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E um Filho nos foi dado Palácio de Belém dedica exposição de Natal à arte sacra do
Baixo Alentejo A exposição de Natal
que se realiza tradicionalmente no Palácio Nacional de Belém é este ano
consagrada aos tesouros artísticos do Baixo Alentejo, numa iniciativa do Museu
da Presidência da República e do Departamento do Património Histórico e
Artístico da Diocese de Beja. Sob o título E
um Filho nos foi dado, a exposição apresenta quase uma centena de
obras de arte, provenientes de museus, igrejas e coleções particulares,
permitindo traçar uma panorâmica da riqueza patrimonial do actual território da
Diocese de Beja, a segunda mais vasta do
país. Uma viagem no espaço mas também no tempo, já que se estende ao longo de
um vasto arco cronológico, desde o século XV à actualidade, tendo como fio
condutor um tema central da antropologia do Sagrado: a Encarnação. Uma
realidade espiritual, mas também profundamente humana, aqui glosada por um
notável conjunto de manifestações artísticas que inclui muitas peças nunca
antes mostradas ao público – ou nunca antes saídas do seu contexto habitual. Segundo José António
Falcão, director do Departamento do Património da Diocese de Beja e comissário
da exposição, esta mostra “dá a primazia à vivência comunitária da devoção ao
Deus Menino, sinal da identidade de uma região que se orgulha das suas
tradições natalícias, mas propõe uma reflexão mais alargada em torno do diálogo
da cultura com a religião”. A arte sacra do Alentejo meridional tem sido, nas
últimas décadas, alvo de um ousado projecto para o seu resgate, numa luta
difícil contra o abandono e os furtos, mas já com provas dadas. Hoje constitui
um dos valores patrimoniais mais apreciados da região e tornou-se,
inclusivamente, uma alavanca ao serviço do desenvolvimento local. Entre pinturas,
esculturas e as artes decorativas, é um pouco a síntese deste trabalho, que
agora se dá a conhecer ao público nesta exposição natalícia no Palácio de
Belém. Um percurso que vai de Adão e Eva (tema de um prato medieval para a
recolha de esmolas) até à Anunciação do anjo a Maria, ao nascimento de Jesus,
em Belém, e à sua infância em Nazaré. Enunciam-se, assim, sucessivas narrativas
que, face ao silêncio dos Evangelhos reconhecidos pela Igreja, foram largamente
desenvolvidas pelos outros Evangelhos, os Apócrifos. Uns e outros encontram-se
impregnados de humanidade, como transparece numa Virgem em Majestade, da época românica, ou numa Natividade “ao profano”, desenhada por
Jorge Vieira em A exposição E um Filho nos foi dado – Iconografia do Menino Deus
no Alentejo Meridional será inaugurada pelo Presidente da República,
Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva, no dia 14 de Dezembro, e poderá ser visitada
até ao dia 14 de Janeiro. Legendas das
fotografias: 1. Sacra Conversação, por Francisco Vieira Lusitano. Séc. XVIII (terceiro quartel).
Beja, colecção particular: http://aquiabeira.net/download/Sacra%20Conversa%C3%A7%C3%A3o.jpg 2. A Virgem e o Menino, Escola italiana. Séc. XVI (primeiro terço).
Beja, Museu Episcopal: http://aquiabeira.net/download/A%20Virgem%20e%20o%20Menino.jpg 3. Adoração dos Pastores, por Francisco de Campos. Ca. 1560. Santiago
do Cacém, Museu de Arte Sacra: http://aquiabeira.net/download/Adora%C3%A7%C3%A3o%20dos%20Pastores.jpg Para mais informações:
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