Dado seu teor, tomo a liberdade de dar conhecimento de
uma mensagem que me é dirigida mas na condição de membro da Administração da
museum. – J. d’E.
De:
moda e moda moda [mailto:marionelagusmao@hotmail.com]
Enviada em: quarta-feira, 19 de
Janeiro de 2011 17:01
Assunto: RE: [Museum] A situação
nos museus de
Lisboa
Ilustre Prof. Doutor José d'Encarnação,
Acabo de ler o e-mail sobre a "Situação nos Museus de Lisboa" e
fiquei perplexa por não ver incluido o Museu da Moda e do Design,
um espaço que Lisboa trata como algo de muito emblemático e que custou uma
fortuna à Câmara além de desperdiçar um edifício com características
bancárias. Só a destruição das caixas fortes que estavam na cave, sempre
rentáveis para qq. banco, constituem um deitar dinheiro à
rua como se Lisboa fosse uma cidade com uma Câmara muito rica.
Quis a Câmara
de Lisboa igualar-se à Câmara de Paris, cidade que possui dois museus de moda. Mas, desde
quando e porque razão Lisboa se pode comparar a Paris nessa área? Portugal
não tem nenhuma tradição de moda, nunca fomos conhecidos no mundo por essa área
das artres decorativas. Não era melhor que os esforços do país se centrassem
nos restauros urgentes necessários ao bom funcionamento do Museu do Traje situado no
Lumiar com as condições climatéricas que se exigem para os texteis? Eu sei que
o Museu do Traje
pertence ao Ministério da Cultura e que as verbas são diferentes, mas
impressiona ver um Museu que atraiu imensos visitantes, carenciado de obras
urgentes. Além disso, quem trata destes assuntos desconhece que a
Baixa de Lisboa, pela sua poluição, é imprópria para um museu de moda? O que aprendi em
Lyon é que peças de vestuário, em zonas semelhantes àquela só podem estar
expostas uma semana.
Nunca fui sindicalista, mas compreendo a angústia dos trabalhadores do
Museu da Cidade, Museu do Teatro
Romano, Museu Antoniano, Museu Bordalo Pinheiro. Conheço
todos estes Museus muito bem. E já que citei o Museu Antoniano, recordo que por
ter escrito em 1982 um livro de investigação histórica sobre Santo
António, estudei a igreja junto à Sé e o museu agora citado. Já nesse tempo o
Museu era pobre e sem grandes condições. Teve a Câmara todas as
possibilidades de o alargar para um prédio ao lado e não o fez. Será porque se
esqueceram que Santo António é o mais universal de todos os portugueses? Mas
aproveito este espaço para alertar que o telhado da Igreja de Santo António
está em péssimas condições e que as pinturas estão a ficar estragadas. Salvem a
Igreja de Santo António.
Nos tempos da Drª. Irisalva Moita, os museus da Câmara iam caminhando, sem
grandes rasgos, mas lá iam... Ela tinha uma grande preocupação com os achados
arqueológicos da cidade. Será que uma empresa municipal tem museólogos capazes
de entenderem estes museus tão diversificados e específicos.
Tenho esperanças que a Drª. Simoneta Luz Afonso, com o seu sentido critíco, saiba
aconselhar o que se deve fazer. Não acredito que ela fique indiferente.
Cordiais saudações e um muito obrigada ao Prof. Doutor José d'Encarnação, uma
personalidade sempre atenta que merece os maiores créditos.
Abraço,
Marionela Gusmão
From: jde@fl.uc.pt
To: archport@ci.uc.pt; museum@ci.uc.pt
Date: Wed, 19 Jan 2011 12:27:16 +0000
Subject: [Museum] A situação nos museus
de Lisboa
Abra-se uma excepção, pois não é timbre das listas archport e museum fazer-se
eco ou veicular ‘lutas’ que, aparentemente, se situam no campo sindical ou das
reivindicações laborais.
E permita-se-me que justifique a excepção, porque o folheto em anexo – que me
chegou às mãos e que, por minha iniciativa, ora divulgo – ainda que
traga o logótipo de um Sindicato, aborda um tema que, na minha modesta opinião
(posso estar errado), deve ser consciencializado por todos os que se dedicam à
Museologia e por quantos prezam os museus em causa, como depositários, por
exemplo, e centros de investigação (também!) dos vestígios arqueológicos que
pela nossa capital
vão sendo postos a descoberto por ocasião das inúmeras intervenções no tecido
urbano, sempre (ou na maioria das vezes) com solícito acompanhamento dos
técnicos camarários ou sob sua directa supervisão.
As mudanças que se propõem, de acordo com as informações que me têm chegado e
que serão, porventura, do domínio público, requerem, pois, alguma ponderação e,
quiçá, alguma tomada de posição por parte da comunidade científica, pois pode
estar em causa um património importante.
Peço desculpa se não soube colocar bem o problema ou se as minhas capacidades
intelectivas não logram já atingir todos os aspectos da questão. Outros o
poderão equacionar melhor que eu.
José d’Encarnação
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