Fui procurar e vi que nos últimos 3 anos foram premiados mais de centena e meia de museus, exposições, projetos e outras entidades! Se não me enganei nas contas, em 2010, foram 46. Em 2011, foram 56. E este ano foram 64 ! Sessenta e quatro premiados ! Aqui no Canadá isso seria ridículo. Em Portugal não é ?
Como é possível haver tanta excelência ?
Até apetece lembrar uma velha frase que os meus pais diziam e parece que pertence ao escritor Almeida Garrett: Foge, cão, que te fazem barão. Mas para onde, se me fazem visconde? Neste caso poderia ser: -Foge museu, que te fazem premiado. Mas para onde, que não seja encontrado? Até dá um desenho cómico, como o que segue junto.
Mas, pensando bem, isso era no tempo dos reis e hoje talvez fosse melhor dizer apenas que cada país tem as élites e o “jet-set” que merece.
Calculo que neste caso todos ganham. Ganham os que dão os prémios que se promovem e mostram que estão vivos. Ganham os que recebem os prémios que podem fazer com eles algum vistaço. É assim como um festival da canção em que ninguém se preocupa muito com a qualidade e ainda por cima tem a vantagem de haver prémios para quase todos.
Quem perde é Portugal que é olhado cada vez mais como um país de faz-de-conta e perdem os museus portugueses porque ninguém os pode levar muito a sério.
Por mim, preferia que os prémios a atribuir em qualquer ramo de atividade fossem menos para serem mais exigentes e serem levados mais a sério.
Mas isto sou eu que penso e digo porque tenho pena do meu país. Se calhar aqui de longe não consigo ver bem o alcance de tudo o que se vai passando em Portugal. Se nenhum dos professores de museologia e dos senhores que trabalham nos museus em Portugal acham que isto está mal, é porque está bem. Tenho é pena que aqui não me deixam usar estes prémios como base para um estudo sério sobre as práticas de excelência nos museus portugueses.
Júlio Fonseca, estudante de doutorado (museologie, médiation, patrimoine)