Afastemo-nos – por um breve momento, e para quem ainda for capaz – do campo das conjecturas introspectivas, das reflexões estéticas, ou dos usos políticos da museo-logia. Mas também da apologia vigente sobre o valor desenvolvimentista do Património, esse inefável serviço ao Desenvolvimento (económico, social, ambiental, turístico e outros) que puseram o Património a ser servo na actualidade. Não serão esses breves minutos que prejudicarão, certamente, o trabalho prático do resto das horas do dia dedicadas aos ‘nossos’ museus e expografias. Situemo-nos no campo do método e da perspectiva científica, e coloquemos a seguinte pergunta: O que no Património, do ponto de vista científico, escapa a uma explicação darwinista ou, melhor dito, a uma explicação baseada na actual Teoria da Evolução cujo estado actual foi caracterizado por Ernst Mayr em 2001? Qual é a parte do fenómeno patrimonial que revela que há uma parte do fenómeno da Vida que não é explicável por essa teoria da evolução? Inesperadamente, os resultados recentes do Estudo do Património – tradicionalmente tido como um assunto meramente subjectivo do foro das Humanidades, ou mais recentemente das Ciências Sociais (ISCED-CITE) – trouxe uma pista importante para a elucidação da origem da cognição humana. Revelando uma parte da Vida que escapa à explicação baseada na lógica fechada e estrita da «variação – adaptação – selecção», ou da “common descent – gradualness – population speciation – natural selection” (E. Mayr, 2001:87). A qual o coloca na agenda da investigação científica contemporânea de vanguarda. E lhe abre a porta para novos e profícuos projectos. Quem diria? Pedro Manuel-Cardoso |
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