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Agradeço à Inês Brandão a divulgação da comunicação que
apresentou às jornadas do ICOM, realizadas no Museu Nacional Soares dos Reis,
dando a possibilidade a todos os membros desta lista, nomeadamente àqueles que
não tiveram a possibilidade de estar presentes, de a poderem ler e reflectir
sobre o seu conteúdo.
Há alguns
pontos do texto com os quais não concordo, designadamente, não vejo como a venda
de peças menores e ?descartáveis? possa render as verbas necessárias à
aquisição de peças melhores, e naturalmente mais caras, com vista ao
?refinamento? das colecções museais. Na maior parte dos casos, trata-se de
investimentos relacionados com uma gestão dos acervos que vê os bens sobretudo
como activos patrimoniais, alicerçados no forte poder de valorização cultural -
e consequentemente económica - proporcionado pelos museus, que vive de uma
relação muito pouco transparente com o mercado das artes. E também a
questões de ?moda?, que permitem uma oferta de conteúdos permanentemente
adequada à procura do público, garantindo, dessa forma, a constância das
receitas. Todavia, considero existirem diferenças
elementares na gestão de colecções públicas e de colecções privadas, não
obstante poder haver uma maior flexibilidade na gestão das primeiras. Mas também
é certo que o carácter público das colecções tem levado a olhar apenas para
o aspecto da responsabilidade do Estado na sua conservação e na exigência pura e
simples dos meios necessários sem, por vezes, haver lugar a uma reflexão e
discussão profundas (que só há pouco começou a ser feita mais amplamente) sobre
a pertinência de algumas peças para a missão do museu, a real necessidade de as
conservar, a relação entre a sua relevância ou o papel que alguma vez
poderão vir a desempenhar e os custos de conservação e manutenção, etc.
Concordo, por isso, que é importante perceber ?qual a lógica de guardar objectos
que vão para lá da nossa capacidade (?) de lidar com eles?, a longo prazo. Esta
é uma questão muito pertinente em determinadas colecções, nomeadamente de
arqueologia; a quantidade e o ritmo a que os acervos têm vindo a ser ampliados e
os inúmeros meios que exigem para que deles se retire informação útil têm
evoluído numa espiral insustentável. E não falo só de questões financeiras, mas
também do ?desperdício? da vida de alguns profissionais, que prolongam por uma
eternidade a realização de tarefas "alienadoras" (mas necessárias?.) de
marcação, enumeração, inventariação, registo e tratamento de materiais cuja
informação disponibilizada é, por vezes, absolutamente desproporcional ao
investimento, a todos os níveis (incluindo o tempo), necessário à sua
obtenção. A ponta do iceberg deste problema, volta e meia vem à tona: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/exclusivo-cm/achado-macabro-em-casa-na-foz220625907. Também não vale a pena escamotear o facto de
a venda de bens culturais não ser uma questão totalmente alheia ao Estado
português, nomeadamente quando se trata de imóveis
classificados. Concordo totalmente com a Inês quando diz que é necessário que os museus assumam a iniciativa desta discussão. Penso ser sempre preferível serem os profissionais a tomar nas suas mãos a condução e a regulação desta matéria, em vez de aguardarem que decisões exógenas, estimuladas pelas contingências da crise, lhes imponham medidas, porventura, inadmissíveis. Para quem já esqueceu a proposta de lei n.º 256, de 2009: http://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/Paginas/DetalheIniciativa.aspx?BID=34366.
Cumprimentos, IL
----- Original Message -----
From: Ines Brandao
To: museum@ci.uc.pt
Sent: Thursday, November 17, 2011 4:20 PM
Subject: [Museum] Sobre os museus e a alienação
responsável Caros colegas,
Segue abaixo o link para a comunicação sobre alienação responsável que
apresentei no dia 7 de Novembro
Aliás, esta é uma das várias questões que deveriam ser examinadas e
debatidas na área dos museus e do património. O debate no Museu da Electricidade
deixou claro que, se concordamos que é difícil fazermo-nos ouvir, não temos
ainda respostas para perceber o porquê desta situação, nem estratégias
definidas para a alterar.
Inês Fialho Brandão
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