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[Museum] Por um projecto nacional chamado Forte de Elvas

To :   "museum" <museum@ci.uc.pt>, "histport" <histport@ml.ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] Por um projecto nacional chamado Forte de Elvas
From :   José d'Encarnação <jde@fl.uc.pt>
Date :   Mon, 4 Mar 2013 16:52:58 -0000

Opinião

Debate

Por um projecto nacional chamado Forte de Elvas

Por Paulo Ferrero

É urgente restaurar o Forte de Nossa Senhora da Graça, em Elvas, classificado como Património Mundial

Com a justa e recente classificação pela UNESCO do Forte de Nossa Senhora da Graça, em Elvas, como Património Mundial, mais urgente se torna o restauro, conservação, promoção e exploração (sem "prostituição") daquele que é o nosso expoente máximo em arquitectura militar. Mas inaceitáveis se tornam as notícias (tamm recentes) sobre sucessivos e gravosos roubos e actos de vandalismo ali praticados graças, imagino, à ausência de vigilância 24h sobre 24h, como se imporia na conjuntura e num monumento de grandes dimensões, há muito abandonado à intempérie e à predição do homem.
Igualmente incompreensível é o silêncio, mês após mês, sobre o seu futuro; isto partindo do princípio de que alguém está de facto a trabalhar em prol de um futuro digno para aquele grandioso legado, garantindo-lhe viabilidade mas sem o tornar "parque de diversões". Como é que ainda não há acordo entre Ministério da Defesa (proprietário), SEC (tutela dos Monumentos Nacionais) e câmara municipal (putativo proprietário), mesmo sob a égide do esforçado Comissariado da UNESCO, e mesmo que ninguém pareça saber o que quer realmente para o forte? Qualquer dia arriscamo-nos a que surja a ameaça de desclassificação...
Convém lembrar que o forte, para lá da sua majestosa corpulência e exilada localização, impeditivas, de certo modo, de soluções comummente menos arrojadas e mais fáceis de encontrar isoladamente (unidade museológica de cariz municipal, unidade de turismo militar, centro interpretativo e/ou de investigação, etc.), detém um tal historial que de per si permite variadas sinergias a nível nacional e internacional (não só raianas), assim haja engenho e arte para tal, e sorte tamm:
O conde de Lippe, autor do forte, seguiu a filosofia do mestre arquitecto-militar Vauban, do Rei-Sol, e só por isso pode fazer-se "benchmarking" a sério com "Les Sites Vauban", tamm eles classificados pela UNESCO, com soluções, planos e organização de gestão reconhecidamente capazes - pólos culturais de renome, uns; hotéis escrupulosamente respeitadores do património, outros; academias militares, outras ainda. Há ainda outro imenso "território" por explorar: a ligação entre Pombal e o conde, envolvendo a casa de Schaumburg-Lippe, criando um centro de estudos pombalinos, etc., mas sempre com a maçonaria de permeio, bem entendido (seria bom tê-la notícia por boas razões). Quanto a espaço físico, ele há para tudo ou quase tudo e para todos: Defesa, Cultura, Turismo, Economia, Território.
Portanto, que se crie, já, uma "unidade de missão" para um Projecto Nacional que a todos aqueles abranja, mais ao ICOFORT (ICOMOS) e a especialistas nacionais como o prof. Domingos Bucho, e que essa unidade gira conteúdos e metas, calendários, angarie mecenas (fundações, banca, empresas, coleccionadores, etc.) aquém e além-fronteiras, e operacionalize, sobretudo, operacionalize.
Nos "entre tantos", apelo ao Centro Nacional de Cultura, enquanto responsável em Portugal pelo Europa Nostra, para que promova o forte por essa Europa, desde logo, pelo lema "Cultural Heritage is Europe"s greatest asset: our crude oil, our gold reserve", e o candidate aos "7 Most Endangered" deste ano, cuja data-limite terminaa 15 de Março.
Membro do movimento cívico Fórum Cidadania Lisboa

 


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