Embora seja leitor assíduo dos debates sobre as temáticas museológicas, raramente tenho tido o ensejo de participar considerando que os signatários dos artigos são quase sempre pessoas de enorme mérito, as quais respeito e, por isso, permito-me apenas a reflectir pessoalmente sobre os pontos de vista em questão, mais do que publicitar uma opinião em fóruns públicos.
Neste caso, contudo, não posso deixar de felicitar a iniciativa de homenagear Benjamim Pereira, uma figura incontornável dos estudos antropológicos portugueses. Agradeço, mesmo, a generosidade da partilha desta informação, num momento em que o “Património Imaterial” começa a ganhar alguma visibilidade, circunstância que em parte se deve a pessoas cujo entusiasmo e altruísmo se mantiveram constantes, mas também devemos ter em conta aqueles que, munidos de instrumentos institucionais, têm vindo a manifestar de forma mais presente esta temática, contribuindo abertamente para a sua discussão.
Falo apenas do que conheço directamente (e pouco conheço, confesso), mas estou seguro de que o trabalho que o Departamento de Património Imaterial do IMC tem vindo a desenvolver é manifestamente bom, não porque esteja a fazer tudo, mas porque está a fazer algo com solidez, de forma aberta, interessada, construtiva e ponderada.
O caminho que agora se trilha é apenas “um caminho”, na realidade até talvez interesse mais o caminho do que o objectivo, mas não só não será o único possível, como também me parece que não pretende sê-lo.
O que é louvável efectivamente é que, desde que o referido departamento foi criado, em muitos pontos as pessoas (antropólogos ou não) têm vindo a encontrar-se e a trocar experiências, numa atitude de abertura e não de afunilamento. Por outro lado, olhar para um mesmo objecto difuso (como é o Património Imaterial) a partir de ângulos diversos só pode estimular o conhecimento, não deve servir para coarctar o trabalho ou a visão que outros (pessoas ou instituições) possam ter.
Este “Património Imaterial”, feito “daquilo de que os sonhos são feitos” (como diria Fernando Pessoa), é de tal ordem vasto e difuso que obviamente não cabe totalmente dentro de um inquérito. Esse será sempre um vaso espartilhado, mas como é essencial a sistematização para podermos, depois, falar desta “coisa” de modo mais abrangente, faz todo o sentido que essa ferramenta (multifunções) surja e seja plenamente usada para, talvez depois, a podermos “abandonar” um dia, já conscientes e realizando de forma mais plena o sentido do imaterial, que mais não é que o sentido dinâmico da própria vida.
| Mensagem anterior por data: Re: [Museum] Homenagem a Benjamim Pereira | Próxima mensagem por data: [Museum] convite Exposição de Desenho Arqueológico este Sábado, 21h, Fábrica do Braço de Prata, Lisboa |
| Mensagem anterior por assunto: Re: [Museum] Homenagem a Benjamim Pereira | Próxima mensagem por assunto: [Museum] Homenagem a dois docentes da Universidade do Minho |