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Re: [Museum] Digest Museum, volume 53, assunto 128

To :   museum@ci.uc.pt
Subject :   Re: [Museum] Digest Museum, volume 53, assunto 128
From :   Carlos Fidalgo <fidalgo.carlos@gmail.com>
Date :   Mon, 25 Apr 2011 14:58:10 +0100

Naturalmente que me preocupa as colecções, diria particulares, ainda que propriedade de Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), assim como bibliotecas privadas com enorme valor bibliográfico, que neste momento ou estão a ser geridas à distância e as segundas apenas existentes por autênticos mecenas que investiram muitos anos da sua vida a colecionar e a investigar sem ter sido dado à estampa uma, apenas uma, das suas pesquisas que, na minha modesta e humilde opinião, têm um valor cientifico relevante.
O problema reside, na minha opinião, na politização da cultura, em particular nas simpatias praticadas pelas autarquias e como não deveremos esquecer o Estado.
A minha grande preocupação, enquanto pessoa ligada ao Património, é que esse valor, esses testemunhos de vivências passadas não cheguem ao futuro, aos nossos filhos, netos e por aí adiante.
A razão dessa "paragem" no tempo, no meu ponto de vista, tem a ver com a dinâmica das pessoas que estão à frente de algumas Instituições, públicas e privadas e não tanto com o acervo patrimonial que, ainda, temos.
Contra isto, após ter ouvido os discursos de hoje no actual e ex-presidentes da República, apenas nos resta inverter a situação, o acesso, a partilha, a forma como o "conhecimento" desse património pode ser "utilizado" por todos nós.
Garantidamente que uma nova política de patrimonio, uma lei de bases que seja mais objectiva e não tão elástica, poderão, sem dúvida, contribuir para a massificação do património e a perca de poder dos políticos e das novas urbanizações que, na sua maioria, esquecem esse passado de experiências vividas, em troca de alguns milhares de Euros de tazas de urbanização.
É difícil, ninguém diz que é fácil, mas enquanto profissões como a arquitectura, direito e engenharia civil, não se confinarem às áreas, nobres e especificas, que lhes compete deixando de fazer parte de um percurso transversal a tudo, não iremos a lado algum.
Enquanto não existir uma lei que obrigue os municipios a necessitar dos pareceres de alguém ligado às questões do património cultural, tudo nos passa ao lado, não será possível, na minha modesta e empírica opinião, ter um papel activo na preservação do nosso património cultural, na nossa identidade cultural e, acima de tuda, na transformação dos espaços culturais abandonados, devolutos, em espaços dinâmicos e de fruicção social.
Sendo assim, e para terminar, torna-se nesseçário perceber até onde podemos ir nesta luta desigual onde o próprio IGESPAr "escolheu" os Monumentos que lhe interessam ou interessão gerir e deixou paras D.R.Cultura o ónus de gerir um numero infidável de edificios que, quiça, são mais importantes que os que o IGESPAR considerou serem os primordiais.
 
Cordialmente
 
Carlos Fidalgo 

No dia 25 de Abril de 2011 12:00, <museum-request@ci.uc.pt> escreveu:
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Tópicos de Hoje:

  1. Política patrimonial portuguesa. Vozes que timidamente
     emergem. (Pedro Manuel Cardoso)


---------- Mensagem reencaminhada ----------
From: Pedro Manuel Cardoso <mty@mail.tmn.pt>
To: <museum@ci.uc.pt>
Date: Sun, 24 Apr 2011 19:07:12 +0100
Subject: [Museum] Política patrimonial portuguesa. Vozes que timidamente emergem.

Ao fim de tantos anos de inércia, de falta de rumo (como se pode comprovar empiricamente pelo estado-das-colecções) alguma coisa começa a alterar-se. Sobretudo na consciência dos muitos que entretanto foram silenciados pela luz das inaugurações e dos projectos arquitectónicos (instalações, arranjos, remodelações e outras obras parecidas) que sorveram milhões de milhões ao que era essencial.

No obscuro dos “comentários”, tal como nas várias espécies de «listas museum» do mundo digital, essas vozes começam a emergir. Adivinho (quem dera que me enganasse) que estes sítios dos “comentários” – verdadeiros locais fractais da comunicação contemporânea pujantes de democracia – decerto não demorarão muito a serem controlados por causa da potência que possuem. Mas entretanto, enquanto duram, ainda podemos retirar algum benefício.

Isto a propósito de alguns “comentários” à notícia pascal de Helena Geraldes do dia 23 de Abril de 2011:“Cientistas juntam-se para tirar do armário" animais e plantas coleccionados há 200 anos.” Onde noticia a primeira reunião do designado “Consórcio Nacional para a Preservação e Uso em Investigação das Colecções de História Natural” constituído em Dezembro 2010.

Num desses “comentários” um ‘Anónimo de Lisboa’ dizia:

Não chega! No que à botânica diz respeito, por que não aproveitar o momento para criar um herbário nacional, como fizeram os holandeses em 1999, quando juntaram as colecções de Leiden, Utrecht e Wageningen num National Herbarium of the Netherlands? Lisboa tem 5 herbários de referência, dois deles a 500m de distância, e pertencentes ao mesmo instituto público. Em todos faltam recursos humanos e a informatização dos exemplares é nula a medíocre, pese embora o enorme esforço e competência dos seus curadores. E não chega recuperar o passado; eliminar as traças que devastam o herbário de Coimbra ou construir uma base de dados comum de acesso público. Muito menos fazer história da história natural pode ser um fim em si mesmo. É necessário, quanto antes, voltar a África e dar uma nova vida ao melhor herbário de flora de Angola do Mundo depositado no IICT. Falta, aliás nunca existiu, um plano de colheita sistemática da flora de Portugal continental. Da maneira como estão as coisas podemos recuperar os exemplares de herbário, fazer umas belíssimas exposições, mas quem explora em profundidade a flora nacional são os botânicos espanhóis, e quem sabe da flora de Angola são os sul-africanos.

Noutro “comentário” ‘João Gomes da Silva de Lisboa’ escreveu:

Sabemos que existem colecções riquíssimas e com valor universal nos nossos acervos de museus. Talvez mais ricos que os do museu de historia natural de Londres ou de Paris. É fundamental, por razões de património cultural e natural, por razões de economia e turismo, por razões de cidadania, que se voltem a mostrar para o crescimento e desenvolvimento das nossas cidades e universidades. Não se esqueçam do importante complemento e motivação que existe na força do voluntariado, também nesta área. Os cidadãos precisam de ser envolvidos, a sociedade precisa de ser estimulada. Força para esta iniciativa. A cultura e a economia nacional precisam de valorizar estes 'activos' internos!”.

Um ‘Pedro de Lisboa’ disse:

Muito bem! Quando viajamos por esse mundo fora e visitamos museus perguntamo-nos: Mas será que um país, como Portugal, como uma História fabulosa não tem acervos relevantes (seja do que for)? E imaginamos muita coisa dispersa por museus e particulares e que devia ser congregada à volta de uma instituição de modo a ter visibilidade. Por isso digo: até que enfim que fazem qualquer coisa em conjunto!

E um ‘Anónimo de Portugal’ chamou a atenção para a preciosidade do património:

A Natureza é um bem precioso e está por todo o Mundo, e não tem preço. Cuidado consórcio, não deixem essa riqueza ser salteada por interesses que nos ultrapassam. Saibam que estão a lidar com algo neste momento muito perigoso (há uma velocidade assustadoramente alta da extinção de espécies, ao mesmo tempo que há guerras sobre materiais genéticos e "direitos" "legais" aos mesmos).”

 

Vozes. Vozes escondidas nos sítios dos “comentários”.

Serão caladas, ou chegarão ao céu estas vozes?

 

Pedro Manuel-Cardoso

 


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Carlos Fidalgo

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