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[Museum] Os desafios da política de museus em tempos de crise

To :   "MUSEUM" <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] Os desafios da política de museus em tempos de crise
From :   "ICOM Portugal" <info@icom-portugal.org>
Date :   Wed, 19 Oct 2011 08:55:41 +0100

 
 

 

Os desafios da política de museus em tempos de crise

 

A situação actual vivida pelos museus portugueses, nos tempos de profunda crise financeira, económica e sobretudo social que Portugal atravessa, acrescida da degradação da política de museus ocorrida nos últimos anos e da conjuntura actual de mudança de Governo, sem que sejam ainda conhecidas medidas substantivas e pelo contrário haja anúncios de desenvolvimentos potenciais que causam a maior inquietação, levaram a direcção da Comissão Nacional Portuguesa do ICOM a decidir actualizar e aprofundar a sua Declaração de Novembro de 2009, dando origem ao documento, intitulado "Os desafios da política de museus em tempos de crise", o qual resulta de ampla consulta ao conjunto dos Corpos Gerentes e a diversos outros colegas membros do ICOM.PT.

 

Segue abaixo um resumo e em anexo o documento completo.

 

Este texto será enviado aos órgãos de soberania e servirá também como documento de referência para debate público nacional a promover brevemente.

 

A Direcção do ICOM-Portugal

 

 

 

 

Os desafios da política de museus em tempos de crise

 

Introdução

 

1. Política Nacional de Museus

Garantia de funcionamento regular de um órgão de consulta do Governo em matéria de política de museus, de composição socialmente representativa e tecnicamente qualificada.

Elaboração da Política Nacional de Museus e do Plano Nacional de Museus.

 

2. Rede Portuguesa de Museus

Manutenção e reforço da Rede Portuguesa de Museus (RPM), autónoma, devidamente enquadrada organicamente na futura DGPC.

Continuação dos programas técnicos e financeiros de apoios aos museus da RPM.

Constituição, dentro da RPM, de subredes de base geográfica e temática.

Implementação do sistema de ?núcleos de apoio? dentro da RPM.

Manutenção do sistema nacional de credenciação de museus, através da RPM.

 

3. Direcção-Geral do Património Cultural

Clarificação das competências, estrutura e do grau de autonomia financeira da DGPC.

Garantia de identidade orgânica própria dos serviços centrais de museus dentro da DGPC.

Aprofundamento da autonomia estratégica (técnica, administrativa e orçamental) dos Museus tutelados pela DGPC, conforme linha de orientação consistentemente durante muitos anos e interrompida recentemente.

Clarificação das relações funcionais a estabelecer entre a DGPC e as DRCs, no pressuposto da actual inadequação destas, para a gestão de Museus.

Ampla discussão participada acerca da eventual reconfiguração da rede de museus da DGPC.

 

4. Situação dos profissionais dos museus.

Repovoamento dos museus portugueses, aproveitando a elevada qualificação dos jovens formados pelas universidades.

Renovação dos contratos de prestação de serviços técnicos nos museus e nos serviços centrais do IMC,IP e futura DGPC.

 

5. Rede de recursos e serviços de Conservação e Restauro.

Revisão e consolidação da rede nacional de recursos e serviços de Conservação e Restauro, reforçando a sua ligação à RPM.

Garantia da operacionalidade dos serviços centrais de conservação e restauro (herdeiros do antigo Instituto José de Figueiredo) e dos departamentos da área existentes em museus da DGPC.

 

6. Transferência de tutela de palácios ou museus nacionais para entidades de direito privado.

Definição dos termos da concessão a sociedades de direito privado, mesmo que de capitais públicos, da gestão de museus e palácios nacionais, tendo em conta os equilíbrios gerais que importa garantir.

Revisão da situação de iniquidade existente no financiamento a museus de tutela fundacional e museus de tutela pública, nomeadamente, museus nacionais.

 

7. Novos museus e novas práticas.

Prioridade à melhoria das condições de existência dos museus actuais, antes de tomar a iniciativa da criação de novos museus, subordinando-a sempre à Política e ao Plano Nacional de Museus definidos pelos órgãos consultivos apropriados.

Promoção de receita nos museus através de práticas diversificadas e não somente através da bilheteira, garantindo, neste caso, sistemas de gratuitidades compatíveis com a função social dos museus.

Estudo da diversificação de horários em função de cálculo de custos-benefícios identificados caso a caso.

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