
Leve, portátil, com uma mala à prova da chuva e
vermelha como a paixão. Valentine foi apresentada ao
público no dia de São Valentim em 1969. Foi criada por
Ettore Sottsass e Perry King e é o “simbolo da
liberdade da Pop”. Quem o diz é Paulo Parra, diretor
do Museu do Artesanato e do Design de Évora. E apesar
de todas as peças de design industrial patentes neste
museu serem suas, escolhe esta máquina de escrever
como o simbolo da exposição 25 Mestres do Design
(MADE) . Ao todo são 125 peças de design industrial,
desde a primeira Polaroid à Vespa do pós-guerra, que
definitivamente viram “ a luz do dia”, depois da muita
polémica que envolveu a criação do MADE, pelo facto
deste vir a ocupar o espaço do então Centro de Artes
Tradicionais. Este centro de exposições, que ainda não
é um museu reconhecido, e cujo o processo decorre no
Instituto Português de Museus, surge de uma parceria
entre a Entidade Regional de Turismo do Alentejo, a
Câmara Municipal de Évora e o colecionador Paulo
Parra. Desta forma um dos maiores expólios de design
industrial fica disponível para o público, juntamente
com a coleção de artesanato já existente e que
continua a ser apresentada. Exemplo disso é a primeira
exposição que mostra as “Formas utéis do Artesanato
Alentejano” ao mesmo tempo que as “125 peças dos 25
mestres do design” e explica “A evolução da cadeira
portuguesa”. Na primeira visita guiada, feita aos
jornalistas, Paulo Parra destaca três peças. Uma em
cada parte da exposição. “No artesanato, um tropeço,
ainda muito rustico, nas cadeiras, uma peça do
arquiteto Raúl Lino de 1914 e que pela primeira vez
saíu de Lisboa e no design as 5 peças de Cristopher
Dresser do século XIX”.
Foi necessário um investimento de 1 milhão de euros
para recuperar o edíficio do antigo Centro de Artes
Tradicionais e transformá-lo, arquitetonicamente, num
museu. Este equipamento prevê ainda a instalação de
uma biblioteca temática, propriedade de Paulo Parra e
de um auditório onde serão realizadas conferência e
workshops com diversos especialistas.
Cada entrada neste museu custa 2 euros, sendo que
estão previstos descontos para crianças e familias.
Todas as receitas revertem para a Entidade Regional de
Turismo do Alentejo, proprietária do Museu, sendo que,
segundo esta organização, o coleccionador não recebe
qualquer dinheiro pela cedência das peças.