PORTO
DE MÓS - LEIRIA - PORTUGAL!
UMA VITÓRIA DE TODO O CONCELHO DE PORTO DE MÓS E DE TODOS OS
PORTOMOSENSES!
PENÚLTIMA ASSEMBLEIA MUNICIPAL PORTO DE MÓS - 21 DE JUNHO DE 2013 -
CONSEGUIU-SE APROVAR POR MAIORIA A SEGUINTE PROPOSTA DE
CLASSIFICAÇÃO DAS PONTES CAVALEIRO – FREIXA-RIO ALCAIDE E LAJE COMO
IMOVEIS DE INTERESSE PÚBLICO:
Proposta de classificação
das Ponte Cavaleiro, Ponte da Freixa, sobre a ribeira da Freixa, Ponte
de Rio Alcaide e Ponte da Laje, como Imoveis de Interesse Público.
Considerando que:
1- O Património Histórico – Arqueológico material e imaterial é uma
realidade viva que urge classificar e conservar para usufruto dos
cidadãos em geral e que só tem significado quando relacionado com
pessoas e comunidades;
2- As novas posições e leituras museológicas recomendam a participação de autarquias e residentes, expressa nas
Leis n.11/87 (Art.º4º e 20º), de 7 de Abril, e n.º107/2001
(Art.º3º.8-);
3- A Camara Municipal de Porto de Mós tem um projecto de geoparque para
o Concelho, podendo constituir um importante instrumento na concretização do seu desenvolvimento sustentável;
4- Considerando que um Geoparque é uma área em que se conjuga a
Geoconservação, a classificação e conservação
do património Histórico, Arqueológico, Arquitetónico, Etnográfico e
cultura imaterial e o desenvolvimento económico sustentável das
populações que o habitam; procurando estimular a criação de actividades económicas suportadas
tanto no que respeita ao património em geral como na Geodiversidade da
região, com o envolvimento empenhado das comunidades locais;
5- As “muralhas da serra” protegiam o termo e o vale do rio Lena e
incitavam á construção de
infra. Estruturas de assistência para ajudar os transeuntes nesta árdua
tarefa de cruzar os caminhos
serranos, também a sua abundante riqueza hidrográfica permitiu a
interligação da rede
terrestre com as vias fluviais, aproveitando possivelmente a
navegabilidade dos rios em benefício da sua rapidez nas viagens e no
encurtar distâncias;
6- Assim, no termo de Porto de Mós, existem algumas referências
toponímicas actuais que nos lembram a necessidade de utilizar
embarcações para transpor os rios. Num local próximo da Vila do Juncal
existe o sítio de “Porto Carro”, assim denominado devido á sua
importância na passagem do rio “Areia” e ainda o lugar de “Porto” em
Alcaria;
7- Se, por um lado, os rios traziam benefícios aos viajantes, por
outro, representavam também um dos seus principais obstáculos, pois a
sua travessia apresentava-se por vezes difícil no Inverno e, o uso de
barcas estivesse muito divulgado, a ponte era por vezes a única solução viável. Pela sua importância e utilidade
(forma de ultrapassar as dificuldades, complementar a rede viária
terrestre e facilitar as deslocações) as pontes eram uma das poucas
“obras publicas” empreendidas pelo Rei, Senhorios e Concelhos, que
serviram para cobrar direitos de passagem, “Banalidades” – espécie de
imposto medieval muito utilizado nesta caso nas travessias em Porto de
Mós, bastando para isso enquadrar os brasões de armas que aparecem
junto das pontes, açudes, pegos, etc;
8- Atravessando as margens dos rios em Porto de Mós, existem ainda hoje
quatro Pontes (Ponte do Rio Cavaleiro, Alcaide, Freixa e Laje);
9- As ligações destas Pontes eram distintas;
10- A ponte do Alcaide permitia a passagem do rio Alcaide, facilitando
a ligação da Vila com a via
que seguia em direcção a
Alcaria, através das Voltas da Cal e do Livramento, seguindo na direcção de Santarém. A pontge da Freixa, em
Fonte de Oleiro e a ponte da Laje em Alcanadas fariam
parte de um caminho, hoje desaparecido, que ligava de forma directa a
Vila de Porto de Mós a Leiria;
11- Considerando ainda que a Ponte do Rio Cavaleiro é constituída por
dois arcos de volta perfeita, de Aduelas estreitas e alongadas em pedra
calcaria aparelhada, apresentando nas suas faces externas “marcas de canteiro”, cujas características
apontam em principio para duas cronologias temporais – uma medieval e
uma outra pós-medieval, talvez contemporânea da construção da abobada da cisterna do Castelo de
Porto de Mós e como tal, numa fase intensa de intercambio de Mestres
Canteiros entre a Batalha e Porto de Mós. Considerando ainda que este
topónimo surge pela primeira vez, num documento datado dos finais do
Século XIV. Considerando também que junto do local onde se ergue esta
construção hidrológica,
existe o topónimo “Ponte de Pau” que poderá aludir a uma construção anterior efectuada neste tipo de
material e com uma cronologia espácio-temporal muito mais longa; tendo
um “aparelho de construção e
um quebra-mar” - dos únicos ainda existentes a nível da Península
Ibérica;
12- No que diz respeito á ponte do rio Alcaide, sabemos sem dúvida
alguma a sua cronologia, uma vez que a documentação
do Século XIII a nomeia de “Ponte Pelagii Mauri”, o que poderá indiciar
uma construção anterior á
época Medieva e a análise das suas características construtivas revela
semelhanças com a Ponte da Laje e com a da Freixa. No entanto, poderá
tratar-se de uma construção
romana que terá sofrido alguns restauros posteriores, e por tal,
perdida alguma da sua traça original, nomeadamente, no que diz respeito
á sua dimensão que, originalmente, poderia ter sido maior;
13- Por fim, no que diz respeito às pontes da Laje e da Freixa, devem
tratar-se de pontes construídas em época romana. Estas estruturas
apresentam algumas características ao nível da construção que nos indiciam essa cronologia. Ambas
são constituídas por um arco de volta perfeita cujas aduelas bem
ritmadas em pedra calcaria se apresentam bem talhadas e com silhares de
forma subrectangular de um tamanho constante e de um ajuste perfeito
entre si. No intra-dorso do arco que segura o tabuleiro apresentam um
revestimento de argamassa rosada com fragmentos de pedra, ao que parece
tratar-se de Opus Caementicium. No caso da Ponte da Laje ainda se
conservam algumas lajes do seu pavimento original.
Assembleia Municipal de Porto de Mós, em 21 de Junho de 2013
O Deputado Municipal
António José de Menezes Teixeira