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Re: [Museum] Questões da gestão e preservação do património cultural

To :   leonel borrela <leonelborrela@gmail.com>
Subject :   Re: [Museum] Questões da gestão e preservação do património cultural
From :   Francisco Lemos <sandelemos@gmail.com>
Date :   Tue, 26 Apr 2011 00:15:27 +0100

Boa Noite!

"As Instituições e o Estado têm que respeitar os seus cidadãos, têm que defender os seus direitos"

Mas o Estado somos todos nós. E as Instituições servem os cidadãos e não são nem os brinquedos dos Directores nem o alimento de interesses particulares. 

"O livre arbítrio tem de acabar em Portugal."

Exactamente. Tem havido abuso do poder, o que nos termos da Lei é crime. Cumpre aos cidadãos vigiar as políticas e as acções das Instituições. De outro modo o Estado é devorado por interesses particulares como tem sucedido.

Um exemplo de funcionamento democrático. Na California, em Los Angeles, o Mayor entendeu que, para reduzir o défice, uma solução era restringir ao mínimo os horários das bibliotecas públicas. Um grupo de cidadãos requereu um referendo contra a medida, ganharam por larga maioria e o Mayor teve de ir cortar verbas para outro sector.

No Porto, um grupo de cidadãos requereu um referendo sobre o Palácio de Cristal e jardins para onde a Câmara autorizou construções. A Assembleia Municipal com votos a favor do PSD e abstenção do PS e CDS (salvo erro) não aceita realizar o referendo. O assunto segue para os Tribunais. Se fosse em Braga era a maioria PS que domina na Assembleia Municipal. 

Em Portugal os partidos políticos envelhecidos e grotescos só querem "jogar" à Democracia nas eleições. Depois seguem os arranjinhos. 

Por isso concordo plenamente: "O livre arbítrio tem de acabar em Portugal".

Francisco Sande Lemos

2011/4/25 leonel borrela <leonelborrela@gmail.com>
Caros Carlos Fidalgo e Pedro Manuel Cardoso,
a questão da gestão e preservação do património cultural, passa, como sabem, pelo seu conhecimento de facto -  contacto directo, estudo e divulgação, sendo este último o caminho indispensável para seduzir, para esta boa causa, quem dela anda arredado, por motivações várias. Nós próprios,  por um lado, enquanto funcionário de um museu regional, muito mais museográfico do que museológico, sentimos o quanto está por fazer nesse âmbito, e, por outro, como investigador (denominação e ocupação que nos negaram alguns dos nossos professores universitários, e não só, aquando da nossa licenciatura em História ramo do Património Cultural, alegando que primeiro teríamos de fazer o doutoramento para validar as qualidades de investigador!  ), sentimos a indiferença com que alguns dos nossos próprios colegas de profissão - e um rol significativo de técnicos bem posicionados no meio autárquico e que muito poderiam fazer, de melhor, sobre  o referido património, além dos que vêm de fora, com o devido respeito pelas excepções de competência, estudar "o que os da terra não estudam" - "ignoram" o que escrevemos e as opiniões que temos, mas não dispensam, hipocritamente, o conselhozinho ou o reparo oportuno, no momento em que andam atrapalhados. 

Podemos dizer-vos, por experiência própria, que o nosso riquíssimo património cultural só não está melhor porque: não se ouvem devidamente nos ministérios e nas instituições, as críticas locais e nacionais; não se abrem francamente os caminhos à cooperação, entre as diversas entidades (colectivas, oficiais e privadas, e particulares singulares), superando as desconfianças que existem; não se acaba de vez com a prepotência que certos cargos de chefia permitem, condição desconfortante que, um pouco por todo o lado, quase todos conhecem, mas ninguém denuncia - um conformismo, quantas vezes aliado ao medo, indiciador de perseguição no local de trabalho, proíbido por lei.

Quantos funcionários, assistentes técnicos (uma nova nomenclatura! que nada resolve, como é óbvio) de museus e de outras instituições culturais (excluindo a maioria dos seus técnicos superiores), a nível nacional, terão trabalhos publicados sobre o património cultural? Quantos terão sido citados dezenas de vezes em trabalhos científicos de outros autores? Quantos terão contribuído efectivamente para o melhor conhecimento e divulgação do património a que estão afectos? Se os há, ironicamente, parece não haver lugar em lado nenhum para gente assim, pois é gente incómoda, é gente diferente, cuja única força, no maioritário reino da incompetência (e pode ajuizar-se dela o abuso do poder), é a sua obstinação pelo respeito que deve à Cultura e de algum modo, também, à Educação e à transmissão de Conhecimento. Enfim, uma utopia dos pequenos… saída também do seu próprio bolso!

 

Nota: Reconhecemos que há muito mais a dizer… e para denunciar! As Instituições e o Estado têm que respeitar os seus cidadãos, têm que defender os seus direitos. O livre arbítrio tem de acabar em Portugal.

 

Abraço amigo de Leonel Borrela


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