra?
"No século XIX e início do século XX era frequente adaptarem-se espaços de antigos mosteiros e conventos. No século XXI isso é uma prática que já não é aceitável", disse ao PÚBLICO José Morais Arnaut, da AAP. "Os museus hoje têm determinadas exigências que só podem ser plenamente satisfeitas se forem instalados em edifícios feitos de raiz. Têm que ter um espaço grande para as reservas, laboratórios, serviços educativos". (in jornal Público, 20100321)
Está na hora de se encarar com seriedade a instalação dos Museus Nacionais de Arqueologia e de Etnologia em Coimbra.
É a proposta que renovo.
Das várias razões que justificam esta proposta, por poderem eventualmente contribuir para o debate sobre a Museologia - enquanto saber responsável pelo Património - refiro apenas três:
- Sendo o Património um "elemento estruturante da identidade nacional", como refere a Lei; e Coimbra um local de confluência entre a "cultura atlântica" e a "cultura mediterrânea", que, como é sabido, constituem do ponto de vista antropológico essa identidade nacional, não me pareceu errado para potenciar aquele factor de identidade e de pertença. Sobretudo num momento global de acelerada mudança técnica e cultural que exige de Portugal respostas fortes e eficazes.
- Havendo a possibilidade de Coimbra passar a pertencer ao Património da Humanidade, sobretudo por causa do dinamismo e da competência científica da Universidade de Coimbra, essas duas valências («etnologia» e «arqueologia») poderiam reforçar essa zona central do País como um pólo de competitividade ("cluster") a nível cultural, patrimonial e científico.
- Na próxima, e difícil, negociação dos «fundos comunitários», essa região central tem fortes possibilidades de colher alguns desses benefícios financeiros, pelo facto de ser considerada uma "região de convergência". Carenciada, diga-se com coragem, por falta de uma visão estratégica que persiste desde o Estado Novo. Mas que por isso permite, muito mais do que a "região de Lisboa e Vale do Tejo", obter esse apoio financeiro. Que é, como sabemos, a condição prática para as obras saírem do papel e se realizarem. Permitindo ainda diminuir o esforço do "orçamento do Estado".
- Esta mudança dos referidos museus, e a construção do tal pólo de competitividade cultural em Coimbra, permitiria impulsionar a reforma que os desafios do presente e do futuro exigem a Portugal em termos da política museológica e patrimonial.
Espero que o debate que este Projecto possa provocar, e o exercício de construção de um futuro melhor para a Museologia enquanto saber responsável pela gestão do Património, não sejam destruídos pela usual avalanche de petições e protagonismos individuais. Isso seria restringir e esvaziar, no fogo-fátuo das pequeninas coisas, o essencial da questão.
Pedro Manuel Cardoso
21/03/2010
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