Opinião
Debate
Por um projecto nacional chamado Forte de Elvas
Por Paulo
Ferrero
É urgente restaurar o
Forte de Nossa Senhora da Graça, em Elvas, classificado
como Património Mundial
Com a justa e
recente classificação pela UNESCO
do Forte de Nossa Senhora da Graça, em Elvas, como
Património
Mundial,
mais
urgente se torna o restauro, conservação,
promoção
e exploração (sem
"prostituição") daquele
que é o nosso expoente máximo em arquitectura militar. Mas inaceitáveis
se tornam
as notícias
(também recentes) sobre sucessivos e gravosos roubos e actos
de vandalismo ali praticados graças, imagino, à ausência de vigilância 24h sobre 24h, como
se imporia na
conjuntura e num monumento de grandes
dimensões, há muito
abandonado à intempérie e à predição
do homem.
Igualmente incompreensível
é o silêncio, mês
após
mês, sobre o seu futuro; isto partindo
do princípio
de que alguém está de facto
a trabalhar em prol de um futuro digno para aquele grandioso legado, garantindo-lhe
viabilidade mas sem o
tornar "parque de diversões". Como
é que ainda
não há acordo entre Ministério da Defesa
(proprietário),
SEC (tutela
dos Monumentos Nacionais)
e câmara municipal (putativo proprietário), mesmo sob a
égide do esforçado Comissariado da
UNESCO, e mesmo
que ninguém pareça saber o que quer realmente para o forte? Qualquer dia
arriscamo-nos a
que surja a
ameaça de
desclassificação...
Convém lembrar que
o forte, para lá da sua majestosa corpulência e
exilada localização, impeditivas,
de certo modo, de soluções comummente menos arrojadas e mais
fáceis de encontrar isoladamente
(unidade museológica de
cariz municipal, unidade
de turismo militar,
centro interpretativo e/ou de investigação,
etc.), detém um
tal
historial
que de per si permite variadas
sinergias a
nível nacional e
internacional (não só raianas), assim haja
engenho e arte para tal, e sorte também:
O conde de Lippe,
autor do forte, seguiu a filosofia do mestre
arquitecto-militar Vauban, do
Rei-Sol, e só por
isso pode fazer-se
"benchmarking" a
sério com "Les Sites Vauban", também eles classificados
pela UNESCO, com
soluções, planos e
organização
de gestão reconhecidamente capazes - pólos culturais
de renome, uns; hotéis escrupulosamente
respeitadores
do património, outros; academias militares,
outras ainda. Há ainda outro imenso
"território" por explorar: a ligação
entre Pombal e o conde, envolvendo
a casa de Schaumburg-Lippe, criando
um centro de estudos pombalinos,
etc., mas
sempre
com a
maçonaria de permeio,
bem entendido (seria bom tê-la notícia por boas razões).
Quanto a
espaço
físico, ele há para tudo ou quase
tudo e para todos: Defesa,
Cultura,
Turismo, Economia, Território.
Portanto, que se crie, já, uma
"unidade de missão" para um Projecto Nacional que a todos aqueles abranja, mais ao ICOFORT (ICOMOS) e a
especialistas nacionais
como o prof.
Domingos Bucho, e que essa unidade
gira conteúdos e metas, calendários,
angarie
mecenas
(fundações, banca, empresas,
coleccionadores,
etc.) aquém
e além-fronteiras,
e operacionalize,
sobretudo, operacionalize.
Nos "entre tantos", apelo ao
Centro Nacional de Cultura, enquanto
responsável
em Portugal pelo Europa Nostra,
para que promova o
forte por essa
Europa,
desde logo, pelo lema "Cultural Heritage is Europe"s
greatest asset:
our crude oil, our gold reserve", e o candidate aos "7 Most
Endangered" deste ano, cuja
data-limite
termina
já a 15 de Março.
Membro do movimento cívico Fórum
Cidadania Lisboa