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A “Torre
Turística Transportável” é Património? Ao
propormos uma orientação teórica e metodológica não exclusivamente focada na
«infraestrutura-museu», dissemos que permitia outra visão e outra abertura ao
conceito de Património e à gestão museológica. Não
tardou a aparecer um tipo de Património adequado ao novo paradigma. Um
tipo de Património que antes, na perspectiva tradicional, ficava de lado.
Menorizado por ter que ser obrigatoriamente do ‘passado’, ou ser
‘antigo’. Ou por ter que cair forçosamente naqueles critérios pelos
quais tradicionalmente se classifica o Património. Suponho a repulsa que
nalguns causa. A
“Torre Turística Transportável” faz parte do Património das
Descobertas de Portugal. Tanto como os outros ‘objectos e
documentos’ do Passado. Como
tenho referido e sustentado, Património é sobretudo aquilo que é mais
importante transmitir para continuarmos a ser essa melhor parte de Nós. É
necessário incluir no trabalho de gestão do Património - naquele que é feito actualmente
na quase totalidade dos ‘museus portugueses’ - também este Património que não é
exclusivamente do ‘passado antigo’. É
necessário ter do Património uma concepção que não separe irremediavelmente o
‘passado’, o ‘presente’ e o ‘futuro’. Essa
descontinuidade tem uma data e uma ideologia. Nasceu na Europa no século IV,
sobretudo a partir da reforma gregoriana, e assumiu-se como a ideologia
dominante a partir do século XVII. As expografias actuais, e o trabalho
museológico, devem ter para com o ‘presente’ a mesma exigência de discernimento
sobre as manipulações político-ideológicas que têm para com o
‘passado’. [Preservar-documentar-comunicar-transmitir-restituir] para os presentes e
vindouros, por exemplo, a “Torre Turística Transportável” é
‘Gerir o Património’. Independentemente das consequências
industriais, económicas ou mesmo científicas que o projecto também possa ter.
São duas coisas completamente diferentes que não se devem atrapalhar uma à
outra. A
patrimonização daquilo que [os melhores de Nós fazem, criam e inventam] é uma
tarefa para a qual os responsáveis pelo Património não estão habituados nem
preparados. É um trabalho que se aprende fazendo, como todos os outros. É o
trabalho de [irmanar o passado, o presente e o futuro]. É trabalhar com um novo
conceito de Património que não está comprometido com as tradicionais barreiras
do tempo que aculturaram ideologicamente os ‘tradicionais responsáveis
pelo Património’. Esta
orientação programática, não exclusivamente focada na «infraestrutura-museu»,
permite outra visão e outra abertura à gestão museológica. Os
‘museus’ passam a fazer aquilo que a Museologia e o Património
exigem que se faça. Em vez de viverem uma vida autónoma, centrada em si mesmos,
justificando-se apenas a si próprios, sem a relação necessária com os Indivíduos
e com a Sociedade.
A questão não é o «museu», a questão é o Património e a Memória. A
"Torre Turística Transportável" concebida por José Manuel Pequeno,
professor da Escola de Arquitectura da Universidade do Minho, e que vai ser
apresentada na Exposição Mundial de Xangai (China), deve merecer por parte da
Museologia e dos responsáveis pelo Património a mesma atenção que dedicam
àquilo que dizem ser do ‘passado’. A “Estrutura
do Valor Patrimonial” (Cardoso, 2010) que apresentámos em Fevereiro,
no Seminário de Investigação em Sociomuseologia na Universidade Lusófona de
Humanidades e Tecnologias, explica e demonstra o ‘porquê’ de ser
sensato que assim seja. Pedro
Manuel Cardoso (Museu
da Gestualidade) |
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