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Museu
de Ciência da Universidade de Lisboa: Um museu a preservar e a desenvolver A
Direcção da Comissão Nacional Portuguesa do Conselho Internacional dos Museus
(ICOM Portugal) tem vindo a acompanhar de perto as persistentes notícias dando
conta da existência de planos de alterações a introduzir nos chamados Museus da Politécnica, da Universidade
de Lisboa, um pólo científico, museológico e cultural de grande importância para
a cidade de Lisboa e para o País, que importa requalificar e
desenvolver. O
ICOM Portugal saúda, pois, a iniciativa do Senhor Reitor da Universidade de
Lisboa, António Sampaio da Nóvoa, de promover o debate amplo sobre esta matéria,
registando em especial o convite expresso nesse sentido que nos foi dirigido e
que muito nos sensibiliza. Em
recente sessão de homenagem a Fernando Bragança Gil (1927-2009) promovida pelo
Museu de Ciência da Universidade de Lisboa (MCUL), expressámos os nossos votos
para que qualquer futuro plano sobre matéria tão sensível assentasse no respeito
absoluto pela história e identidades própria dos museus existentes e fosse
sujeito a amplo debate público. Foi
assim com alguma consternação que tomámos conhecimento de um relatório feito por
uma comissão internacional, onde se subverte uma das mais elementares premissas
acima enunciadas, ao recomendar a extinção do MCUL e a absorção de parte do seu
património e colecções por uma ?galeria de história da ciência? do Museu
Nacional de História Natural. Sem
prejuízo do maior aprofundamento das nossas posições, no quadro do debate
público que agora se vai iniciar, importa-nos sublinhar o interesse público do
que está em causa: 1.
O
MCUL é um museu que integra a Rede Portuguesa de Museus desde 2002. É o único
museu de ciência acreditado em Portugal. 2.
O
MCUL tem colecções e património edificado de grande importância, entre os quais
dois dos mais preciosos elementos do património científico edificado português:
o Laboratorio Chimico e o Observatório Astronómico da Escola
Politécnica. 3.
O
MCUL é um dos museus mais activos do país, contribuindo para a divulgação do
património científico português no país e no estrangeiro e para a formação de
especialistas em museologia das ciências e colecções de instrumentos
científicos. Neste campo, o trabalho desenvolvido pelo MCUL tem âmbito nacional
e é reconhecido internacionalmente. 4.
O
MCUL desenvolve um trabalho pioneiro no sentido da organização, valorização e
estudo do património científico de várias instituições, nomeadamente a Academia
das Ciências de Lisboa, o Instituto Superior Técnico, as Escolas Secundárias de
Camões e Passos Manuel, os Hospitais de S. José, Santo António dos Capuchos,
Santa Marta e Desterro e os Palácios Nacionais da Ajuda e Sintra, para além de
institutos da Universidade de Lisboa. 5.
Na
continuação do legado de Fernando Bragança Gil, uma das personalidades mais
marcantes da museologia portuguesa do século XX, o MCUL articula de forma
exemplar a divulgação da ciência, sobretudo a crianças e jovens, com a
preservação do património, a investigação científica em museologia e história da
ciência e a formação de especialistas em património
científico. Este
trabalho de fundo precisa de ser valorizado e aprofundado, pela sua qualidade,
inovação e singularidade, pela Universidade de Lisboa e pelo Ministério da
Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Somos totalmente contra a extinção do
MCUL. Os
Museus da Politécnica são herdeiros
de 400 anos de história do ensino Ambos
os museus ? MCUL e MNHN ? são importantes para a cidade de Lisboa e o País e
nenhum dos dois se deve desenvolver sobre as ruínas do
outro. O
relatório da comissão internacional acima referido deve ser considerado somente
como uma primeira peça para reflexão. Atentas as limitações da sua composição
disciplinar e profissional, interessa agora alargar substancialmente o leque de
especialistas a consultar. Importa em especial suprir a lacuna de efectivo
conhecimento da realidade museológica portuguesa, que naquela comissão
internacional se evidencia, porque nela se pressente a ausência de consideração
dos chamados ?museu de ciência de 3ª geração?, conformemente ao projecto e à
visão de Fernando Bragança Gil. Estamos
certos que, com ponderação e espírito inovador, será possível encontrar um amplo
consenso quanto ao modelo conceptual e até às soluções administrativas a
adoptar, em benefício dos Museus da
Politécnica, da Universidade de Lisboa, da Cidade e do País. Um consenso
galvanizador, que reúna especialistas, lisboetas e cidadãos. Um consenso que
olhe para além das soluções imediatistas de ganho fácil, que pouco resistem ao
tempo. Um consenso que dignifique o Presente e antecipe do Futuro.
Nesta
demanda, pode a Universidade de Lisboa conta com o ICOM
Portugal. A
Direcção do ICOM Portugal, em 15 de Junho de 2010. |
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