Muito Obrigado, a todas as Pessoas que construíram a Rede Portuguesa de Museus. Todos sabemos que é um “até breve”. Até mesmo os que terão que recuar. O peso que a despedida coletiva está a ter é tal, que, provavelmente, a coragem inicial dos decisores em breve se transformará numa bela cobardia, mascarada de um “recuo político”. A culpa vem, também, detrás. Porque em Democracia, a mais pérfida maneira de enganar, é anunciar publicamente grandes planos teóricos, de preferência para muitos anos, sem que ninguém saiba como se aplicam e operacionalizam, nem se saiba onde está o dinheiro e os recursos para os concretizar. Tanto agora como antes, e apesar das belas declarações que fizeram sobre o famigerado “valor económico da Cultura”, ainda ninguém encontrou a solução e a coragem de apostar no Património como um dos fatores de desenvolvimento de Portugal. Mas é necessário falar verdade. Qualquer mudança ou reforma no Património em Portugal necessita de … mais pessoas e de mais dinheiro. Dizer às pessoas o contrário é ferir de morte, instantaneamente, o contrato de confiança com elas. Pois todos ficam a saber que o plano esconde o desejo de reduzir o orçamento. Todos ficam a perceber, também instantaneamente, que esse plano é feito em nome de um futuro que foi desenhado, não para desenvolver o Património, mas para reduzir custos e diminuir pessoas. Ou seja, de imediato, para as pessoas, o grande plano torna-se a negação da possibilidade da mudança e do desenvolvimento. E, para elas, a partir desse momento, os arautos desse plano não passam de atores de um enredo de fingimento. Se o valor económico do património é o que dizem que é (os tais 4,5% do Produto Interno Bruto da União Europeia, e 3,8% do emprego), então, em Portugal, é possível construir um equilíbrio sustentável entre as despesas e as receitas, de modo a ser socialmente aceite pela comunidade dos contribuintes portugueses. Mais do que inventar planos grandíloquos é preciso afirmar e ter a coragem de definir a equação do que deve ser feito. Cuja solução passa por ser, na fase inicial, com mais Investimento; tendo como meta, a médio e longo-prazo, a inversão da trajetória «despesas maior do que receitas». E esta equação tem que ser resolvida, simultaneamente, pelo Estado, pelos profissionais do património e da museologia, e pela iniciativa empresarial e industrial. Não há soluções nem planos miraculosos, instantâneos. Há caminhos que se abandonam, e outros que se começam a trilhar. Cujos resultados são a mudança que esse próprio caminho vai construindo. Mas há obstáculos mais difíceis do que outros. O principal, são as pessoas que não foram capazes continuarem, teimosamente, nos mesmos lugares. E as que conseguiram, irem-se embora. Muito Obrigado, a todas as Pessoas que construíram a Rede Portuguesa de Museus. Pedro Manuel-Cardoso |
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