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[Museum] PORTO DE MÓS - LEIRIA - PORTUGAL!

To :   "museum" <museum@ci.uc.pt>, "histport" <histport@ml.ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] PORTO DE MÓS - LEIRIA - PORTUGAL!
From :   José d'Encarnação <jde@fl.uc.pt>
Date :   Wed, 26 Jun 2013 13:04:09 +0100

Title: Facebook

Pontes classificadas.

 


From: Antonio Jose Menezes

Sent: segunda-feira, 24 de Junho de 2013 01:57
To: Património em perigo
Subject: [Património em perigo] PORTO DE MÓS - LEIRIA - PORTUGAL!

 

PORTO DE MÓS - LEIRIA - PORTUGAL! UMA VITÓRIA...

Antonio Jose Menezes

24 de Junho de 2013 1:57

PORTO DE MÓS - LEIRIA - PORTUGAL!

UMA VITÓRIA DE TODO O CONCELHO DE PORTO DE MÓS E DE TODOS OS PORTOMOSENSES!

PENÚLTIMA ASSEMBLEIA MUNICIPAL PORTO DE MÓS - 21 DE JUNHO DE 2013 - CONSEGUIU-SE APROVAR POR MAIORIA A SEGUINTE PROPOSTA DE

CLASSIFICAÇÃO DAS PONTES CAVALEIRO – FREIXA-RIO ALCAIDE E LAJE COMO IMOVEIS DE INTERESSE PÚBLICO:

Proposta de classificação das Ponte Cavaleiro, Ponte da Freixa, sobre a ribeira da Freixa, Ponte de Rio Alcaide e Ponte da Laje, como Imoveis de Interesse Público.
Considerando que:

1- O Património Histórico – Arqueológico material e imaterial é uma realidade viva que urge classificar e conservar para usufruto dos cidadãos em geral e que só tem significado quando relacionado com pessoas e comunidades;

2- As novas posições e leituras museológicas recomendam a participação de autarquias e residentes, expressa nas Leis n.11/87 (Art.º4º e 20º), de 7 de Abril, e n.º107/2001 (Art.º3º.8-);

3- A Camara Municipal de Porto de Mós tem um projecto de geoparque para o Concelho, podendo constituir um importante instrumento na concretização do seu desenvolvimento sustentável;

4- Considerando que um Geoparque é uma área em que se conjuga a Geoconservação, a classificação e conservação do património Histórico, Arqueológico, Arquitetónico, Etnográfico e cultura imaterial e o desenvolvimento económico sustentável das populações que o habitam; procurando estimular a criação de actividades económicas suportadas tanto no que respeita ao património em geral como na Geodiversidade da região, com o envolvimento empenhado das comunidades locais;

5- As “muralhas da serra” protegiam o termo e o vale do rio Lena e incitavam á construção de infra. Estruturas de assistência para ajudar os transeuntes nesta árdua tarefa de cruzar os caminhos serranos, também a sua abundante riqueza hidrográfica permitiu a interligação da rede terrestre com as vias fluviais, aproveitando possivelmente a navegabilidade dos rios em benefício da sua rapidez nas viagens e no encurtar distâncias;

6- Assim, no termo de Porto de Mós, existem algumas referências toponímicas actuais que nos lembram a necessidade de utilizar embarcações para transpor os rios. Num local próximo da Vila do Juncal existe o sítio de “Porto Carro”, assim denominado devido á sua importância na passagem do rio “Areia” e ainda o lugar de “Porto” em Alcaria;

7- Se, por um lado, os rios traziam benefícios aos viajantes, por outro, representavam também um dos seus principais obstáculos, pois a sua travessia apresentava-se por vezes difícil no Inverno e, o uso de barcas estivesse muito divulgado, a ponte era por vezes a única solução viável. Pela sua importância e utilidade (forma de ultrapassar as dificuldades, complementar a rede viária terrestre e facilitar as deslocações) as pontes eram uma das poucas “obras publicas” empreendidas pelo Rei, Senhorios e Concelhos, que serviram para cobrar direitos de passagem, “Banalidades” – espécie de imposto medieval muito utilizado nesta caso nas travessias em Porto de Mós, bastando para isso enquadrar os brasões de armas que aparecem junto das pontes, açudes, pegos, etc;

8- Atravessando as margens dos rios em Porto de Mós, existem ainda hoje quatro Pontes (Ponte do Rio Cavaleiro, Alcaide, Freixa e Laje);

9- As ligações destas Pontes eram distintas;

10- A ponte do Alcaide permitia a passagem do rio Alcaide, facilitando a ligação da Vila com a via que seguia em direcção a Alcaria, através das Voltas da Cal e do Livramento, seguindo na direcção de Santarém. A pontge da Freixa, em Fonte de Oleiro e a ponte da Laje em Alcanadas fariam parte de um caminho, hoje desaparecido, que ligava de forma directa a Vila de Porto de Mós a Leiria;

11- Considerando ainda que a Ponte do Rio Cavaleiro é constituída por dois arcos de volta perfeita, de Aduelas estreitas e alongadas em pedra calcaria aparelhada, apresentando nas suas faces externas “marcas de canteiro”, cujas características apontam em principio para duas cronologias temporais – uma medieval e uma outra pós-medieval, talvez contemporânea da construção da abobada da cisterna do Castelo de Porto de Mós e como tal, numa fase intensa de intercambio de Mestres Canteiros entre a Batalha e Porto de Mós. Considerando ainda que este topónimo surge pela primeira vez, num documento datado dos finais do Século XIV. Considerando também que junto do local onde se ergue esta construção hidrológica, existe o topónimo “Ponte de Pau” que poderá aludir a uma construção anterior efectuada neste tipo de material e com uma cronologia espácio-temporal muito mais longa; tendo um “aparelho de construção e um quebra-mar” - dos únicos ainda existentes a nível da Península Ibérica;

12- No que diz respeito á ponte do rio Alcaide, sabemos sem dúvida alguma a sua cronologia, uma vez que a documentação do Século XIII a nomeia de “Ponte Pelagii Mauri”, o que poderá indiciar uma construção anterior á época Medieva e a análise das suas características construtivas revela semelhanças com a Ponte da Laje e com a da Freixa. No entanto, poderá tratar-se de uma construção romana que terá sofrido alguns restauros posteriores, e por tal, perdida alguma da sua traça original, nomeadamente, no que diz respeito á sua dimensão que, originalmente, poderia ter sido maior;

13- Por fim, no que diz respeito às pontes da Laje e da Freixa, devem tratar-se de pontes construídas em época romana. Estas estruturas apresentam algumas características ao nível da construção que nos indiciam essa cronologia. Ambas são constituídas por um arco de volta perfeita cujas aduelas bem ritmadas em pedra calcaria se apresentam bem talhadas e com silhares de forma subrectangular de um tamanho constante e de um ajuste perfeito entre si. No intra-dorso do arco que segura o tabuleiro apresentam um revestimento de argamassa rosada com fragmentos de pedra, ao que parece tratar-se de Opus Caementicium. No caso da Ponte da Laje ainda se conservam algumas lajes do seu pavimento original.

Assembleia Municipal de Porto de Mós, em 21 de Junho de 2013
O Deputado Municipal
António José de Menezes Teixeira

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