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Museus de Belém: finalmente uma (meia) boa notícia
Informa o Publico que o Governo discute a reprogramação do edifício do futuro Museu dos Coches, para nele instalar um Museu da Viagem, fazendo-o no âmbito de uma reflexão global sobre a zona monumental e museológica de Belém. Nada está ainda decidido, mas é caso para dizer: até que enfim ! Há quase três anos que os profissionais e os amigos dos museus andam nesta demanda. O ICOM Portugal promoveu dois debates públicos sobre os Museus de Belém, nos quais participaram quase todos os gestores de museus e monumentos da zona e de onde surgiu a ideia da criação de uma nova marca, o "Distrito dos Museus", entretanto incluída em plano estratégico do Turismo de Lisboa. Fizeram-se propostas concretas e eu próprio, em conjunto com Raquel Henriques da Silva, apresentei um plano integrado para Belém, capaz de fazer do imbróglio do novo Museu dos Coches uma oportunidade para o futuro. Entendo que continua actual e quem quiser pode consultá-lo no Boletim nº 5 do ICOM Portugal, disponível no respectivo sítio Internet (e reproduzido abaixo). O Museu Nacional dos Coches necessita que sejam requalificados os espaços
onde se encontra e restauradas as colecções. Precisa também ser ampliado,
podendo aproveitar-se alguns dos novos volumes edificados - algo compatível
com novos usos para a maior parte desses espaços. Mas sobretudo Belém carece
como pão para a boca de uma nova política cultural e museológica. Basta que seja
inteligente e democrática, para que atinja grande consensualidade, como se
requer neste tipo de matérias. Luís Raposo
LUÍS
RAPOSO Arqueólogo, Director do Museu
Nacional de Arqueologia RAQUEL
HENRIQUES DA SILVA
Historiadora de Arte, Professora
na Universidade Nova de Lisboa QUATRO
MEDIDAS PARA ULTRAPASSAR O IMBRÓGLIO DO NOVO MUSEU DOS COCHES E FAZER DELE UMA
OPORTUNIDADE DE FUTURO 1.
Levantamento do parque museológico e monumental da zona de Belém (da Torre de
Belém à Cordoaria Nacional), detectando virtualidades, abandonos, eventuais
lacunas e elaborando um plano integrado de valorização de cada peça e do
conjunto; 2. Em
relação ao conjunto, adopção de medidas potenciadoras dos circuitos integrados,
em domínios tais como percursos pedonais, bilheteiras comuns, programação,
promoção e merchandising
articulados,
parqueamentos de viaturas, navette
de ligação
gratuita, mediante a apresentação de títulos de entrada em museus ou
monumentos; 3. Em
relação a peças individuais: a.
Reabertura do Museu de Arte Popular no seu lugar próprio, devidamente
modernizado, mas respeitando a colecção e o conceito
original; b.
Dinamização do Museu Nacional de Etnologia, promovendo o acesso ao mesmo pela
sua inclusão na rede assim definida; c.
Ampliação do Museu de Marinha em dois sentidos: para os terrenos disponíveis a
poente das instalações actuais e para a Cordoaria Nacional, onde deverão também
ser colocados o Arquivos Histórico e a Biblioteca Central de Marinha,
retirando-a dos Jerónimos e demolindo o edifício onde se situa, o qual constitui
um verdadeiro atentado ao espírito daquele lugar; d.
Ampliação do Museu Nacional de Arqueologia no Mosteiro dos Jerónimos, retomando
os projectos já existentes para o efeito e adaptando-os agora às possibilidades
que se abririam com a transferência para a Cordoaria Nacional da Biblioteca
Central de Marinha e, eventualmente, de algumas áreas ocupadas presentemente
pelo Museu de Marinha; e.
Manutenção do conjunto mais emblemático de coches nas instalações actuais do
Museu Nacional dos Coches, iniciando imediatamente um programa urgente do seu
restauro; f. Criação
na Cordoaria Nacional de um centro museológico industrial-naval e de arqueologia
subaquática, explorando as ligações ao rio Tejo, onde, em posição fronteira,
deverá ser criada um cais para acostagem e visita a navios históricos, em
ligação com o referido núcleo museológico; 4.
Finalmente, quanto à intenção de construção de um novo Museu Nacional dos
Coches, no caso de não ser considerada possível a sua total reversibilidade (o
que idealmente mantemos como desejável) e dando por adquirido nas suas linhas
gerais o projecto de arquitectura já existente, adopção das seguintes
medidas: a.
Afectação ao Museu Nacional dos Coches, para instalação de serviços e ampliação
dos espaços expositivos, da construção anexa ao edifício principal, situada em
frente do referido Museu; b.
Instalação no edifico principal de um novo museu, cuja necessidade se faça
sentir depois do levantamento indicado no ponto 1. Os critérios de escolha para
o efeito deverão privilegiar conteúdos susceptíveis de constituírem uma poderosa
mais-valia para a promoção dos fluxos turísticos (nacionais e internacionais) na
zona de Belém, servidos por tecnologia de última geração e não tanto por
colecções patrimoniais intrinsecamente únicas. Entre outras possíveis ideias,
avançamos desde já com a de um Museu da Viagem, capaz de evocar a diáspora
portuguesa em toda a sua extensão temporal, nomeadamente deste a chamada Epopeia
dos Descobrimentos (colocando em relevo os aspectos antropológicos do contacto
com o “outro” e a dimensão técnica e científica da época) até à gesta das
viagens da emigração dos séculos XIX e XX.
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