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EXPOSIÇÃO
AMATO LUSITANO: O CORPO NO CORAÇÃO Encontra-se patente ao público no
Instituto português da Juventude de Castelo Branco, até 28 de Outubro, a
exposição “ O corpo do coração. Horizontes de Amato Lusitano”, organizada pela
Câmara Municipal de Castelo Branco e pela Cultura Vibra. Apoiou este
itinerância a Direcção Regional do Centro do IPJ, na pessoa do seu Delegado Miguel Nascimento, e o "Centro
Unesco Educação para todos” da cidade. Este projecto expositivo apresenta duas estratigrafias imagéticas diferenciadas que se estabelecem a partir da figura de João Rodrigues de Castelo Branco (1511-1568), o albicastrense médico, judeu errante, mais conhecido por Amato Lusitano na Europa de Quinhentos. Apuram-se algumas das peças visuais - da gravura do seu rosto datada de 1650 contida na “Historia Plantarum Universalis” até às produções iconográficas contemporâneas - que conduziram à construção iconográfica estabilizada, em 1956, na estátua de bronze, obra do escultor Martins Correia. O monumento comemorativo, situado no centro da cidade de Castelo Branco, inverteu na comunidade a deslembrança do colectivo, assumindo-se como uma corporificação do “regresso” e presença na paisagem urbana, da excepcional sumidade da cultura europeia. A estátua amatiana possui uma biografia peculiar que é hoje reconstruída e apropriada através de diálogos sustentados em múltiplos suportes, situações gráficas e enunciações toponímicas que se referenciam. A outra estratigrafia exposta resultou
de um desafio colocado a um notável conjunto de fotógrafos (Carlos Matos,
Diamantino Gonçalves, Eduardo Margareto, José J. Pio, José Tomás, Paulo Vinhas e Pedro Martins) para que interpretassem a densidade cultural da personalidade.
São criações que podem remeter para o espaço público contemporâneo da cidade,
para o modelado histórico primevo, para o jogo dos tempos, revelando uma rede
de metáforas e de horizontes intrincados mais palpáveis ou mais etéreos. Os
artistas cartografaram outras geografias e escalas reconstituindo epidermes do
espaço vivido, do corpo e da alma amatianas. Estamos perante um inventario de
partidas, de ausências, de incertezas, de saudades. Relacionados com Amato, os discursos
fotográficos assumem-se como penitências do sentir, como catarses individuais
desenhadas com luz que constroem “outras memórias” que anulam o esquecimento do
grande judeu albicastrense que, errante, retorna à sua pequena primeira Pátria,
agora através da História das suas imagens. Pedro
Salvado Membro
da Comissão da Câmara Municipal de Castelo Branco das comemorações do V
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