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ACADEMIA PORTUGUESA DE HISTÓRIA COMEMOROU 290 ANOS E ATRIBUIU PRÉMIOS
As cerimónias comemorativas do 290º aniversário da fundação da Academia
Portuguesa de História iniciaram-se, hoje, 8 de Dezembro, às 10.30 h., com uma
missa de acção de graças, na igreja do Colégio de S. João de Brito,
Abriu-a o Doutor Joaquim Veríssimo Serrão, Presidente de Honra da Academia, que, em palavras emocionadas, se referiu à actividade que a Academia tem desenvolvido e agradeceu as atenções de que tem sido alvo. Foi, de certo modo, o testemunho (para não dizer o ?testamento?) de um crente em Deus, como repetidamente se afirmou, grato por tudo aquilo que, ao longo da vida, lhe tem sido dado. O Director do Real Gabinete Português de Leitura, do Rio de Janeiro, António Gomes da Costa, em nome do Real Gabinete e de mais duas instituições brasileiras que com a Academia têm colaborado, referiu-se, em termos elogiosos e entusiásticos, ao excelente relacionamento existente entre os investigadores e académicos de ambos os países. A Presidente da Academia, Doutora Manuela Mendonça, historiou o que foi a existência da instituição ao longo destes quase três séculos, em que «fazer História» nem sempre obedeceu aos mesmos parâmetros metodológicos e temáticas predilectas. Hoje, sublinhou, a Academia é, sobretudo, um «local de trabalho», que acolhe todas as correntes de pensamento, dado que «a verdade é uma busca constante»; a Academia assume-se como «a reserva cultural do Estado de Direito», «o garante da memória de um Povo». «Ser Academia, hoje, é assumir a vontade de um trabalho continuado, actualizado e mobilizador», salientou. Seguiu-se a cerimónia de entrega dos prémios anualmente atribuídos pela Academia, com a colaboração de entidades ligadas à Cultura. Assim, a Fundação Calouste Gulbenkian patrocinou os seguintes prémios: - «História da Europa», atribuído à obra de Inmaculada Fernández Arrillaga, Jesuitas rehenes de Carlos III: misioneros desterrados de América presos en El Puerto de Santa Maria (1769-1798);
- «História Moderna e Contemporânea de Portugal», com que foi galardoado
José Manuel Tavares Castilho, autor da obra Os Deputados da Assembleia Nacional
1935-1974; - e «História da Presença de Portugal no Mundo», que premiou o livro Cidades e Fortalezas do Estado da Índia, de José Manuel Garcia. O prémio da Fundação Engº António de Almeida coube à monografia Tábua. História, Arte e Memória, de Marco Daniel Duarte.
A Saul António Gomes se concedeu o prémio que tem como patrono Augusto
Botelho da Costa Veiga, pela sua obra A
Comuna Judaica de Leiria ? Das Origens à
Expulsão.
A viúva do Doutor Pedro Cunha Serra entregou a Maria Helena da Cruz
Coelho o prémio que honra a memória de seu marido, pelo volume Montemor-o-Velho a Caminho da Corte e das
Cortes.
Mestre Teresa Maria e
Sousa Nunes viu galardoado com o Prémio Prof. Doutor Francisco da Gama Caeiro o
resultado da sua investigação intitulado Carlos Malheiro Dias - Um monárquico entre
dois regimes.
Finalmente, um prémio relacionado com o Brasil, que tem como patrono
o 8º Conde dos Arcos, que foi vice-rei daquele território, coube a D. Carlos
Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança, pela obra A Princesa Flor Dona Maria
Amélia. Cada galardoado, além dos agradecimentos, teve oportunidade de traçar breve síntese do que fora a sua investigação Encerrou a sessão o Secretário de Estado da Cultura, que justificou a sua presença porque «a história do património», disse, «começa nesta Casa». Manifestando o seu regozijo por já começar a ouvir os seus colegas governantes doutros domínios a reconhecerem o papel do «património cultural como recurso para o nosso desenvolvimento», enalteceu o importante papel que, neste domínio, as autarquias estão a desenvolver (encontravam-se, aliás, na sala, vários autarcas que haviam apoiado a elaboração de trabalhos premiados), pois que, afirmou, «70% do investimento público no património pertence à autarquias» e «o contributo da Cultura para o Produto Interno Bruto é cada vez mais relevante». Aproveitou o ensejo para dar a conhecer alguns dos projectos em curso: o Governo vai investir mais no sector dos Arquivos, por reconhecer a sua fundamental importância; apesar de «os políticos gostarem mais do imediato, do que dá nas vistas» - e o trabalho nos arquivos a isso não dá azo - o certo é que se conseguiu, por exemplo, a digitalização de centenas de milhares de documentos, em Fevereiro, no âmbito das comemorações de Alexandre Herculano, estará ao dispor dos investigadores a digitalização integral dos Portugalliae Monumenta Historica; os livros de actas das sessões da Academia Nacional de Belas Artes também se encontram digitalizados já: «É um trabalho invisível, mas absolutamente relevante» - perorou. Elíseo Summavielle referiu-se, ainda, às parcerias que o Ministério tem feito e continuará a fazer para obter os seus objectivos, designadamente o que já está consignado com a Igreja Católica, respeitante ao espólio de 23 catedrais. Está em marcha a concretização de protocolos com arquivos privados, porque, hoje, frisou, é «a história das mentalidades que sobretudo interessa» e, nesse aspecto, as monografias, as biografias assumem papel do maior interesse. «Não tenho, pois, um discurso triste. A Secretaria de Estado disponibilizará todo o apoio possível para estimular os estudos históricos, na verdade, o que Portugal tem de mais rico». Registe-se a presença já referida de académicos brasileiros e também a do Prof. Martín Almagro, da Real Academia de História, de Madrid.
José
d'Encarnação |
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