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Acidente, sobre o trabalho de Luís Silveirinha
O que mais me cativa no trabalho de Luís Silveirinha é a busca de um certo espectro acidental do desenho, o desenho quase acidental das coisas, que é insinuado, mais do que assumido, num jogo de manchas que nos remetem para a casualidade de, na forma, alguma coisa se revelar.
A figura acidental, que leva ao reconhecimento quase sempre dúbio de algo, é sobretudo a libertação da arte para um nível de representação diferente, no qual a imagem plástica se impõe à necessidade de evidenciar e se preocupa com a criação de um objecto já bastante autónomo que vive parasitando a realidade mas que é outra realidade. A evidência da arte de si própria, cujos referentes da realidade ocupam um espaço limitado, como num exercício de possibilidades ou probabilidades e garantias nenhumas ou muito poucas. (…)
valter hugo mãe
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