A nomenclatura em regime de cálculo diferencial
Serve esta para servir a solicitação e repto de Pedro Manuel Cardoso, fazendo apenas fluir o comentário e troca de ideias, sem qualquer pretensão de rematar a matéria, pelo contrário.
O aprofundamento da nomenclatura e do seu uso, seja em contexto especulativo ou de aplicação, é sem dúvida um indispensável instrumento de trabalho, do qual resultará o enriquecimento do raciocínio e da acção. No contexto específico da matéria que agora se aborda, a museologia, lança-nos para novas perspectivas na relação com os objectos, com os objectos da museologia, claro, suscitando novas e surpreendentes percepções e intervenções.
É inquestionável a formulação das seis variáveis propostas por Pedro Manuel Cardoso, mau grado puséssemos, a posteriori, formular mais algumas. Não compreendo porque razão essa conceptologia tem que partir da erradicação da conceptologia preliminar que opera a distinção entre o material e o imaterial. Não adiro, obviamente, ao conceito de intangível, porque tanto o material como o imaterial são tangíveis, em estratos de percepção variáveis.
Seja, fica em perda o primeiro factor de incidência exponencial. Tomando material como A e imaterial como B, partiríamos da base exponenciável (A x, +, -, : B) elevado a 6, ao seu quadrado, ao seu cubo, etc..
Em negar a natureza material ou imaterial de um objecto de património, ponderando mesmo a sua coincidência ou acumulação num mesmo objecto, não me parece residir enriquecimento algum, nem para a sua percepção radical, ou o mais possível, nem para o seu uso, ou para a forma como é operado para a fruição, falando no domínio mais estrito da museologia.
Por outro lado, passa-se por cima de uma questão também conceptual fundamental, que é a da duração e do seu registo. E compreendo que para um museólogo da gestualidade tal questão suscite problemáticas deveras complexas. Porque o gesto perdeu a sua materialidade quando se extinguiu, o que pode ser um instante. E se pode ficar registado num suporte material, um registo fotográfico, ou mesmo a memória, uma coisa foi o gesto, outra o material suporte do seu registo.
Como dizia, não pretendo concluir assim e aqui a reflexão sobre a matéria. Mas de que merece ser aprofundada, não tenho dúvidas.
Não sei se vou de encontro ao seu salutar desafio, Espero que sim.
Nota: não sou museólogo, apenas um ser pensante, ou talvez nem isso.
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